Festival Folclórico de Parintins

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O Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas  tem sua história representada pelos grupos de boi-bumbá ou bumba meu boi. É possível identificar nas apresentações folclóricas componentes de várias culturas, como a ibérica e a árabe. No entanto, a cultura indígena, é que dá as mais fortes características do folguedo, considerado a maior festa popular amazônica.

O espetáculo grandioso atrai milhares de turistas do Brasil e do mundo, não só pela riqueza cênica, como pela criatividade dos artistas que a cada ano, inovam suas criações, levando para a arena do bumbódromo a riqueza do folclore da região.

O boi é representado, durante todo o mês de junho, em todos os estados amazônicos como parte das festejos juninos. São Festas mais animadas no Norte do País, do que o próprio Carnaval.

Parintins: Em Parintins, no entanto, a festa ganhou maior projeção, com a realização do Festival Folclórico de Parintins. A beleza exuberante e exótica da região já justifica a visita ao festival folclórico de Parintins.

Com mais de cem mil habitantes, o município de Parintins fica a 420 Km de Manaus, na ilha fluvial de Tupinambara, e está localizado no Baixo Amazonas, quase na fronteira com o estado do Pará.

Como chegar: Pode-se chegar à cidade por vias aérea e fluvial. Os vôos saem de Manaus ou de Santarém, no Estado do Pará, e têm duração de aproximadamente uma hora.

De barco, a viagem até Parintins dura, em média, de 12 a 24 horas, dependendo do tipo de embarcação e do percurso escolhido.

O trecho Manaus-Parintins, que desce o rio, é normalmente feito em 12 horas. O retorno leva muito mais tempo, pois navega-se contra as águas do rio.

A maioria desses barcos funciona como hotéis, pois eles permanecem ancorados em Parintins

Primeira etapa da festa: Durante os primeiros dez dias de festival, apresentam-se vários grupos folclóricos, com suas representações de lendas ao som de toadas e cantos indígenas, teatralizações de rituais, fantasias, figuras engraçadas e curiosas do imaginário da região.

Apoteose da festa: A apoteose acontece no último final de semana do mês de junho, quando se apresentam as grandes atrações da Festa, os bois Garantido e Caprichoso.

Há décadas eles, e só eles, disputam a condição de melhor boi de Parintins. E quem escolhe é o público, que se divide entre o vermelho (cor do Garantido) e o azul (símbolo do Caprichoso). Ganha quem mais fizer vibrar a platéia. Razão pelo qual os grupos não poupam esforços nem economizam animação, levando para a arena do bumbódromo luxuosas fantasias, toadas e alegorias repletas de criatividade.

Garantido e Caprichoso: Os bois-bumbás de Parintins, Caprichoso e Garantido, existem desde 1913, mas o festival foi oficializado em 1966, transformando-se no maior espetáculo folclórico do Brasil e a segunda maior festa popular do mundo.


Bumbódromo:  O Bumbódromo de Parintins, ou Centro de Convenções Amazonino Mendes, foi inaugurado em 24 de junho e aberto para o 22º Festival Folclórico, em 1988. O Bumbódromo tem 35 mil lugares, entre camarotes, arquibancadas especiais e arquibancadas gratuitas. Essas representam 95% dos lugares e são divididas em duas partes rigorosamente iguais para as torcidas do Caprichoso, representada pela cor azul, e a do Garantido, cor vermelha. Cada um dos lados da arquibancada é pintado com a cor de um Boi.

Os quatro mil brincantes ( foliões ) e cada um dos grupos cantam e contam na arena do Bumbódromo a lenda do Boi-Bumbá. As fantasias e as alegorias, que podem chegar a 30 metros de altura, revelam a criatividade do povo local. Penas, cores, luzes e brilhos fazem um espetáculo apoteótico nos três dias de apresentações.

Os dois Bois dançam e cantam por um período de três horas, com ordem de entrada na arena alternada em cada dia.

Disputa pacífica dos bois: O último final de semana de junho é dedicado exclusivamente aos espetáculos dos dois bumbás rivais, Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho), que encenam um verdadeiro ritual amazônico com Pai Francisco, Mãe Catirina, Tuxauas, Cunhã Poranga, Pajé e suas inúmeras tribos, lendas e rituais indígenas. Nos três dias do Festival, a arena do Bumbódromo se divide meio a meio em azul e vermelho. As torcidas jamais se misturam e, durante a apresentação de um grupo, a torcida do outro não pode se manifestar.

Garantido: O Boi Bumbá Garantido foi fundado em 1913, por Lindolfo Monteverde, na baixa do São José, onde fica o seu curral. Tornou-se uma associação em maio de 1982.


Caprichoso: O Boi Bumbá Caprichoso também foi fundado em 1913, por Emídio Rodrigues Vieira. O Caprichoso é conhecido como o boi da parte de baixo da cidade, onde está o seu curral.

Importante saber: Em Parintins, um torcedor jamais fala o nome do outro Boi, e usa apenas a palavra "contrário" quando quer se referir ao opositor. São proibidas vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão quando o "contrário" se apresenta. Cada torcida contrária permanece em silêncio, pois qualquer manifestação pode originar na perda de pontos.

