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30 de janeiro de 2012 - atualizado as 10:49
Saúde
Amazonas

Doença de Chagas atinge pessoas entre 41 e 60 anos

O objetivo do estudo é verificar a dinâmica de transmissão da infecção, índices e riscos da doença no Estado.

Portal Amazônia, com informações da Fapeam.

Foto: Dvulgação/PR

MANAUS- Estudo realizado pela Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-DHVD), sobre a epidemiologia da Doença de Chagas (causada pelo Trypanosoma cruzi), em Manaus, identificou que a maioria dos casos atinge pessoas entre 41 e 60 anos (468); em sua maioria agricultores (568), que moram em casas de madeira (1473).  O objetivo do estudo é verificar a dinâmica de transmissão da infecção por meio das relações entre os vetores e reservatórios silvestres, índices de infecção e riscos de transmissão aos animais domésticos e ao homem.

O levantamento, desenvolvido através do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), foi realizado na área rural e periurbana da capital. A pesquisa contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). Os trabalhos iniciaram em 2010 e a previsão é de que sejam concluídos em 2012, quando serão realizadas as análises sobre as possíveis alterações cardíacas e gástricas causadas pela doença nos pacientes contaminados.

Coordenado pela doutora em Entomologia, Maria das Graças Vale Barbosa (FMT-DHVD), o levantamento ouviu 1638 pessoas. Desse total, 1607 eram da área rural e 31 da periurbana. Ela explicou que a pesquisa possibilitou o conhecimento da circulação da doença na região e contribuiu para traçar planos de políticas públicas para evitar endemias.

“O Amazonas tem riscos potenciais de endemicididade da doença de Chagas, principalmente, considerando-se três fatores: o primeiro é a ação antrópica (relativo às modificações do homem no meio ambiente), como as condições geradas pelo desmatamento, por exemplo, animais que deixam seu habitat aumentam o risco de domiciliação dos triatomíneos – insetos hematófagos, que se alimentam de sangue. O segundo é a intensa migração de pessoas de áreas endêmicas, carregando parasitas e vetores já adaptados. Terceiro, a luz das moradias próxima das florestas pode atrair os vetores, que acidentalmente tornam-se transmissores do T. cruzi, além de casos agudos por transmissão oral”, destacou.

Quanto à transmissão oral, Barbosa disse que no ciclo silvestre é usual entre os mamíferos que ingerem triatomíneos ou a carne de mamíferos infectados. Em relação ao homem, a partir da última década vários casos têm sido descritos na Amazônia brasileira. A pesquisadora lembrou que grande parte destes casos estava atribuída à ingestão de sucos contaminados com a forma infectante do T. cruzi, oriunda de triatomíneos infectados.

Conforme a pesquisadora, apesar do resultado ter demonstrado que a maioria dos entrevistados é de agricultores, o resultado era esperado quando se faz um trabalho em área rural. “A importância maior é para registro de pessoas reativas nos testes sorológicos, pois serão consideradas chagásicas. Nesse caso, muito provavelmente não tinham conhecimento dessa informação e não têm ideia de quando adquiriram a doença. Também ainda não há dados sobre a contribuição ou não das casas de madeira para a transmissão da doença”, informou.

O problema é que o risco de transmissão do T. cruzi ao homem ocorre, segundo Barbosa, porque ele (o homem) entra ou mora na floresta, derruba árvores afugentando os animais, que são a fonte de alimentos dos vetores. Na ausência da fonte de alimento, o homem passa a ser a fonte de alimento dos vetores.

Ciclo de Vida

O ciclo de vida do protozoário ocorre em animais invertebrados (insetos) e vertebrados (mamíferos). Na Amazônia, dá-se no ambiente silvestre. A relação é estabelecida quando o vetor busca alimento. O triatomíneo infectado, ao sugar o sangue, deposita suas fezes contendo formas tripomastigotas metacíclicas normalmente perto do local da picada. Essas formas penetram por uma solução de continuidade na pele ou através das mucosas.

Caso no Norte

Conforme dados do Ministério da Saúde, de 2005 a 2009, foram registrados 454 casos da doença de Chagas no Brasil. A Região Norte concentrou o maior número – 389 casos (85,7%). Logo após, ficaram as regiões Nordeste: 37 (8,1%); Sul 24 (5,3%); Sudeste 3 (0,7%); e Centro-Oeste 1 (0,2%).

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