30 de janeiro de 2012 - atualizado as 12:33
Ciência e Tecnologia
Amazonas

Pesquisadores monitoram mais de 400 ninhos de jacaré-açu no AM

Ciência ainda conhece poucos aspectos sobre os hábitos reprodutivos da espécie.

Portal Amazônia, com informações do Instituto Mamirauá

MANAUS - O jacaré-açu é o maior predador da América do Sul, podendo atingir mais de cinco metros e pesar uma tonelada. A espécie é abundante em áreas de várzea do Brasil, no entanto, devido à ausência de informações sobre o status das populações ao longo de sua distribuição, é considerada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como dependente de programas de conservação. O jacaré-açu pode ser considerado um ícone da Amazônia, mas a ciência ainda conhece poucos aspectos sobre os hábitos reprodutivos da espécie.

Na Reserva De Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, estado do Amazonas, pesquisadores do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert) monitoraram mais de 400 ninhos de jacaré-açu durante toda a época de reprodução, que ocorre durante a temporada de seca na Amazônia – o trabalho iniciou em outubro do ano passado e está em fase de conclusão. O projeto é desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá, com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Os pesquisadores deram atenção especial a 12 ninhos, localizados em diferentes setores da Reserva. Os ninhos foram acompanhados de perto desde a postura dos ovos até o nascimento dos filhotes. Nesses ninhos, após a eclosão dos filhotes, os cientistas coletaram amostras de sangue, que auxiliarão no estudo de proporção sexual dos jacarés recém-nascidos, avaliando as concentrações de hormônios sexuais; também foram recolhidas amostras de tecido dos filhotes e das fêmeas (mães que cuidavam dos ninhos) para análises de multipaternidade – com o objetivo de confirmar a hipótese de que as fêmeas de jacaré-açu cruzam com vários machos, gerando filhos de diferentes pais em um único ninho.

“Se várias fêmeas estão se reproduzindo com diferentes machos, isso tende a aumentar a variabilidade genética das ninhadas, o que é positivo para a espécie. Quanto maior for a diversidade genética em uma população, ela se manterá mais estável e saudável”, explica o biólogo Igor Joventino Roberto, bolsista assistente de pesquisa do projeto Aquavert.

O acompanhamento também permitiu aos cientistas registrar o peso e as medidas dos filhotes e de fêmeas reprodutoras. Nos 12 ninhos com monitoramento intensivo foi possível registrar quanto tempo durou a incubação dos filhotes, além da observação das variações de temperatura (fator que determina o sexo dos jacarés) e características ambientais dos locais onde as fêmeas construíram os ninhos.

Projeto Aquavert

O objetivo do projeto Aquavert é consolidar estratégias e propor novas ações para a conservação das espécies de jacarés, quelônios e mamíferos aquáticos que habitam as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã. Mamirauá é o local onde há os maiores registros de densidade de jacarés-açu. Em épocas de seca na região, quando muitos animais se juntam em pequenos corpos d’água, pesquisadores do Instituto Mamirauá, organização social que realiza pesquisas científicas na Reserva, chegaram a registrar mais de 400 jacarés por km².

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