MANAUS – Na última sexta-feira (10), o pesquisador da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), José Manuel Vieira Fragoso, palestrou sobre o monitoramento ambiental em larga escala com envolvimento local e indígena para avaliar mudanças na Amazônia. O encontro aconteceu no auditório da sede do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Brasília.
A pesquisa liderada por Fragoso implementou um sistema de monitoramento da biodiversidade em florestas tropicais na América do Sul. O estudo envolveu populações tradicionais em Roraima e na Guiana Inglesa.
Na palestra, Fragoso ressaltou a importância da colaboração das comunidades indígenas. “Todos os dados do monitoramento foram coletados por técnicos indígenas, selecionados e treinados no local da pesquisa. A única forma de descobrir esse pedaço da Amazônia é trabalhando com os índios”, frisou.
O pesquisador também abordou aspectos da influência da religião nos povos indígenas e no meio ambiente, a relação da caça e o valor da espiritualidade. A coleta das informações e o sistema de verificação foram adaptados para práticas que levassem em conta fatores culturais. O pesquisador propôs protocolos e melhorias na metodologia para orientar futuras pesquisas e monitoramentos em larga escala.
Para Fragoso, a abordagem participativa pode ser usada em áreas protegidas para beneficiar comunidades locais e gerar dados de alta qualidade, cientificamente rigorosos para apoiar a definição de políticas públicas. Segundo ele, em áreas rurais e remotas do mundo, a grande quantidade de dados ambientais necessários para detectar mudanças em níveis globais e locais, provavelmente, só serão coletados por meio da colaboração com comunidades locais.
Com duração de três anos, o estudo começou em 2005. No período, foram percorridos 43.122 quilômetros em transecções, realizados 84.028 registros de sinais de animais, 48 mil avistamentos de 267 espécies.
A palestra foi promovida pela Coordenação Geral de Pesquisa e Monitoramento do ICMBio, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Agência Alemã de Cooperação para o Desenvolvimento (GIZ), no âmbito do Projeto Monitoramento da Biodiversidade in situ com relevância para o clima.
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