MANAUS - A incidência da hanseníase em crianças e adolescentes é um alerta de que a doença persiste e sinaliza falha na detecção de novos casos entre adultos. Na Amazônia, esse indicador deixa em alerta quatro estados: Tocantins, Mato Grosso, Maranhão e Pará. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em todas essas Unidades Federativas, a incidência da doença entre menores de 15 anos está bem acima da média nacional.
Em 2011, existiam 4,77 casos em menores de 15 anos por grupo de 100 mil habitantes. Em Tocantins, a taxa é de 20,86 casos por grupo de 100 mil habitantes dessa faixa etária. Em seguida, aparecem Mato Grosso (17,96), o Maranhão (17,21), Pará (16,9) e Pernambuco (11,96).
Para controlar a doença na infância, o ministério quer estimular as secretarias de Saúde dos estados e municípios a fazer uma busca ativa, ou seja, encontrar pessoas com sintomas que ainda não procuraram atendimento médico. Uma das ideias, segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, é fazer uma triagem nas escolas e nas casas dos estudantes.
No ano passado, 30.298 casos novos foram registrados no país. Do total, 2.192 notificados na população menor de 15 anos de idade, uma queda de 11% em comparação a 2010 (2.461). Dados da pasta mostram redução de 15% nos casos novos totais, de 2010 a 2011.
A doença
A hanseníase é transmitida no contato entre as pessoas. Os primeiros sinais da doença são manchas brancas e avermelhadas no corpo, que ficam dormentes e sem sensibilidade ao calor, frio ou toque. A doença afeta a pele e os nervos dos braços, mãos, pés, pernas, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas demora de dois a cinco anos.
A hanseníase tem cura e o doente deixa de transmiti-la a outros assim que começa a se tratar. Disponível na rede pública, o tratamento dura de seis meses a um ano e consiste em um coquetel de comprimidos diários. O paciente pode tomá-los em casa e ir ao médico somente uma vez por mês para acompanhamento.
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