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05 de janeiro de 2012 - atualizado as 12:37

Cai preço dos produtos da cesta básica em Manaus, aponta Dieese

Com a redução, a capital amazonense ocupa a 7° colocação dentre as 17 capitais onde é realizada a Pesquisa Nacional da Cesta Básica

Portal Amazônia, com informações da assessoria
Foto: Divulgação

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MANAUS - O custo da cesta básica de Manaus apresentou pequena redução comparativamente ao mês anterior ficando em R$ 255,79 em dezembro de 2011 de acordo com pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Com a redução, a capital amazonense ocupa a 7° colocação dentre as 17 capitais onde é realizada a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, seguindo definições do Decreto-Lei 399, de 30 de abril de 1938.

O preço da cesta básica da cidade, composta por 12 produtos, apresentou redução de -0,98% em relação ao mês de novembro. No mês anterior o conjunto de itens alimentícios essenciais custava R$ 258,32. Em dezembro de 2010 a cesta básica custou R$252,06.

Poder de compra

Comparativamente com novembro de 2011 um trabalhador que ganha um salário mínimo em Manaus comprometeu, em dezembro, 51,02% do rendimento líquido – R$ 501,40, após o desconto de 8% referente à contribuição previdenciária – com a aquisição dos alimentos básicos. Em novembro, o comprometimento foi de 51,52%. O mesmo trabalhador precisou trabalhar 103 horas e 15 minutos para comprar a cesta básica em dezembro.

Em novembro, a jornada exigida era de 104 horas e 17 minutos. Assim, em dezembro, o trabalhador precisou cumprir, na média das 17 capitais pesquisadas, uma jornada de 97 horas e 22 minutos. Em novembro, a mesma aquisição demandava cerca de uma hora a menos, ficando em 96 horas e 13 minutos. Já em dezembro de 2010, o tempo de trabalho necessário correspondia a 98 horas e 11 minutos, também na média das 17 capitais.

A alimentação básica de uma família manauara custa R$ 767,37

O custo da cesta básica para o sustento de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto) foi de R$ 767,37 durante o mês de dezembro. Esse valor equivale a aproximadamente 1,40 vezes o salário mínimo bruto, fixado pelo governo federal em R$ 545,00. No mês anterior, o custo da cesta básica para esta mesma família foi de R$ 774,96.

Salário mínimo necessário é R$ 2.329,35

O DIEESE estima, mensalmente, o valor do salário mínimo necessário para a aquisição da cesta, levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Para este cálculo,
o DIEESE utiliza o custo mais elevado da cesta básica que neste mês foi apurado em São Paulo. Para dezembro, seu valor foi calculado em R$ 2.329,35 – que corresponde a 4,27 vezes o mínimo em vigor, de R$ 545,00. Para novembro, o piso mínimo era estimado em R$ 2.349,26 ou 4,31 vezes o menor valor pago no país, enquanto Em dezembro de 2010, o
mínimo necessário era estimado em R$ 2.227,53, ou seja, 4,37 vezes o piso de então, de R$ 510,00.

Comportamento dos preços

Em dezembro seis produtos apresentaram redução nos preços e cinco apresentaram alta influenciando o custo total da mesma que ficou 0,98% mais barata com relação ao mês de novembro. Um produto apresentou estabilidade em seus preços. O tomate (-7,74%) foi o produto que apresentou a maior redução no mês seguido do leite (-1,14%), do arroz (-1,01%), da manteiga (-1,01%), do açúcar (-1,00%) e da farinha (-0,45%). O feijão (6%) foi  o produto com maior alta no mês seguido da carne (2,09%), do café (3,32%), do óleo (1,03%) e da banana (0,72%). O pão não teve seu preço alterado no mês pesquisado.

O tomate diferentemente do mês anterior apresentou baixa acumulando uma variação anual (10,16%) na análise anual e nos últimos 37 meses (32,87%). O leite continuou apresentando redução neste mês em Manaus. No ano o produto  acumula redução de (-4,07%) e 21,6% mais caro em 37 meses. Como o período de verão é quando há maior produção de leite, caso o clima dê trégua, pode haver estabilidade e até queda no preço nos próximos meses.

O preço do arroz caiu no mês analisado, novamente como o ocorrido no mês anterior. No ano o produto acumula -13,13% e em 37 meses o produto acumula variação negativa de (-22,11%). O cereal tem o mesmo ciclo que o feijão, estando agora mais barato que em 2010. A manteiga segue a mesma tendência do leite e apresenta redução como no mês
anterior. No acumulado de 12 meses apresenta uma variação negativa (-8,57%). O açúcar apresentou novamente redução em Manaus. Porém em 37 meses acumula uma alta de (96,04%).

