MANAUS – Um dos bairros mais tradicionais de Manaus, o Tarumã é uma mistura de tradição e modernidade, de boas lembranças e tristes realidades. Atualmente, a questão ambiental é uma das maiores polêmicas que envolvem a área.
De acordo com Mário Ypiranga Monteiro, o local era habitado por índios aruaque alófila até a chegada de uma tropa de resgate: esta fincou uma cruz jesuítica e batizou o local com o nome de Missão do Tarumã. Faziam parte dessa expedição o Frei Theodoro e o militar Pedro da Costa Favela – este apontado por historiadores como o mais famoso matador de índios da história do Amazonas.
A tropa fundou o primeiro núcleo cristão no Vale do Rio Negro. Um segundo grupo de resgate voltou para continuar com a colonização e dar início à extração de drogas do sertão, rebatizando o local de Arraial do Tarumã. Este nome vem sendo usado ao longo dos séculos e faz referência ao rio Tarumã, que desemboca na margem esquerda do rio Negro.
A área fornecia pedras, areia, carvão e barro para auxiliar o surto de urbanização da cidade. A exploração desses recursos aos poucos destruiu as belezas naturais da comunidade. Nos últimos 20 anos, quando o bairro começou a ser invadido, o local ficou conhecido por seus balneários. Moradores próximos e famílias de toda a cidade passavam os finais de semana a banhar-se nas cachoeiras.
O Campos Salles, uma das primeiras áreas invadidas na região, é uma das mais antigas comunidades do Tarumã. Os primeiros moradores chegaram no fim da década de 1990, como a pensionista Iracema Alves. Ela veio de Manacapuru em busca de uma vida melhor. Ainda sem recursos para viver em Manaus, resolveu morar ali.
O também pensionista Dorval Martins lembrou que a área escolhida era cercada de lama e mato. “Demorou para chegar aqui a água encanada, a luz elétrica e o asfalto. Foram pelo menos seis anos para vermos o desenvolvimento”, assinalou.
Alguns problemas continuam
O local está na mira da expansão imobiliária. Os novos imóveis – alguns condomínios residenciais de luxo – acabam por degradar o meio ambiente. “Parte do território do bairro está dentro de proteção ambiental do Tarumã. Mas temos outros problemas, como ausências de unidades de saúde e de escolas, por exemplo”, afirmou o presidente da Associação Comunitária do Campos Sales, Carlos Araújo.
Quando o assunto é prática de esporte e áreas de lazer, a situação também é difícil: os poucos espaços direcionados são particulares – estão dentro dos condomínios de luxo e dos grandes terrenos. “Como não temos espaços específicos, nossas crianças acabam por brincar na rua. É uma preocupação a mais por conta dos carros e pelo aumento das linhas dos ônibus”, ressaltou o líder comunitário do Parque Solimões, Aldemar Oliveira.
Avenida do Turismo
Quando enfim havia infraestrutura, o comércio explodiu na região. Restaurantes, bares, mercados, drogarias e hortifruti foram alguns dos empreendimentos que se instalaram no local. O Tarumã também é lembrado pela Avenida do Turismo, famosa pelas boates e bares em toda a sua extensão. De adegas requintadas ao forró pé de serra, os turistas aproveitam para conhecer a vida noturna da capital. “Não esperava tanto fervor em Manaus. É a primeira vez que venho de férias e gostei muito do que vivi”, disse o advogado Thiago Chavez.
União requer área ocupada por moradores e doada à Aeronáutica pela Prefeitura.
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