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06 de fevereiro de 2012 - atualizado as 15:17
Economia
Amazonas

Cesta básica desconta quase metade da renda mensal do manauara

Mesmo com a variação, o poder de compra do salário mínimo cresceu na capital amazonense

Juçara Menezes, portalamazonia@redeamazonica.com.br

MANAUS  – No primeiro mês de 2012, o trabalhador manauense separou  45,18% do rendimento mensal somente para o supermercado. Em janeiro, o custo da cesta básica de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) se manteve em R$ 775,56. O resultado representa 1,07% de aumento, se comparado com o mês anterior.

Mesmo com a variação, o poder de compra do salário mínimo cresceu, já que, em dezembro, o consumidor da capital reservou  51,02%  do rendimento mensal para a cesta básica.Segundo a supervisora técnica do escritório regional do Dieese no Amazonas, Alessandra de Moura Cadamuro, o resultado é fruto do reajuste salarial.

“Normalmente, quando a cesta aumenta, o trabalhador tem que gastar mais do mesmo salário para comprar a mesma quantidade de alimentos. Em janeiro, porém, houve o reajuste do mínimo. Com isso, ele ganhou do poder de compra, pois destinou uma menor parte do salário”, explicou a supervisora. De acordo com  Alessandra, enquanto o valor da cesta aumentou 1,07%, o salário mínimo  subiu 14%”.

Refeição

Na avaliação da presidente da Associação das Donas de Casa do Estado do Amazonas (ADCEA), Elisabete Maciel, a variação no valor da cesta interferiu diretamente na refeição básica do manauara. “Temos um índice muito alto. O resultado são as dificuldades de comer os alimentos que devemos, principalmente com relação a verduras. Em outros itens essenciais da cesta básica – tais como arroz, feijão e óleo – também sentimos um aumento considerável”, destacou.

Elisabete destacou o preço da carne bovina. Segundo o Dieese, o aumento deste item foi de 8,56%, no acumulado de 12 meses. Já no acumulado de 38 meses, o produto ficou  23,24% mais caro.

De acordo com o Elisabete, o manauense não tem saída, já que o preço do peixe também aumentou. “Não temos mais o jaraqui do mesmo tamanho de antes, por exemplo. Quando ele chega nos bairros, é pequeno ou já está estragado. O pirarucu virou o bacalhau da Amazônia e ficou caro também. Até as alternativas, como o frango, tiveram o preço elevado”, disse a presidente.

De acordo com Alessandra de Moura Cadamuro, o salário ideal para o amazonense seria de R$ 2.398,82, ou o equivalente a 3,86 vezes o mínimo atual, de R$ 620. O valor leva em consideração os gastos com moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, alimentação e previdência.

Dicas para comprar mais e gastar menos

Elisabete Maciel listou algumas dicas importantes de como economizar na cesta básica. Confira:

1)    O ideal é programar as compras para todo um mês. Para isso, antes de sair de casa, você deve verificar a dispensa (o que tem e o que falta) e se perguntar: tenho este item suficiente para todo o mês? Falta quanto?

2)    Antes de ir para o supermercado, é preciso pesquisar. Alguns mercadinhos de bairro às vezes têm preços mais baratos que nos supermercados. Por estarem próximos de casa, é possível economizar na gasolina também. Além disso, alguns deixam as compras em casa. Se o preço for igual ao do grande mercado, prefira as vendas mais próximas.

3)    Compras em grandes supermercados? Somente quando houver itens em promoção. E cuidado! Compre somente o produto específicos da promoção. Evite comprar outros itens, uma vez que normalmente, os supermercados colocam mercadorias de alto valor ao lado das promoções.

4)    Crie o hábito de comer os produtos regionais, dependendo da safra. O manauara acabou se acostumando a comer batata e cenoura, por exemplo, que não são do Amazonas.

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