MANAUS – Há três meses em funcionamento no Polo Industrial de Manaus (PIM), com geração de 3 mil empregos, a empresa beneficiadora de juta e malva BrasJuta começa a colher bons frutos. A produção da empresa já chega perto de 500 toneladas. O bom desempenho atrai a atenção de parlamentares da região. A empresa recebeu hoje a visita do senador Eduardo Braga e de autoridades locais interessados em conhecer detalhes do processo de fabricação e do sucesso do empreendimento.
Com matéria-prima vinda do interior do Amazonas, a maior parte da cooperativa de agricultores de Manacapuru, no interior do Amazonas, a fabrica tem capacidade para produção de 15 toneladas por dia.
Para dar conta da produção, 40 máquinas com tecnologia alemã e chinesa, operadas por 200 funcionários, trabalham na indústria dando origem a sacaria, tecelagem e fiação.
A vantagem da juta e da malva é que os produtos são orgânicos. O processo de fabricação não agride o meio ambiente. Com pouco tempo de atividade, a empresa tem boas projeções. A expectativa de crescimento já chama a atenção das autoridades nos diversos setores da economia do Amazonas.
Assista ao vídeo da inauguração da Brasjuta em Manaus:
A comitiva de políticos e empresários que visitaram a fabrica nesta sexta-feira conheceu todas as etapas da linha de produção. Ao final, numa reunião na sala da diretoria, foram debatidas as formas mais viáveis para incrementar o cultivo das fibras em larga escala.
Um dos desafios do empreendimento é enfrentar a concorrência da Índia e do Paquistão.
Juta
A juta é uma planta de ciclo anual, que chega a alcançar de três a quatro metros de altura. Sua introdução no Brasil, deve-se a uma missão japonesa chefiada por Tsukasa Oyetsuka em 1931. Toda fibra encontra-se entre a casca e o talo. Para extraí-la, depois de colhidos, os feixes de juta são colocados na água e permanecem ali por cerca de dez dias, o que facilita a tarefa. O processo é totalmente manual, empregando centenas de pessoas.
A BrasJuta é uma empresa público-privada, originada da parceria com o grupo do empresário Mário do Nascimento Guerreiro voltada ao processamento e beneficiamento de duas fibras vegetais: a juta e a malva.
BrasilJuta criada em 1951 reinou até a década de 80
O pai do empresário Mário Guerreiro, hoje com 89 anos, foi o criador da Brasiljuta, empresa de processamento da planta, inaugurada com a presença do então presidente Getúlio Vargas em 1951. Naquela época, todo produto agrícola era vendido em sacaria de juta, o que fez da fibra vegetal um dos produtos de maior importância econômica para o Amazonas. Em 1965, a produção atingiu seu ápice: mais de 47 mil toneladas. A juta reinou até a década de 80. Com o aparecimento das sacarias de prolipropileno e ráfia, ela foi perdendo o posto, o que levou à paralisação da Brasiljuta em 1991.
Com o renascimento da empresa em 2011, em parceria com o governo do Amazonas, a BrasJuta aposta nas tendências de produtos ecológicos para agregar valor ao produto. A fábrica tem capacidade de beneficiamento para seis mil toneladas anuais. Toda matéria-prima é comprada de agricultores familiares do interior do Estado.
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