MANAUS – O bairro Amazonino Mendes, zona Norte de Manaus, é mais um em Manaus que sofre com os assaltos. São ruas, esquinas e locais perigosos e com alto índice de violência. O bairro é atendido pela 13ª Delegacia do Distrito Policial, localizado no bairro Cidade de Deus, unidade distante das regiões mais violentas.
De acordo com o presidente do Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Amazonino Mendes, Jackson Sena, dentro de três meses será construída a 27ª Companhia Interativa Comunitária no bairro, mas ate lá a população ainda terá que conviver com a ação dos bandidos.
A moradora Maria Nascimento Paula contou ao portalamazonia.com que vê policiais militares passarem para receber propina. “Por isso tenho muito medo. Só abro a porta de casa para sair e para entrar. Aquela época maravilhosa, quando sentávamos em frente para conversar com o vizinho, acabou”, declara.
Os bandidos não se contentam em apenas roubar as vítimas. Eles sempre assaltam à mão armada (às vezes munidos de faca) e ameaçam a vida dos moradores. Maria, residente na rua 44b, fala que os criminosos estão sempre aos pares, em cima de motos.
Boletim de ocorrência não leva a nada, avalia comerciante
O proprietário de uma lan house, localizada na rua 40A, já teve seu comércio assaltado três vezes somente este ano. Tales* disse que fez o Boletim de Ocorrência em todas as aocasiões, mas não recebeu resposta até hoje.
“Estamos num fogo cruzado. Acima, há um campo próximo à Escola Juracy Batista Gomes, onde jovens consomem drogas ao ar livre, a partir das 18h. Descendo a rua, está a parte da favela, onde moram os bandidos”, apontou.
Moradores do bairro, em várias ruas do Amazonino Mendes, afirmaram que há uma “central do crime” no fim da via 40A. É naquele local onde se encontra a região mais pobre da comunidade, apelidada de ‘favela’. “Os policias não vão até o final desta rua”, garantiu uma senhora, que prefere não ser identificada.
Para os moradores, há cumplicidade da Polícia com os bandidos.

Ônibus executivo 818 quer mudar itinerário por conta da violência. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia
“A Polícia Militar não prende ninguém porque não quer, porque ficam com eles”, assinala Tales. A moradora Maria Paula ressalta a palavra do comerciante: “Eles correm atrás dos criminosos, mas é só para chegar num local e receber a propina”.
Na rua 40 A, está localizada o ponto final do ônibus executivo, linha 818. Os moradores do local afirmaram que os assaltos ao coletivo são constantes e acontecem sem um horário específico. Ao anoitecer, Tales afirma ser impossível andar pelas imediações, devido à possibilidade de assaltos. De acordo com ele, é perigoso até sair de casa para estudar.
“O pessoal do ônibus quer sair deste itinerário, por causa da violência. Já os moradores pedem para ampliar o perímetro do 818. O melhor para nós é que o coletivo vá da rua 40 até a Igreja Católica, na rua 81, e retorne pela rua 84. Deste modo, quem precisa estudar a noite fica próximo às suas casas, quando volta da aula”, explicou o comerciante.
Áreas estão sob investigação, diz PC
As ruas mais perigosas estão sendo mapeadas. Esta é a garantia do investigador Márcio de Oliveira, da 13º Distrito Policial – responsável pelos bairros Cidade Nova 2 e Amazonino Mendes. Ele afirma que a área entre as ruas 40, 40A, 44A e mediações estão sob investigação da Polícia Civil. “Não podemos chegar repentinamente, por isso estamos analisando os pontos críticos”, disse.
Sobre as acusações de que a polícia não iria até ao final da principal via, considerada pelos moradores como ‘favela’, o investigador ressaltou que haverá, em breve, o programa Ronda nos Bairros, o que tornará o bairro mais seguro para os moradores.
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