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11 de julho de 2011 - atualizado as 12:53
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BR-319: nem Polo Industrial de Manaus apoia

Manaus, ao fim e ao cabo, não continuará “isolada” fisicamente do resto do país. O preço, como sempre, só virá no final do banquete.

Por: Ronaldo Pereira dos Santos

Manaus e entorno é uma das últimas, se não a única, região do Brasil que – a despeito do valor ambiental e econômico – continua “isolada” fisicamente do resto do país. A grande floresta e a calha do maior rio do mundo são as barreiras. Como a indústria local vive na base do transporte aéreo e fluvial, bandeiras foram levantadas por uma integração terrestre via a rodovia.

A  abertura da estrada, facilitaria o escoamento de produtos agrícolas, reduziria o custo de peças e insumos para o pólo industrial, abriria possibilidades de uma Amazônia integrada ao país – finalmente.

Na verdade, muitos cálculos depois, se viu que seria bom apenas para o ramo do transporte de passageiros – pouco impacto na logística (movimento de cargas) importante na indústria.

Os estudos disponíveis dizem haver mais prós do que contras (contido no EIA-RIMA produzido pela Universidade Federal do Amazonas). Contudo, setores ligados à pesquisa refutam os estudos e apresentam problemas e impactos – em especial os socioambientais. Tal pensamento respingou no IBAMA, que mandou refazer boa parte dos estudos.

Projeto Norte Competitivo

Mesmo um dos setores que mais poderia ter interesse na reabertura da rodovia mostra-se cético quanto aos seus benefícios. No estudo independente feito via Projeto Norte Competitivo a reabertura terrestre com Porto Velho pouco reduziria os custos no transporte (com seu pagamento apenas em 50 anos. Fonte: Fieam Noticias, n 51,2011, resumo aqui).

As rotas hidroviária e aéreas são mais atrativas – segundo os estudos de logística aliada a planos de longo prazo. Deste ponto de vista geoestratégico as conclusões se justificam e parecem fazer sentido: a rodovia Manaus – Porto Velho só seria gasto de dinheiro.

Mas e o povo? E o desejo de se conectar ao resto do país sem encarecer os custos de viagens  fora do eixo logístico? Não seria então legítimo o desejo daqueles que a apóiam – ainda que sem uma visão macro e apenas de curtíssimo prazo?

Pouco valor

Um dado não foi ainda devidamente discutido, embora se saiba que sua relevância no todo não o justifica. O Projeto Norte Competitivo – no que diz respeito ao impacto da BR-319 – focou unicamente em produtos que alavancam o PIB e fazem parte do cardápio que o país tem a oferecer à exportação. Ao total, 16 cadeias produtivas, cerca de 50 produtos, que representam 95% de produzido na Amazônia Legal em 2008.

Os outros 5%, o que no fundo não geram renda atrativa, são as pequenas cadeias de produtos e não ligados ao pólo industrial, logo, pouco seria justificáveis. Estes têm logística mais simples; médias distâncias, ao longo da própria BR. São os produtos regionais, de pequena escala, agricultura familiar, não saem praticamente do Amazonas. Estes produtos teriam vida facilitada com a rodovia.

Indo ainda mais longe, em artigo sobre a BR, em 2009, argumentamos que para as localidades produtoras destas pequenas cadeias (ao longo da BR)  “o argumento da proteção ambiental não tem tanta ressonância” – leia a íntegra. Neste caso, não somente produtos do cotidiano dos ribeirinhos, mas mesmo alguns de médio interesse logístico (carne, madeira e frutas mais atrativas, como açaí).

Valores socioambientais

Claro que esta visão fria, analítica e puramente geoestratégica – como esta do Projeto Norte Competitivo –  é pragmática e amplamente técnico-economicista. Não podia ser diferente, dado seus objetivos de gerar resultados. Daí o fato de que se perguntarem aos presidentes das Federações Estaduais das Indústrias sobre recuperar ou não a 319 – em privado – falarão que tanto faz.

A resposta pode mudar, uma vez que o mundo não vive somente de logística, de análises de macroeconomia e de balancetes corporativos a rodovia trará impactos mais adiante na vida especialmente da cidade de Manaus.

Manaus, ao fim e ao cabo, não continuará “isolada” fisicamente do resto do país. O preço, como sempre, só virá no final do banquete.

