MANAUS- Em 1984, chegava ao bairro Mauazinho, área de seringal localizada próxima ao rio Mauá, a pedagoga Elani Maria de Negreiros Góes, 54 anos. As ruas do bairro ainda sem asfalto e sem casas, completamente tomadas pelo mato, configuravam o cenário de origem do Mauazinho. A pedagoga e missionária, leiga, vinha de Maués em missões sociais e pastorais.
Ao chegar ao bairro Elani encontrou apenas 31 famílias que moravam em flutuantes no Rio Negro, na chamada “prainha”. A primeira escola do bairro, chamada “Sementinha”, hoje Centro Educacional Carioca também foi a primeira residência da missionária, onde tempos depois começou a lecionar. Elani também testemunhou a migração dos primeiros moradores do bairro e a derrubada da floresta para o início do processo de urbanização.
Inúmeras famílias construíram barracos de madeira, mas a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) alegou a posse legal das terras em 1983. Mesmo com a determinação, as famílias se recusaram a sair da área. Em 1984, a SUFRAMA resolveu derrubar todos os barracos construídos na atual Avenida Rio Negro. Começava a militância do grupo missionário, liderado por Elani e alguns moradores que resistiam a derrubada.
Depois da retirada, o grupo procurou a imprensa para reivindicar o direito de construção e permanência das casas. “Depois de muita luta, e pressão da imprensa, conseguimos permanecer no local”, lembrou. A Prefeitura de Manaus decidiu acatar a reivindicação dos moradores do local e reconheceu a existência do bairro de Mauazinho através da Lei N.º 1.840, de 8 de julho de 1986, de autoria do vereador Antonio Carioca.
Após a conquista da moradia, problemas com infraestrutura, água encanada, saneamento básico e luz elétrica passaram a ser motivo de reivindicações de quem residia no bairro. Em 1986, as ruas começam a ser asfaltadas e o transporte público começou a trafegar dentro do bairro. No dia 19 de setembro de 1986 surge o primeiro posto de saúde do bairro. Em 1989, a Prefeitura construiu a primeira escola, Ana Maria Souza Barros.
Mesmo com os avanços, Maria lembra que os moradores ainda convivem com a dura realidade de um bairro com muitas carências, entre elas falta de áreas de lazer, linhas de ônibus, segurança, casas de saúde, e água. “Conquistamos muitos benefícios para o bairro, mas o local ainda é muito carente”, afirmou. A missionária revelou que o grande sonho da comunidade é resgatar as crianças e adolescentes da ociosidade e marginalidade.
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