24 de dezembro de 2011 - atualizado as 11:10

Fábrica pioneira de juta beneficia 5,5 mil trabalhadores em Manaus

A história da indústria marca a consolidação e o desenvolvimento do bairro Presidente Vargas, em Manaus.

Layanna Franco - portalamazonia@redeamazonica.com.br

MANAUS- Produtos agrícolas como a juta, malva e guaraná cultivados no Amazonas ganham destaque no cenário nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2010, a produção de juta no Estado corresponde a 97% da produção nacional. Apesar do mercado expressivo no Amazonas em relação ao restante do País, só este ano o produto ganhou espaço com a instalação de uma empresa no Polo Industrial de Manaus (PIM). Mesmo assim, iniciativas pioneiras na capital já estão em atividade para fabricação de produtos a partir da matéria-prima dos cultivares.

Foto linha de producao- Empresa Jutal - Foto: Layanna Franco/ Portal Amazônia

Entre as fábricas já instaladas na capital, está a JUTAL, localizada no bairro Presidente Vargas, zona centro-oeste, cenário da série Fala Comunidade desta semana. A empresa foi inaugurada ainda na década de 1970, sendo a primeira a produzir materiais a partir da juta na cidade. Atualmente, produz cerca de 300 tonelas de sacos de juta por mês e gera cerca de 500 empregos diretos e cinco mil indiretos, número reduzido para 400 postos de trabalho formais em período de entre-safra. A matéria-prima da produção de sacolas vem de municípios do Alto Rio Solimões, como Manacapuru, Codájas, Anori, Anamã e Coari.

Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo estão entre os principais mercados para a exportação dos produtos cultivados na Amazônia. No Polo Industrial de Manaus, a produção ganhou destaque com a instalação da Brás Juta, no último dia 9 de novembro. Com investimentos de R$ 30 milhões, a iniciativa visa retomar a indústria de fibras no Estado, reduzindo as importações brasileiras do produto da Índia e intensificando o beneficiamento da juta, além de gerar de cerca de 600 empregos diretos. Enquanto isso, na JUTAL, os postos de trabalho já garantem renda fixa para os funcionários.

Linha de Produção - Fábrica Jutal- Foto: Layanna Franco/ Portal Amazônia

Este é o caso de Maria Viana, 38 anos. Trabalhando como diarista há sete anos, ela encontrou a oportunidade de um emprego formal, com direito a carteira assinada.  Ela agora atua na linha de produção da fábrica. “A empresa de juta foi o meu primeiro trabalho regularizado”, contou. Para ela, os benefícios do trabalho formal, como transporte, refeição e convênio médico, são imprescindíveis. Maria afirmou que não teria condições de pagar um plano de saúde, por exemplo, com o salário de doméstica. Outro fator importante que a motivou a trabalhar na empresa é a proximidade da fábrica de sua casa. Maria mora há 20 anos no bairro Presidente Vargas.

Valorização

Para o economista Luiz Fernando, 48, a fabricação de juta abre portas para a valorização de produtos regionais na Economia, além de representar uma atividade sustentável. A fabricação do produto, segundo ele, garante o sustento de famílias que dependem da agricultura para sobreviver em municípios do interior do Estado. Com a certificação de empresas no PIM estima-se que a produção cresça ainda mais. A produção de juta também beneficiará principalmente os agricultores dos municípios de Manacapuru, Codajás , Anori, Anamã. “Os pequenos produtores dos municípios do Solimões vão ter um estímulo para continuar a agricultura de produção de juta com as novas empresas que se instalaram no PIM”, disse o economista.

Linha de finalização das sacolas de Juta- Foto: Layanna Franco/ Portal Amazônia

A juta é usada na produção de telas, cordas, oleados, lonas, sacos, forração de tapetes e, em combinação com outros têxteis, na confecção de veludo, assim como em cortinas, entretelas, solas de alpercatas, reforços de capas de livros. Chegou no Brasil em 1920 vinda do continente asiático.

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