04 de agosto de 2012 - atualizado as 10:09

Amazônia registra mais de sete mil focos de incêndio até julho

Os dias mais quentes e a baixa umidade estão previstas com maior intensidade no sul do Amazonas, Pará e Mato Grosso.

Juçara Menezes - jornalismo@portalamazonia.com
Foto: Bruno Lopes/Arquivo/Portal Amazônia

Foto: Bruno Lopes/Arquivo/Portal Amazônia

MANAUS - As regiões do bioma Amazônia concentraram 21,5% dos focos de incêndio em todo o País, de acordo com pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A porcentagem chega a pouco mais de sete mil ocorrências, entre os meses de janeiro e julho deste ano. O registro de focos de incêndio no Brasil aumentou 61%, em comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 20,2 mil ocorrências.

O metereologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Lucas Mendes, disse que o verão amazônico é a época mais propícia a incêndios e queimadas, devido ao tempo seco e ausência de chuvas. Os dias mais quentes e a baixa umidade estão previstas com maior intensidade no sul do Amazonas, Pará e Mato Grosso.

“Quando há focos de incêndio, a fumaça fica espessa e pode atingir outros estados, ou seja, as queimadas não vêm necessariamente da cidade e sim por transporte de ar (vento). Além disso, a sensação térmica à sombra pode chegar a 35ºC. Com as ilhas de calor, é provável que o Centro de Manaus fique mais quente até setembro, quando reinicia o período chuvoso”, explicou.

O coordenador do Monitoramento de Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, explicou que, este ano, as condições climáticas estão mais propícias aos incêndios, diferentemente de 2011, cujo cenário foi mais úmido. No ano passado, o monitoramento de incêndios revelou um decréscimo de 56% das ocorrências em relação aos registros de 2010. “O ano passado foi chuvoso. Mas, normalmente, neste período do ano, algumas regiões do Brasil Central ficam até três meses sem chuva e isso favorece a propagação do fogo. Algumas regiões de Mato Grosso e do Tocantins já estão há 30 dias sem chuvas”, explicou Setzer.

Setzer acrescentou a falta de fiscalização como fator responsável pelo aumento das queimadas no país. “As leis são boas e está tudo bom no papel, mas, na realidade, há milhares de focos e ninguém está monitorando”. Para ele, a receita para inverter a situação das queimadas nesta época do ano é uma “dobradinha educação-fiscalização. A única forma de prevenir [os incêndios] é as pessoas não usarem o fogo. A origem do fogo é claríssima. Não há dúvida que é a ação humana”.

Incêndios florestais

A deficiência da fiscalização, associada aos efeitos do clima e aos aspectos econômicos, vem agravando ainda mais o cenário de incêndios nos biomas brasileiros este ano, avaliou hoje (3) o coordenador do Monitoramento de Queimadas do Inpe, Alberto Setzer. “Todas as queimadas são proibidas. Alguns estados têm leis mais rígidas em relação ao problema, como o Acre e Mato Grosso. Ainda assim, Mato Grosso está cheio de focos de incêndio, o que indica que a fiscalização não está ocorrendo como deveria. Quando a fiscalização é mais efetiva, os registros de queimadas caem”, disse Setzer, lembrando que a fiscalização pode ser atribuição da União, dos estados ou do município.

O pesquisador do Inpe descreve a situação como “um estado de desobediência civil”. Segundo ele, as leis ambientais são claras e completas, mas não são cumpridas na prática. “Assim como aconteceu na Amazônia com o desmatamento, onde mais de 90% do desmatamento da região foram ilegais. Tem que ter a dobradinha educação com fiscalização”, defendeu.

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