A farinha no ano acumulou uma redução de (-29,87%), porém no acumulado de 37 meses apresenta alta (7,21%).
O feijão foi o produto que mais apresentou alta em Manaus. No ano apresenta redução (-12,23%). O produto pode ser plantado durante todo o ano, havendo pelo menos três safras, a principal em colheita atualmente, mas que foi prejudicada pelas recentes chuvas e que pode estar influenciando os preços do produto no momento.

A carne bovina está 4,84% mais cara que no início do ano e apresenta alta de 21,05% desde que a pesquisa é realizada em Manaus. As carnes, em geral, têm alta no final do ano devido ao aumento do consumo no período de festas natalinas. Além disso, o clima – com  seca ao longo do ano e fortes chuvas em determinadas regiões provocando o alagamento de
pastagens – prejudicou a engorda do gado.

O café em pó no ano apresenta um acumulado de 28,57% e em 37 meses registra variação de (25,39%). Houve seca nos meses de inverno e as temperaturas baixas prejudicaram a florada, provocando atraso e, consequentemente, prejudicando também a colheita. Além disso, a cotação internacional do produto aumentou devido ao crescimento da
demanda por parte de países asiáticos, uma vez que houve quebra na safra do Vietnã, um grande produtor. Também a variação mensal do café registrou predomínio de alta, comportamento apurado em 14 localidades, entre estas Manaus.
O óleo acumula variação de 15,75% nos preços no ano de 2011 e está 6,91% mais caro no acumulado de 37 meses. Estoques mais reduzidos de soja e demanda expressiva da Índia, onde houve quebra da safra em função de forte calor, e da China contribuíram para o crescimento interno dos preços.

A banana acumula variação negativa de (-1,72%) no ano apesar da alta de 0,72% no mês de dezembro, em 37 meses acumula variação (27,14%) nos preços. O pão não teve seu preço alterado no mês de dezembro. No acumulado de 12 meses apresenta variação de 10% .

Análise acumulada no ano
O comportamento dos preços da cesta básica em 2011 permaneceu praticamente estável ao longo do ano, variando muito pouco como pode ser verificado no gráfico 1. Porém,  os valores verificados são os mais altos desde o início da série. Os produtos que apresentaram maior alta no período em análise foram o açúcar (96,04%), tomate (32,87%) e a banana ( 27,14%). O feijão mesmo com altas em alguns meses de 2011 apresenta no acumulado uma redução de (-19,93%) e o arroz apresentou redução de (-9,47%).

Observando ainda os dados do gráfico, em abril de 2009 a pesquisa da cesta básica registrou o menor valor (R$210,69). O maior valor registrado até o momento na cesta de Manaus foi de R$ 258,32 em novembro de 2011.

Em três capitais, alta da cesta supera 10%, em 2011

Em 2011, três das 17 capitais onde o DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica apresentaram alta acima de 10% no preço do conjunto de produtos alimentícios essenciais. As maiores elevações foram apuradas em Vitória (13,80%), Belo Horizonte (11,75%) e Florianópolis (10,20%). Em Natal, a variação acumulada foi negativa (-3,38%), e pequenos aumentos ocorreram em Manaus (1,48%) e Curitiba (1,91%), como mostra a Tabela 1. Em 2010, as altas foram mais expressivas e 14 capitais registraram aumento acima de 10,0%.

Em dezembro, houve recuo nos preços dos produtos básicos em cinco localidades: Florianópolis (-2,28%), Curitiba (-1,80%), Porto Alegre (-0,99%), Manaus (-0,98%) e Brasília (-0,50%). Nas outras 12 cidades os preços subiram. Os maiores aumentos foram registrados em Goiânia (5,58%), Vitória (4,35%) e Fortaleza (4,25%).

Com a alta de 0,35% verificada em dezembro em São Paulo, a capital paulista superou Porto Alegre e registrou o maior valor para o custo da cesta, que chegou a R$ 277,27. Na capital gaúcha o valor foi de R$ 276,86, enquanto Vitória teve o terceiro maior preço, com R$ 275,39. Aracaju (R$ 182,22), João Pessoa (R$ 204,21) e Salvador (R$ 208,82) registraram os menores valores.

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