09 de fevereiro de 2012 - atualizado as 14:24
Meio Ambiente
Amazônia

Brasileiro é eleito “Herói da Floresta” em prêmio da ONU

Ambientalista Paulo Adario, do Greenpeace, atua na defesa da Amazônia

Agência O Globo
Paulo Adario receberá o prêmio na ONU Isabelle Rouvillois/Greenpeace

Paulo Adario receberá o prêmio na ONU Isabelle Rouvillois/Greenpeace

RIO - A defesa da Amazônia levou o ambientalista Paulo Adario, da ONG Greenpeace, a ser eleito pela ONU o “herói da floresta” da América Latina e Caribe. Em sua primeira edição, o prêmio será entregue hoje em Nova York encerrando o Ano Internacional das Florestas, referente a 2011. Haverá, ainda, a homenagem póstuma a Maria e José Cláudio da Silva, assassinados por pistoleiros, no último 22 de novembro, no Pará. O casal denunciou a extração ilegal de madeira para produção de carvão e criação de áreas de pasto.

Ameaças e assassinatos são vilões não raros nas lutas ambientais. O caso mais emblemático envolveu o líder seringueiro Chico Mendes, morto em Xapuri no dia 22 de dezembro de 1988. Paulo Adario não ficou livre do problema. Em 2000, apenas dois anos depois de ir morar em Manaus, na Amazônia, recebeu ameaças por telefone.

Sua atuação na defesa da floresta, incluindo a preservação do mogno (Swietenea macrophylla), também chamado de ouro verde na Campanha Amazônia do Greenpeace, contrariou interesses de madeireiras. Mais do que atuar contra cada crime ambiental, procurou desmantelar todo o mercado ilegal que financiava o corte das árvores. Para isto, não trabalhou sozinho. O escritório da ONG consegue fazer circular informações e denúncias, além de contar com contribuições internacionais.

— Na Amazônia tem gente morrendo, há muita história de violência. Lá, todo dia nasce um herói. São pessoas que vivem com dificuldade na floresta — disse Paulo Adario, em Nova York. — O legal é o reconhecimento pela ONU que as florestas estão em risco.

Entre 90 indicados ao prêmio, a Organização das Nações Unidas escolheu 15 finalistas, sendo que três para cada continente. Os outros dois concorrentes ao prêmio da América Latina e Caribe são o jornalista brasileiro Felipe Milanez e a educadora ambiental do Equador Monica Hinojosa.

Carioca de 62 anos, que se diz exilado na Amazônia, Pedro Adario é jornalista, com passagem pelo GLOBO e “Jornal do Brasil”. Foi líder estudantil, preso político e, às vésperas da Rio 92, começou seu trabalho no Greenpeace. Agora, não perderá a oportunidade, em Nova York, de chamar a atenção para os problemas na Amazônia. Apesar de reconhecer que os índices de desmatamento estão caindo, diz que é necessário zerar a perda de área florestal.

— Vou fazer um alerta sobre o risco da Amazônia, em particular em relação ao novo Código Florestal. O Congresso sofre forte pressão do setor rural, que ainda não acordou para a modernidade. Há uma preocupação grande com um retrocesso na véspera da Rio+20. A (presidente) Dilma precisa escolher qual Brasil vamos ter. Podemos ser a primeira potência econômica sem destruir suas florestas e, ao mesmo tempo, fornecer os produtos que a população do mundo precisa.

Já o diretor do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento na Amazônia do Ministério do Meio Ambiente Mauro Pires considera o desmatamento zero tão difícil quanto conseguir ter uma cidade sem crimes.

— Viemos de três recordes consecutivos de redução de desmatamento. O que queremos é reduzir drasticamente este índice — afirmou Pires. — Paulo Adario é um dos grandes ambientalistas e um grande defensor da conservação das florestas. O prêmio dá visibilidade à necessidade de combinar a conservação das florestas com os legítimos interesses do desenvolvimento nacional.

Para Sérgio Besserman, economista e assessor da prefeitura para a Rio+20, considera que a premiação da ONU abre portas para o Brasil. De acordo com ele, o desenvolvimento sustentável da floresta, a Amazônia, é o argumento mais forte para levar o país ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

— O prêmio é também um indicativo de que a ocupação e o crescimento econômico a todo custo, com boi e queimada, porque lá moram 20 milhões de pessoas, é uma mentira. Isto levou a região a ter o pior IDH do Brasil e à violência como estamos vendo — ressalta Besserman. O mundo precisa preservar a Amazônia por causa da sua biodiversidade e importância climática. O Brasil, em vez de desmatar, ato que não leva a crescimento algum, pode gerar conhecimento e explorar os recursos da floresta.

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