MANAUS- A falta de segurança pública voltou a liderar as reclamações de moradores e comerciantes na série Fala Comunidade que percorre o bairro Santo Antônio, zona Oeste de Manaus, nesta semana. Comerciantes ouvidos pelo portalamazonia.com relataram o descrédito em relação ao serviço das autoridades policiais.
Assaltado mais de quatro vezes, o comerciante que preferiu não se identificar por medo de represálias, contou à reportagem a sensação de risco enfrentada por ele, todos os dias ao abrir as portas da loja onde trabalha na rua Padre Francisco. Há 21 anos no ramo de varejo, ele já teve comércios em outros pontos do bairro, também alvos da violência. “O problema é sempre o mesmo; assaltos, assaltos e mais assaltos”, afirmou.
Ele também afirmou que além de já ter o comércio saqueado, já teve a casa arrombada e foi alvejado com três tiros em uma ocorrência de assalto. “Graças a Deus não foi fatal, mas é difícil trabalhar assim”, disse angustiado. O homem também alegou que já registrou inúmeros boletins de ocorrência, porém desistiu porque os policiais costumavam cobrar uma quantia em dinheiro para prender os assaltantes. O personagem desta história contou ainda que a noite a situação piora devido à boca de fumo localizada na rua.
Mais a frente, ainda na rua Padre Francisco, o comerciante Luiz Ricardo Souza, 35, lamentou a recorrente incidência de assaltos no bairro. Segundo Souza, além do prejuízo financeiro, ele precisa enfrentar a humilhação. “Já fui assaltado três vezes. Os bandidos sempre entram aqui com a certeza que não serão punidos”, frisou. Na opinião dele, o efetivo da Polícia não consegue suprir a demanda por segurança do Santo Antônio.
Souza também lembrou que o comandante-geral da Polícia Militar, Almir David, chegou a se reunir com moradores e comerciantes da área há três meses. Segundo ele, o comandante prometeu tomar medidas efetivas para evitar a ocorrências de crimes no bairro, mas apenas tomou medidas paliativas. “Uma semana depois da reunião, um segurança e uma viatura da polícia fizeram a ronda no bairro, depois sumiram”, denunciou.
Na Rua José Trados a situação se repete. Cansado de lutar com os criminosos, João Braga, 38, encerra o expediente na padaria dele mais cedo. O comerciante costumava estender o horário de atendimento até às 20h. “Estou desacreditado com o trabalho da Polícia, eles pegam os policiais do Santo Antônio e utilizam também em bairros adjacentes, como o São Raimundo”, alegou. Como mora no mesmo local onde trabalha, o comerciante falou que contratou um segurança particular para tentar garantir a segurança.
A assessoria da Polícia Militar informou que as denúncias foram registradas e que medidas vão ser tomadas para minimizar os índices de assaltos no bairro. De acordo com a assessoria de comunicação da PM, a área do bairro Santo Antônio está em estudo. A PM também informou que as reivindicações dos moradores na reunião com o coronel Almir David foram notificadas para providências e planejamento do policiamento no bairro.
Sobre a rotatividade das viaturas no Santo Antônio, a assessoria da PM informou que o policiamento depende da demanda de ocorrências de crimes nos bairros. As viaturas da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) são deslocadas para outros bairros adjacentes onde há denúncias de assaltos. Segundo a PM, todos os bairros de Manaus contarão com 18 policiais a partir da implantação do programa Ronda nos Bairros.
O bairro agora é um grande centro comercial e residencial da capital amazonense
Lixo e goteiras em feiras do bairro Japiim preocupam moradores e permissionários
Bairro mistura história e modernidade, invasões e condomínios de luxo. O Tarumã está na mira da expansão imobiliária.
O bairro em Manaus comporta uma das regiões mais valorizadas da cidade de Manaus: o conjunto Vieiralves