MANAUS - Há 20 anos, o açougueiro Vanir Luiz de Souza, 41 anos, sobe as longas escadas improvisadas do Beco Inocência, localizada na rua de mesmo nome para ir ao trabalho, comprar pão, depositar o lixo ou quando precisa fazer compras no mercadinho. Em períodos de chuva, Souza constrói a chama “maromba”, espécie de assoalho que serve para proteger os móveis contra a invasão da chuva.
Em cima das marombas, o açougueiro anda agachado. Atividades simples do dia- dia, como varrer ou limpar a casa requer esforço físico, um verdadeiro exercício de contorcionismo. “A água costuma atingir até um metro de altura nas épocas de cheia do rio”, contou. Rotina igual vive a feirante Juliane Martins, 30, que mora no Beco desde que nasceu. Juliane trabalha na feira da Panair e acorda cedo, todos os dias, para enfrentar a maratona de degraus quase intermináveis do Beco Inocência para chegar à feira.
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As histórias acima descritas são apenas alguns dos exemplos que caracterizam o bairro do Educandos, localizado na Zona Sul de Manaus, cenário da série Fala Comunidade desta semana. O bairro se divide em duas realidades sociopolíticas distintas: A parte desenvolvida com comércios, bancos, supermercados na Avenida Leopoldo Peres e a parte próxima ao igarapé na Rua Inocência.
Além das alagações, o odor, excesso de lixo e água não tratada são alguns das deficiências do local relatadas pelos moradores da área. A dona de casa Raimunda Coelho,45, há 30 anos mora na Rua Inocência e convive em condições precárias de higiene, assim como Josefa Garcia, 48, que não aguenta mais conviver com a sujeira e saraivada de urubus que diariamente pousam no local.
Cansados da sujeira e das condições insalubres em que estão expostos, os moradores do beco procuraram o poder público para pedir alguma solução. Segundo Juliane, o Governo prometeu fazer uma etapa das obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapé de Manaus (Prosamim) para retirar os moradores da área de risco.
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A promessa do Prosamim também têm impulsionado as pessoas a invadirem a área do Beco Inocência. Homens e mulheres arriscam as vidas ao construírem casas cada vez mais próximas ao igarapé. A Defesa Civil Municipal alertou para o risco de deslizamento na área. Segundo o órgão, as constantes invasões aumentam o risco, já que o solo fica cada vez mais vulnerável.
A assessoria de comunicação do Prosamim informou que uma equipe do Governo esteve no local para fazer um estudo na área e cadastrou a maioria dos moradores. A assessoria explicou que o levantamento é apenas para investigar a situação da área, mas não significa a inserção do local no cronograma de obras do projeto.
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