Tucumã, município do Pará

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ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS
HISTÓRICO

A origem do município de Tucumã está ligada ao projeto de colonização particular realizado pela construtora Andrade Gutierrez S/A, vencedora da concorrência pública do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em 1978. O empreendimento habilitava-se a realizar a colonização do Projeto Tucumã, numa área correspondente a 400.000 hectares de propriedade da União, localizada na época dentro do município de São Félix do Xingu. A área do Projeto seria servida pela PA - 279, construída pela Andrade Gutierrez, ligando o município de São Félix do Xingu à PA - 150 e desta à BR - 010 (Rodovia Belém-Brasília), através da BR - 222.

Um dos grandes objetivos do Governo Federal na década de 70 foi o de promover a ocupação dos grandes vazios demográficos da região amazônica, e sendo o Norte do país uma região predominantemente de áreas de baixa produção de hortigrangeiros, a instalação de uma colonização de caráter agrícola viria resolver dois problemas cruciais: a migração da mão-de-obra e a produção local. Para a execução do Projeto foram distribuídos três mil lotes de terra de diversos tamanhos, variáveis em função da qualidade do solo e da localização em relação aos núcleos urbanos (agrovilas), e voltados para as atividades agrícola e pecuária. Portanto, o Projeto Tucumã oferecia todas as condições para que os problemas de colonização e produção pudessem ser solucionados com êxito.

Paulatinamente, as terras do Projeto Tucumã foram sendo invadidas. As primeiras invasões ocorreram na área rural, estendendo-se, depois, aos núcleos urbanos. A situação ficou cada vez mais tensa, culminando em 1985, ano em que as invasões se intensificaram. Como a empresa preferiu não resistir a essa onda de invasão, o resultado foi a aceleração do processo de crescimento populacional, provocando a ocupação de forma desordenada nas terras do Projeto, inviabilizando-o como empreendimento de colonização particular.

Com a saída da empresa do Projeto Tucumã, aliada a pouca participação da Prefeitura de São Félix do Xingu na área, a comunidade local elegeu nove representantes para a formação do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Tucumã (CODETUC), que tinha como objetivo ordenar as ocupações urbanas, preservando o planejamento urbanístico, áreas ambientais comuns, serviços essenciais e os bens da União guardados e em uso pelo poder público municipal. A criação do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Tucumã propiciou a ampliação das atividades ligadas à indústria madeireira e à exploração do ouro, além de permitir o andamento de outras atividades essenciais para o desenvolvimento de Tucumã.

A progressiva expansão da agrovila levou sua população a realizar a antiga aspiração de elevar Tucumã à categoria de Município.

O processo de emancipação do município de Tucumã deu-se na gestão do então Prefeito de São Félix do Xingu, Filomeno de Souza Reis, através de um plebiscito que foi realizado em abril de 1988, com a participação de, aproximadamente, três mil eleitores, tendo como resultado uma votação unânime a favor da emancipação.

Tucumã obteve autonomia municipal através da Lei nº 5.455, de 10 de maio de 1988, durante o Governo de Hélio Mota Gueiros, com área desmembrada de São Félix do Xingu. Sua instalação aconteceu no dia 1º de janeiro de 1989, com a posse do primeiro Prefeito, o catarinense João Roberto da Silva, empresário de 36 anos, tendo como Vice-Prefeito o mineiro Rubens Carvalho de Souza, também empresário.

Quanto ao poder judiciário, pelo ato passaria a integrante da comarca judiciária de São Félix do Xingu e, enquanto não possuísse legislação própria, seria regida pelas leis e atos do município de São Félix do Xingu.

A memória social do lugar registra que o nome Tucumã, dado ao Município, é decorrente de ter existido na área onde foi implantado o Projeto, um número expressivo de palmeiras de tucumã, atualmente em extinção.

Compõe o Município apenas o distrito-sede (Tucumã), que era vila, tendo sido constituída cidade pelo ato de criação do Município.

CULTURA (DÚVIDA: o Município não possuía um padroeiro, mas, mesmo assim, homenageava-se São José Operário ou só começou a fazê-lo a partir de 1989???)

Até o ano de 1989, o município de Tucumã não possuía um padroeiro oficial. Mesmo assim, a festa religiosa de maior significação para a população local é feita em homenagem a São José Operário, no dia 1º de maio.

Dentre as principais manifestações culturais do Município, destacam-se as festas juninas, o carnaval e a festa do produtor rural, também conhecida como Feira dos Estados, que é tipicamente folclórica.

A população local é formada, acentuadamente, por imigrantes vindos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Por ocasião da realização da Festa dos Estados, no mês de julho, ocorrem manifestações típicas e a venda de comidas próprias desses Estados.

Esculturas em madeiras são exemplos do artesanato local.

Os equipamentos culturais existentes no Município são formados por um cinema e uma biblioteca.

