Tenreiro Aranha

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O jornalista Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, homônimo do seu avô paterno, pertenceu à ilustre e tradicional família dos Bentos Aranha, da antiga vila de Mariuá (Barcelos, no rio Negro). Foi filho do notável político e homem de letras .

João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, instalador e 1.º presidente da Província do Amazonas. Pouco se sabe sobre as minúcias de sua dilatada existência de funcionário e de jornalista, muito menos de sua meninice.

Bento Aranha não tinha formação acadêmica, mas era um espírito culto e arejado pela constância de contatos com os livros e afeição à imprensa, era um homem de trato simples e comunicativo.

A biografia que lhe traçou o sempre lembrado João Batista de Faria e Souza é a única e bem rara fonte de informações a respeito de um dos mais ilustres jornalistas da planície.

Corria no ano de 1919, a 16 de janeiro, quando chega a Manaus a notícia do falecimento de Bento Aranha, que toda a gente conhecia, admirava e estimava. Os jornais da terra fazem-lhe o necrológio em ligeiro noticiário.

João Batista de Faria e Souza, que o tinha no rol de seus amigos e colegas, redige rápida, mas expressiva biografia que é estampada em O Jornal, de 17 de janeiro de 1919.

São dele, em resumo, as seguintes palavras, que o festejado cronista amazonense André Jobim, na sua apreciada publicação "Velhos Tempos", reeditou naquele órgão da imprensa baré, de 11 de setembro do corrente ano (1946):

"Com 79 anos de idade, acaba de falecer, na capital do Pará, o Capitão Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, o decano dos jornalistas do Norte do Brasil".

Penosa e muito difícil tarefa seria autobiografá-lo, tão longa é a lista dos serviços prestados em prol do Amazonas e do Pará, aos quais, incondicionalmente, dedicou todos os seus afetos e o seu muito valor, como lutador impávido, como amante do progresso, como polemista terrível, como jornalista vigoroso, sempre na brecha, lutando ininterruptamente por uma idéia, até ver o adversário rendido e ela, vencedora.

Entrando para a imprensa em 1858, ainda estudante de humanidades, nunca mais dela saiu, tendo fundado e dirigido diversos periódicos, uns meramente políticos e outros literários.

A 7 de setembro de 1862, vindo do Rio de Janeiro, chegou a Belém, nomeado por ato do Ministro da Fazenda, de 12 de agosto daquele ano, adido à Alfândega do Pará. Em fins de dezembro, prestou exame na Tesouraria da Fazenda daquela Província, sendo aprovado com distinção. Em princípio de agosto de 1865, foi admitido a exame para professor de primeiras letras da capital da Província, e, como das mais vezes, foi aprovado, abtendo notas distintas.

Por ato de 13 de setembro de 1863, foi-lhe concedido licença pelo dr. Brusque, então presidente do Pará, à vista das honrosas informações da Diretoria-Geral da Instrução Pública, para ensinar, particularmente, Gramática Portuguesa, Francês, Geografia e Aritmética. Por provisão de 9 de janeiro de 1871, foi nomeado para gratuitamente exercer o cargo de Amanuense da Secretaria da Instrução Pública.

Por decreto do Ministério da Fazenda, de 27 de agosto de 1872, foi nomeado escriturário da Alfândega de Serpa (Itacoatiara), sendo exonerado a seu pedido, em novembro do mesmo ano. Por ato de 20 de novembro, ainda de 1872, é nomeado professor do bairro São Vicente (Manaus), ponto final das ruas Bernardo Ramos e Frei José dos Inocentes. Em 1901, foi nomeado diretor dos índios do Rio Branco, sendo mais tarde mandado administrar a Diretoria da Estatística, para auxiliar a reorganização do Arquivo Público.

Por ato de julho de 1902, foi incumbido pelo governo, para ir em comissão ao Estado do Pará a fim de proceder a aquisição de documentos relativos à história política e administrativa do Amazonas. Serviu a essa comissão até 9 de fevereiro de 1904. Por ato de 25 de julho de 1910, foi nomeado diretor interino da Repartição de Estatística, Arquivo Público e Imprensa Oficial, sendo efetivado em 27 de outubro de 1911, sendo dele exonerado a 23 de janeiro de 1912.

Neste ano, seguiu para o Pará, onde passou a residir" Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, quando no governo, o dr. Antônio Constantino Nery fundou a revista Arquivos do Amazonas destina a publicar os documentos mais interessantes, sobre geografia e história regionais.

A revista do arquivo, mensal, teve uma vida efêmera, se bem que muito valiosa. Morreu por motivo da retirada do seu fundador e colaborador. Creio que não foi além de 12 números.

FONTE: Livro: ESCRAVIDÃO, O Amazonas e a Maçonaria Edificaram a História.

: Abrahim Baze

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