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24/03/2012 às 14:52

Bairro de Santo Agostinho em Manaus

Localizado na Zona Oeste, o bairro surgiu em 1970 com a ocupação de famílias. Até então o local era mata fechada.

edificios_em_construcao_manaus

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MANAUS - O Santo Agostinho em Manaus, localizado na zona Oeste conta com uma população de 20 mil habitantes. O bairro surgiu em 1970 com a ocupação de seis famílias. Até então, o local era mata fechada. Posteriormente, chegaram as pessoas retiradas da Cidade Flutuante, habitações construídas em palafitas no rio Negro, desocupada por ordem governamental.

Possuindo uma superfície de 209 hectares, o bairro está localizado entre os bairros da Compensa, Nova Esperança, Lírio do Vale e Ponta Negra, e possui ainda uma pequena faixa de orla fluvial do rio Negro.

Atualmente está em franco desenvolvimento imobiliário, mas ainda sofre com problemas de infraestrutura. Saiba mais nos vídeos:

Conheça a história do bairro no vídeo do programa “Nosso bairro”, com apresentação de Elias Emmanoel, no canal Amazon Sat:

Vídeo História do Bairro :

Santo Agostinho, bairro de Manaus

Na década de 70 a cidade teve mais um surto de migrações, tanto de pessoas do interior, quanto das regiões Norte e Nordeste, em busca de melhores condições de vida proporcionada pelo advento da Zona Franca, criada em 1967. Essas pessoas tinham que desbravar a cidade, pois existiam áreas devolutas, compostas em sua maior parte por mata espessa, formando assim, as primeiras invasões, ou ocupações na cidade.

Com o Santo Agostinho não foi diferente. Localizado na Zona Oeste, o bairro surgiu em 1970 com a ocupação de seis famílias na área que até então era mata fechada, posteriormente, chegaram as pessoas retiradas da Cidade Flutuante.

Segundo o seu Manoel da Rocha Pena, 57, que chegou no bairro três anos depois da invasão das terras, o lugar foi sendo logo modificado, só tinha a Estrada da Ponta Negra, que ainda era mão única. A pedido de sua mãe antes de morrer, seu Manoel levantou a capela de Santo Agostinho em alvenaria, em 1978, juntamente com a comunidade. Quase tudo no bairro foi conquistado pelos moradores em mutirão.

Na igreja passou a funcionar a Escolinha de Santo Agostinho até 1983, quando foi feita outra escola de madeira ao lado, onde está até hoje, porém de alvenaria. Segundo a senhora Maria de Nazaré Pinho, 56, que mora há quase 30 anos no bairro, só tinha mato. Desde 1978 também, funcionava uma “boca de ferro” na igreja de Santo Agostinho, contudo, depois de desentendimentos entre seu Manoel e alguns líderes da igreja ele levou a “voz”, como é conhecido o alto falante, para sua casa em 1992, onde está até hoje.

Em 3 de Julho de 1979, no governo estadual e municipal de Lindoso e José Fernandes, foram inauguradas as primeiras ruas asfaltadas, com telefone, água encanada e luz elétrica. Antes a encanação era vinda de um quartel da Ponta Negra e a iluminação era de velas. Os ônibus só circulavam na Estrada da Ponta Negra na época. Tudo ia bem, até aparecer o proprietário das terras, Dr. Flaviano Guimarães, com a ordem de despejo para tomar parte do bairro. Foi aí então que a população se revoltou e se concentrou na frente do palácio do governo para forçar alguma providência do governador Arthur Reis, mas foram recebidos pelo vice João Bosco. Este mandou chamar Flaviano, que retirou a ordem.

No governo de Gilberto Mestrinho, em 1982, as terras foram loteadas e as posses foram distribuídas para as pessoas que já moravam no bairro, mas tinham que pagar uma certa quantia para a SUHAB, Superintendência de Habitação. Porém, o governo não deu os títulos dos terrenos, que foram distribuídos este ano na gestão de Eduardo Braga, somente para os moradores que tinham quitado suas prestações.

Também em 1982, foi criado o Conselho de Comunitários do Bairro e promovida a primeira eleição, na segunda, em 1983, seu Manoel da Rocha venceu eleição de quase 1000 votos a 35 de seu adversário, permanecendo no cargo até 1992, quando desentendimentos o afastou da comunidade. Ponte ligando à avenida Brasil Os moradores sentiam a necessidade de uma ponte que ligasse o bairro à Avenida Brasil, pois quando chovia ou na época de cheia, as pessoas eram obrigadas a atravessar o igarapé a nado para trabalhar. Então, em 1983 foi inaugurada uma ponte, depois de uma briga com um morador, pois a ponte iria passar perto de seu banheiro.

Esse morador foi avisado com antecedência e nada falou, no dia da construção da ponte, ele chamou a polícia, mas quem acabou sendo preso foi ele mesmo, e a ponte está no mesmo lugar desde lá. A Escolinha do Santo Agostinho se transformou em Escola Municipal Santo Agostinho, como é hoje, depois de um mutirão organizado pela comunidade e com a doação do material de construção pela prefeitura de Manaus, na gestão de Alfredo Nascimento. Espaço em transformação A partir do ano 2000, o bairro passa por transformações consideráveis, como a construção da Escola Estadual Eliana Lúcia, o que segundo a senhora Maria de Nazaré Pinho, 56, foi a última conquista da comunidade.

O bairro tem associação, mas essa não tem representatividade junto aos moradores. Faz parte também das transformações desse período o condomínio Villa Verde, que no início só tinha algumas casinhas, e agora abriga mais de mil famílias de classe média, o que possibilitou uma explosão imobiliária no Santo Agostinho, atraindo novos projetos residenciais, que também possui um comércio pulverizado nas suas principais vias.

Esse bairro, que há pouco tempo comportava somente casas populares, hoje conta com lojas, postos de gasolina, conjuntos residenciais, casas de shows, e até com uma academia de tênis. Esta nova realidade urbana atraiu também empresas para o bairro, como o Shopping Santo Agostinho, que inaugurou este ano, ao lado do Condomínio villa Verde, com capacidade para 41 lojas e perspectiva de gerar mais de cem empregos diretos. Atualmente, o bairro que teve sua origem com trabalhadores vindos para a Zona Franca, atrai cada vez mais famílias de classe média, formada principalmente por servidores públicos, gerentes de fábricas do Distrito Industrial e profissionais liberais.

Segundo o último Censo do IBGE, feito em 2000, o Santo Agostinho apresentava uma renda média mensal de R$ 638,20, o que faz desses moradores, consumidores potenciais para uma demanda de serviço que ainda é carente na comunidade, pouco servida por empreendimentos empresariais. O bairro passa hoje por uma valorização imobiliária intensa puxada por processo semelhante que vem ocorrendo no bairro vizinho da Ponta Negra, além da construção da Ponte Rio Negro, empreendimento que mudou a infraestrutura de toda a região.

Possuindo uma superfície de 209 hectares, com população estimada em aproximadamente 20 mil habitantes, o bairro está localizado entre os bairros da Compensa, Nova Esperança, Lírio do Vale e Ponta Negra, e possui ainda uma pequena faixa de orla fluvial do rio Negro.

 

 

 

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