Redenção, bairro de Manaus
O bairro da Redenção surgiu de uma invasão, realizada em 1974, por operários da construção civil que foram trabalhar nas obras do conjunto Ajuricaba, ao encargo da construtora Flávio Espírito Santo, e aos poucos se estabeleceram nos arredores da área, onde não existia nenhuma estrutura urbana e as condições de vida desses primeiros moradores eram precárias. O nome inicial da comunidade foi Planeta dos Macacos. Na época, o nome foi dado porque havia muitas espécies de macacos na região, que fugiram com a derrubada da floresta, enquanto outros morreram devido ao desmatamento. Mas de acordo com outros moradores, o nome foi também uma referência à série americana Planeta dos Macacos, de muito sucesso quando de sua exibição, sobre um mundo no qual os humanos eram escravizados por macacos. Os trabalhadores da construção civil que ergueram o conjunto Ajuricaba, de residências populares, eram em sua maioria oriundos dos bairros Compensa, Coroado e Alvorada. As terras já eram privadas e uma parte delas pertencia, na época, a um coronel conhecido apenas por Jorge, e outra parte pertencia à família Coimbra. O coronel Jorge mantinha uma olaria na área e nunca deu a terra como perdida. Ainda em 1974, ele fez executar uma reintegração de posse da área, junto com a polícia militar, que iniciou a reintegração de com truculência, expulsando os moradores e ateando fogo nas casas que eles haviam construído para morar. Houve um grande tumulto no local, devido à violência empregada pelas forças policiais. No entanto, os moradores não desistiram e poucos dias depois voltaram a ocupar a mesma região e a reconstruir suas moradias.
Igreja Católica Os moradores receberam apoio fundamental da Igreja Católica, que os incentivou a se restabelecerem no local. Eles uniram forças e, ainda em 1974, construíram a primeira igreja na comunidade, na rua Campo Grande. Inicialmente foi batizada de Igreja Nossa Senhora Menina e, cerca de um ano depois, ganhou o nome atual: Igreja Nossa Senhora das Dores. Um dos antigos moradores que ajudou na construção da igreja foi o comerciante Otacílio Alves, popularmente conhecido como Cireca. Ele é proprietário de estabelecimentos comerciais na rua Campo Grande e incentivador do comércio local. A construção da igreja incentivou o desenvolvimento da comunidade e novos moradores foram chegando de diversos bairros, em busca do sonho de ter uma casa própria. O reconhecimento do poder público e a elevação da localidade à categoria de bairro, no entanto, veio ocorrer somente seis anos depois, quando houve, em 1980, uma eleição para a escolha do nome definitivo do bairro, que deixaria de se chamar Planeta dos Macacos. Os moradores votaram na sugestão feita pelo primeiro padre da comunidade, Raimundo, e escolheram o nome Redenção para identificar o local, em homenagem à ordem dos padres Redentoristas. Os outros dois nomes concorrentes foram Esplanada e Planalto. Com a adoção do novo nome e elevação à ordem de bairro, cuja solenidade contou com a presença do então prefeito José Fernandes e alguns assessores, o bairro da Redenção recebeu as primeiras torneiras públicas de água e as ligações iniciais da rede elétrica. Com o tempo, o número de residências e ruas foi aumentando e a água encanada foi expandindo-se dentro do bairro. Apesar de não se saber com exatidão a data das primeiras invasões, os moradores de Redenção comemoram o aniversário do bairro todo dia 19 de agosto.
Desenvolvendo aos poucos O desenvolvimento do bairro não foi contínuo após adotar o nome de Redenção. As ruas ainda não eram asfaltadas, havia freqüentes alagamentos e sinais de violência. Somente no ano de 1985, durante a gestão do prefeito Manoel Ribeiro, é que se iniciaram as obras de asfaltamento das principais ruas de Redenção. O desenvolvimento veio aos poucos, em pequenas doses. Durante a primeira gestão de Alfredo Nascimento, iniciada em 1997, é que obras de impacto social foram implementadas. Uma delas foi a construção de três Casas de Saúde da Família no bairro, que proporcionou melhoria na área de saúde. Além disso, o então prefeito Alfredo Nascimento deu inicio ao processo de drenagem dos igarapés que cortam o local, evitando que mais inundações ocorressem. O problema ainda persiste até os dias atuais.