Música: A música, que acompanha durante todo o tempo é a toada, acompanhada por um grupo de mais 400 ritmistas.O canto das toadas vem da pequena ilha de Parintins. Os dois Bois dançam e cantam por um período de três horas, com ordem de entrada na arena alternada em cada dia. As letras das canções resgatam o passado de mitos e lendas da floresta amazônica. Muitas das toadas incluem também sons da floresta e canto de pássaros.

Ritual: O ritual dos Bumbás mostra a lenda de Pai Francisco e Mãe Catirina que conseguem, com a ajuda do Pajé, fazer renascer o boi do patrão. Conta a lenda que Mãe Catirina, grávida, deseja comer a língua do boi mais bonito da fazenda. Para satisfazer o desejo da mulher, Pai Francisco manda matar o boi de estimação do patrão. Pai Francisco é descoberto, tenta fugir mas é preso. Para salvar o boi, um padre e um médico são chamados (o pajé, na tradição indígena) e o boi ressuscita. Pai Francisco e Mãe Catirina são perdoados e há uma grande comemoração O Garantido, considerado o "boi do povão", acumula 21 vitórias contra 15 do Caprichoso, "o boi da elite".

Personagens da Festa

Apresentador: A ópera do Boi tem um apresentador oficial, que comanda todo o espetáculo. O levantador de toadas faz a trilha sonora e dá um show de interpretação, transmitindo empolgação à sua Galera (torcida).

Batucada do Garantido e Marujada de Guerra do Caprichoso: A bateria com suas batidas precisas e contagiantes, cadencia o ritmo da toada, de letras épicas, poéticas e sedutoras.

Amo do Boi : O Amo do Boi, com seu jeito caboclo, exalta a originalidade e a tradição do folclore, fazendo soar o berrante e tirando o verso em grande estilo. É a chamada do Boi, que vem para bailar.

Sinhazinha da Fazenda : E para saudar o Boi, vem aí a Sinhazinha da Fazenda, que chega toda brejeira, com seu vestido rendado e sua dança faceira. Pai Francisco e Mãe Catirina, juntamente com os bonecos gigantes, trazidos pela Dona Aurora, figura tradicional do Boi de Parintins, também participam. Figuras Típicas Regionais e Lendas Amazônicas encantadoras fazem aflorar os sentimentos de amor e paixão. Alegorias gigantes se movimentam. Coreografias e fantasias originais, com luz teatral e fogos, dão um brilho especial ao espetáculo.

Porta Estandarte, Rainha do Folclore e Cunhã Poranga: Porta Estandarte e Rainha do Folclore dão um banho de charme, beleza e simpatia. E na sequência, o grande mito feminino do nosso folclore: Cunhã Poranga! A moça mais bela da tribo dá um show de magia, irradiando toda a sua beleza nativa, de olhar selvagem, com seu lindo corpo emoldurado de penas. Aparece aqui o elemento indígena, incorporado à festa do Boi no folclore amazônico.

Tribos: Dezenas de Tribos Masculinas e Femininas, com suas cores vibrantes, compõem um cenário tribal delirante, de coreografias deslumbrantes. Os Tuxauas Luxo e Originalidade são um primor de beleza.

Ritual: No apogeu da apresentação, acontece o Ritual, uma dramatização teatral comovente, culminando sempre com a mágica e misteriosa intervenção do Pajé, o poderoso curandeiro e temido feiticeiro, que faz a dança da pajelança. É a grande apoteose da noite.

Galera: A Galera (torcida) dá um show à parte. Enquanto um Boi se apresenta, sua Galera participa com todo entusiasmo. Seu desempenho também é julgado. Do outro lado, a Galera do contrário (adversário) não se manifesta, ficando no mais absoluto silêncio, num exemplo de cordialidade, respeito e civilidade.

Jurados: Os jurados são sorteados na véspera do Festival e todos vêm de outros estados. Pela proximidade, pessoas do norte são vetadas. O requisito é ser estudioso da arte, da cultura e do folclore brasileiro. Mais de 20 itens são julgados, à luz de um regulamento simples, claro e preciso.

Vencedor: Depois da apuração, o Boi com maior pontuação nas 3 noites é proclamado campeão. E faz uma grande festa. Ao perdedor, resta o bem humorado protesto. E aturar as gozações do vencedor.

Principais palavras em Tupi e expressões típicas do local: Aluá - bebida fermentada, feita a partir do arroz ou do milho Arraial - Comércio de comidas típicas e atividades sócio-culturais Asa-dura - avião Banzeiro - ondas de rio muitos altas Borduna - cassetete Brincante - folião do Boi-Bumbá Caqueado - estilo Carapanã - muriçoca Contrário - Denominação dada ao torcedor do outro boi, em época de festival a rivalidade é tão grande que se recusam a pronunciar o nome do boi "contrário" Cunhã - mulher Cunhã-poranga - mulher bonita Figura - Personagem do boi, exemplo: Bicho folharal, Dona Aurora, Neguinho do Campo Grande etc... Galera - Torcida Marujada de Guerra - Nome dado a batucada do Caprichoso Palminha - Dois pedaços de madeira retangular (itaúba ou sucupira) usado para marcar o ritmo das toadas Panuveiro - confusão QG - local onde são confeccionadas as fantasias Quiriri - tristeza Toada - Música Tripa - pessoa que dança vestido de boi Tacanhoba - tanguinha.  

Fonte: O Magnífico Folclore de Parintins, de Tonzinho Saunier e Embratur


Site: Caprichoso


 



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