24 de novembro de 2011 - atualizado as 10:54

Moradores reclamam de atendimento em Unidades de Saúde no Monte das Oliveiras

As Unidades Básicas de Saúde da Família não conseguem atender a demanda do bairro

Layanna Franco- portalamazonia@redeamazonica.com.br
Foto: Layanna Franco/ Portal Amazônia

MANAUS- A dona de Casa Elaíze Ferreira ,40, tenta marcar uma consulta na Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF), localizada no bairro Monte das Oliveiras, zona Norte de Manaus,  para o filho Guilherme Ferreira há um mês, mas não consegue. O estudante Luiz Felipe de Souza, 29, sofre com problemas na visão e também tenta se consultar na unidade durante o mesmo período. Na série Fala Comunidade desta semana, os moradores apontaram os serviços de atenção à Saúde como a principal deficiência do bairro.

As UBSFs não conseguem atender a demanda do bairro.  A Unidade de número 26, localizada na Avenida Preciosa registrou o maior número de reclamações. A doméstica Claudete Silva da Costa, 53, precisa ir até o Galiléia para tentar se consultar. “Até mesmo marcar uma consulta é inviável, nesta unidade de saúde”, disse a doméstica indignada. Claudete mora há quatro anos no bairro. Ela ficou esperançosa com a construção da unidade no lugar das chamadas casinhas de saúde, mas se disse decepcionada com o serviço.

Segundo o comerciante Francisco da Silva Campos, há apenas um médico e duas enfermeiras para atender todos os moradores do bairro Monte das Oliveiras. “Sempre que preciso me consultar ou levar meus filhos ao médico me desloco para outros bairros”, reclamou Francisco. A maioria dos moradores entrevistados confessaram que já desistiram várias vezes de tentar atendimento, devido a demora, ou porque precisam ir até outro bairro para se consultar.

“Estou desacreditado com a Saúde Pública, ainda mais aqui no nosso bairro”, lamentou o agente de construção, Eliomar Pereira Neto, 48. A operadora de linha Maria das Graças Cunha já esperou até dois meses e não conseguiu ser atendida. Ela disse que precisou economizar vários meses de salário e deixar de pagar contas para levar o filho para receber atendimento no serviço de clínicas conveniadas.

“Pago meus impostos corretamente, mas parece que o Governo acha que o serviço público é um favor que eles prestam à comunidade”, disse Maria, indignada. A sensação de abandono e esquecimento do bairro por parte da Prefeitura também levam os moradores a desacreditarem nas ações do Poder Público. “Quem tenta marcar qualquer consulta na Unidade, sabe que vai precisar ter paciência”, ironizou a cozinheira Vera Lúcia da Rocha. Ela enfatizou que a Saúde é só uma das deficiências dos serviços públicos fornecidos no bairro.

Outro lado

A Direção da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), responsável pela Zona Norte da Cidade, informou que cinco Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) funcionam no bairro Monte das Oliveiras: a N-22, localizada na rua Ulisses Guimarães, comunidade Florestal; N-23, na rua Ururi;  N- 25, na rua 02, comunidade Monte Pascoal; N-26, na avenida Preciosa e N-27, na rua Feliciano, comunidade Monte Pascoal.

Além destas UBSFs, os moradores ainda podem contar com o serviço da Policlínica José Antonio da Silva para atendimentos nas especialidades de clínica-geral, pediatria, ginecologia, ortopedia, otorrinolaringologia, fisioterapia, oftalmologia e cardiologia.

Das cinco UBSFs instaladas no Monte das Oliveiras, três – a N-22; a N-26 e a N-27 – funcionam no novo padrão de 130m², que permite, segundo a pasta, oferecer um número maior de serviços à população e substituir as “Casinhas de Saúde”, de 32m².Segundo a Semsa, as cinco unidades de saúde do bairro estão com equipes de atendimento completas.

No caso das unidades que ainda estão no padrão de 32m², a equipe de atendimento é formada por um médico, um enfermeiro e agentes comunitários de saúde. Nas novas unidades, além destes profissionais, as equipes têm o reforço de dentistas, técnicos de higiene dental, auxiliar de serviços gerais, auxiliar administrativo e agente de endemias.

Projeto Saúde da Família

Conforme explicou a assessoria de comunicação da SEMSA, o Ministério da Saúde define que cada equipe multidisciplinar da Estratégia Saúde da Família é responsável pelo acompanhamento de um número definido de usuários – entre 4,5 mil e 5 mil pessoas –, que vive em uma área geográfica delimitada.

De acordo com a Direção do Distrito de Saúde Norte, quando um usuário que não faz parte da área de cobertura procura os serviços de UBSF, deve receber um primeiro atendimento, mas será encaminhado para a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, para dar prosseguimento ao acompanhamento médico.

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