Comunidade indígena Redenção abriga desde agosto de 1993 uma comunidade indígena formada por 15 famílias da tribo saterê-maué. A comunidade habita uma invasão próxima ao conjunto Santos Dumont e sofre com as condições precárias de infra-estrutura. Eles moram em barracos de madeira e não têm fornecimento regular de energia elétrica. Conseguem água para beber graças a uma cacimba cavada no terreno. O problema mais difícil para a convivência é o preconceito das pessoas. Ainda predomina a idéia que os índios são preguiçosos e cheiram mal. Eles queremo respeito e oportunidade para sobreviver. Embora incrustada dentro da floresta Amazônica, a cidade de Manaus não tem muitas áreas de preservação florestal. Uma delas está localizada na Redenção. O bairro possui uma das maiores coberturas vegetais da cidade, cercada e protegida, abrigando espécies nativas da fauna e flora da região. A extensa área verde proporciona um habitat natural para a reprodução dos bichos e plantas e contribui para a manutenção da temperatura do bairro. Os moradores consideram um privilégio a vista e a presença da floresta do aeroporto internacional Eduardo Gomes.
Igarapé A população da Redenção, estimada atualmente em 40 mil habitantes, sofreu durante muitos anos um problema sério de alagamentos na época de chuvas pelo transbordamento do igarapé que corta algumas ruas do bairro. A água entrava nas casas construídas em cima do leito do igarapé, danificando os bens dos moradores. Para solucionar este problema e melhorar a infra-estrutura da região, a prefeitura está realizando obra de drenagem, com retirada de areia do igarapé, aumentando a sua profundidade. Os técnicos da Secretaria de Obras também estão aumentado o nível de algumas ruas e o diâmetro de bueiros, para proporcionar maior capacidade escoamento. A prefeitura indenizou algumas famílias, cujas casas estavam muito próximo do leito do igarapé, que com o dinheiro puderam comprar suas casas em locais seguros. O desenvolvimento da infra-estrutura está incentivando as atividades comerciais na Redenção. Entre os moradores, é consenso, entretanto, que a região ainda carece de muitos serviços básicos. A comunidade Nossa Senhora do Carmo, a falta de escolas ainda é uma das principais dificuldades da região. Não existe creches suficientes para crianças, e muitos moradores só estão indo para a alfabetização depois de grandes. Há mais de 10 de anos que não é construída uma escola no bairro.
Dificuldades e avanços A comunidade sofre também com a distribuição irregular de água encanada nas casas. A dificuldade maior, porém, é a falta de um espaço reservado para a feira local. Atualmente, a venda de frutas e verduras é realizada na rua Campo Grande. Dias de sábado e domingo é uma grande confusão. Tem muita gente vendendo frutas no meio da rua, impedindo a passagem de carros e ônibus. Com freqüência alguém é atropelado no local. Depois, ainda fica a sujeira. Uma atitude curiosa chegou a ser empregada pelo comerciante José Agripino, proprietário do Mercadinho Ane, como solução autônoma para o problema da feira. Ele construiu por iniciativa própria um espaço na rua Mirasselva, destinado exclusivamente para a compra e venda de frutas e verduras. Os comerciantes interessados podem alugar os boxes e oferecer seus produtos à venda. No entanto, a ação não atraiu o número esperado de vendedores e o espaço está mal aproveitado. A Redenção tem hoje treze escolas, sendo cinco municipais e oito particulares; um centro esportivo; a quinta unidade da Cicom ? Companhia Integrada de Segurança Comunitária; um centro de saúde e está prestes a ser concluída a unidade do Serviço de Pronto Atendimento ? SPA/Policlínica. Os católicos têm tradição no bairro e somam 70% dos moradores, que se orgulham de sua padroeira Nossa Senhora do Carmo, abençoados ao mesmo tempo por Nossa Senhora das Dores, São Francisco, São Paulo e Santa Luzia. As festas religiosas ligadas à Igreja Católica iniciam todo ano em maio e culminam com as festas do Natal. Durante esse período são realizadas pela comunidade procissões, arraiais e o festival de música cristã, que conta com a participação de compositores e músicos de toda a cidade. Há também um crescente número de igrejas evangélicas, congregações cristãs e um centro espírita.
Localização Definição do perímetro: inicia no afluente do igarapé dos Franceses com a estrada da Colônia João Alfredo, seguindo até a rua B-39, contornando o limite Norte do conjunto Ajuricaba, passando pela avenida Central até a avenida Goiânia, com os limites sul das terras pertencentes ao aeroporto internacional Eduardo Gomes, seguindo até o ponto frontal da rua Lírio do Vale com acesso ao conjunto Hiléia até a rua Comandante Norberto Von Gal até a rua Gurupi, seguindo por esta até o igarapé dos Franceses, retornando a Estrada da Colônia João Alfredo. Sua superfície é de 315 hectares e a população estimada em 40 mil habitantes. Fonte: Jornal do Commércio Portal Amazônia - NR