O artigo acima é de responsabilidade do autor. Não reflete a opinião do Portal Amazônia ou do grupo Rede Amazônica

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» Comentários
Alessandro
2011-07-18 20:34:16
Responder

eu gostaria de fazer algumas considerações. Quando escuto que a construção da BR 319 so beneficiaria as transportadoras fico me perguntando se uma carreta que gasta 12 dias em uma balsa de Belem para Manaus e paga sete mil reais a uma balsa para o transporte, não força o repasse destes valores para os produtos. os produtos vindos do sudeste para Manaus param em Porto velho. gastam 5 dias de São Paulo a Porto velho e 6 dias de Porto velho até Manaus. Gastam nos 2800 até porto velho a metade do valor dos 780 KM até Manaus e então volto a perguntar? estes valores não são repassados as mercadorias? e a quantidade de empresas que se estabeleceriam em Manaus em função desta estrada? Em uma reunião informal em São Paulo com alguns empresários e executivos a resposta que obtive deles foi a de que Manaus é inviável devido a dificuldade da logistica. empresas no resto do Brasil não estão acostumadas com o grande custo logistístico que Manaus exigiria para suas atividades. O que aconteceria seria mais um grande número de empresas disputando mercado, jogando preços ao chão e muitos empresários perderiam a boa vida de cobrar o que querem... teriam de trabalhar, oferecer bom atendimento... etc

William
2011-08-04 22:24:07
Responder

A BR319 é importantíssima para a população de Manaus e Boa Vista, principalmente os mais carentes. Vergonhosamente, empresários acostumados a boa vida sem competição não desejam e atrapalham através de tráfico de influência e etc para que essa estrada nunca venha a ser feita. É a pobreza de espírito do brasileiro, dos mais ricos a mesquinhez, dos mais pobres a fraqueza e a ignorância.

Ricardo
2011-08-08 13:26:22
Responder

Os benefícios da BR-319, além de integrar o Estado ao resto do país, ira integrar os municípios do próprio estado pois turismo irá levar maiores investimentos para estes municípios e com certeza o custo de vida nestas cidades serão mais baixos do que em Manaus, como Manaquiri, Altazes e Careiro, já que são destinos antes de chegar em Manaus. Portanto, os benefícios com a economia na logística tanto de mercadorias, máquinas e para o próprio turismo, justifica sim a BR-319.

alexandre
2011-08-15 06:52:54
Responder

Caros amigos, não sou politico nem tampouco empresario,mas alguem apto a fazer um comentario.Interesse em ligar-se ao resto do pais é uma idéia mesquinha que nos confunde a mente e esta é vomitada aos montes por pessoas que não têm argumentos proprios e com base em dados ou estatistica.Manaus ja foi a cidade mais cosmopolita do pais e no entanto não precisou desta rodovia.Manaus escoa sua produçao sem essa rodovia a décadas.O que querem ou pensam então essas pessoas? Que os balseiros virem motoristas? que a mata dê lugar a enormes canaviais?que os ribeirinhos virem cortadores de cana? Todo o povo do amazonia vive bem a muito tempo, mesmo que fisicamente "isolado"do resto do pais e como tal tem seus problemas, mas usar como pretexto a falta de rodovia. essa sem duvida é uma opiniao equivocada.manaus incharia,cidades inchariam, amata sucumbiriam e depois pensaremos:acabou.olhem as imagens de satelite olhem e olhem: onde é que há verde? onde?apenas ai em cima;no norte do pais.O Progresso tem seu preço,nmão paguem pra vê-lo.Pensem.

clenio
2011-09-09 12:37:16
Responder

Caro Alexandre, gostaria de saber se voce é da regiao, pois como nascido e criado em Porto Velho eu conheço a historia regional de que Manaus sempre foi cosmopolita, pois ali estabeleceram seus negocios os "coroneis da borracha" que em datas passadas exploraram nossas matas e os brasileiros, extratores da seringa (diga-se de passagem, muitos trabalhavam de forma escrava pois nao conseguiam pagar os altos preços do mantimento que à eles eram fornecidos) e nunca se empenharam em promover melhorias na regiao. Queremos desenvolvimento regional com sustentabilidade sim, e temos exemplos "mundo afora", temos pessoas mais instruidas e capacitadas na atualidade. Não podemos perder tempo com balsas numa era que a competitividade exige rapidez. Queremos ser competitivos, queremos a BR 319.

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