ASPECTOS FÍSICO-TERRITORIAIS

LOCALIZAÇÃO

O município de Tucumã pertence à Mesorregião Sudeste Paraense e à Microrregião São Félix do Xingu. A sede municipal fica às margens da PA - 279 e apresenta as seguintes coordenadas geográficas: 06º 45' 08" de latitude Sul e 51º 09' 30" de longitude a Oeste de Greenwich.

LIMITES

Ao Norte - Município de São Félix do Xingu
A Leste - Municípios de Parauapebas, Ourilândia do Norte e Água Azul do Norte
Ao Sul - Município de Ourilândia do Norte
A Oeste - Município de São Félix do Xingu

SOLOS

No Município, estão AS áreas que apresentam os melhores solos do Estado do Pará. Predomina a Terra Roxa Estruturada eutrófica, textura argilosa. Há, também, os solos: Podzólico Vermelho-Amarelo, textura argilosa; Podzólico Vermelho-Amarelo equivalente eutrófico; Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico, textura argilosa; Litólicos distróficos, textura indiscriminada; e Afloramentos Rochosos.

VEGETAÇÃO

A cobertura vegetal originária tem, na Floresta Tropical Úmida, também chamada Floresta Equatorial Latifoliada, a sua caracterização geral. Além dessa feição dominante, constata-se, também, a presença das matas de galeria, ao longo dos cursos d'água. Nas áreas sujeitas à inundação dos rios, está presente a floresta de várzea. Vale salientar que, atualmente, devido à expansão da fronteira agropecuária no Município e à extração de madeiras, a cobertura florestal primitiva vem sendo aceleradamente removida, dando lugar às Florestas Secundárias e às pastagens.

PATRIMÔNIO NATURAL

A alteração da cobertura vegetal natural do município de Tucumã está somada a do município de São Félix do Xingu (2,48%), pois fazia parte dele, quando foi feito o levantamento da vegetação do Estado do Pará, em 1988, com imagens LANDSAT-TM, do ano de 1986.

Sua importância ecológica está no fato de ser limitado pelos rios Fresco, Carapanã e Branco e por conter nascentes que contribuem para esses rios, além de todos serem contribuintes do grandioso rio Xingu.

As matas-galerias e as florestas de várzea e de terra firme são as feições vegetais que tem sido, predominantemente, desbastadas para a extração madeireira e implantação agropecuária, daí serem as que devem merecer maior proteção no ecossistema municipal.

TOPOGRAFIA

A variação topográfica é intensa, apresentando cotas altimétricas significantes, por volta de 623 metros, entre as cidades de Tucumã e Ourilândia do Norte, a leste do Município, e 197 metros, a sudoeste, próximo ao rio Fresco, estando a sede municipal a cerca de 200 metros acima do nível do mar.

GEOLOGIA E RELEVO

A estrutura geológica é diversificada quanto à variação de unidades geológicas, com predominância total para as rochas de idades Pré-Cambrianas, onde se enquadram o Complexo Xingu (granitos, granodioritos, quartzitos, granulitos, etc.); Grupo Grão-Pará (jaspilitos hematíticos, quartzitos, metabasitos espilíticos, conglomerados e formação ferrifera); Supergrupo Uatumã, com seus componentes vulcânicos que constituem a Formação Sobreiro (andesito pórfiros); Granito Serra dos Carajás (granitos porfiríticos com tendência alasquítica); Granito Velho Guilherme (granitos e granodioritos portadores de cassiterita) e restos da Formação Gorotire (arenitos conglomeráticos, ortoquartzitos). Estão presentes, ainda, subordinadamente, áreas com sedimentos Quartenários, localizados às margens dos rios.

Suas formas de relevo estão inseridas nas unidades morfoestruturais do Planalto Dissecado do Sul do Pará e Depressão Periférica do Sul do Pará, cujas formas específicas apresentam superfícies pediplanadas em rochas Pré-Cambrianas, áreas dissecadas em colinas, inselbergs, chapadões, etc.

HIDROGRAFIA

Apresentando uma drenagem pobre em relação à navegabilidade, o Município tem, no seu limite sul, com Ourilândia do Norte, o rio Branco, afluente da margem direita do rio Fresco. Também, ocupando posições limítrofes, estão o rio Fresco e seu afluente, também pela margem direita, o igarapé Carapanã, ambos servindo de limites naturais com São Félix do Xingu, a oeste e ao norte, respectivamente.

CLIMA

O clima, devido à localização do Município, apresenta um caráter de transição, que se caracteriza, em sua maior parte, por ser tropical quente e subseco. A temperatura, no mês mais quente, é de 26,7º C, e no mais frio, 24,9º C, sendo a amplitude térmica de 1,8º C. A precipitação pluviométrica é de 1.423 mm/ano.


Fonte: SEPOF-PA
Portal Amazônia
08/02/2007 - KR

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