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07 de março de 2012 - atualizado as 14:53

Cresce flagrante de bombas no Amazonas, em 2012

O número representa metade do número de casos registrados no ano passado

Diego Toledano - jornalismo@portalamazonia.com

Em alguns casos, o explosivo é "enterrado" para amortecer a explosão. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia/Arquivo

MANAUS - Explosões de granadas, bombas e outros artefatos explosivos são noticiados com certa frequência em rede nacional. Em Manaus, no entanto, casos assim são registrados em número maior do que grande parte da população possa imaginar. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, o Grupamento Antibomba da Polícia Militar registrou quatro ocorrências no Amazonas; três delas eram verídicas e apenas uma correspondia a “trote”.

Na tarde de terça-feira (6), o Grupo Antibomba recebeu a última chamada. Na ocasião, um telefonema alertava para o suposto acionamento de um explosivo no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), no Centro de Manaus. O alerta resultou na evacuação do prédio e suspensão das aulas para mais de mil alunos da escola. Após vistoria nas 15 salas da escola, nenhum artifício foi encontrado.

De acordo com o comandante do Grupamento, major Allen Honor, o caso da ameaça de bomba no IEA é o primeiro alarme falso registrado em 2012 pelo Grupamento. As outras três denúncias foram “efetivas”, quando há a confirmação de explosivos no local denunciado.

Honor contou ao portalamazonia.com que um dos casos denunciou uma granada de mão no bairro Campos Elísios, zona Oeste de Manaus. Além deste, a equipe especializada desativou outra granada de morteiro no município de Iranduba. O terceiro incidente registrado ocorreu no bairro Nossa Senhora de Fátima, na zona Norte de Manaus, onde os militares encontraram um artefato de produção improvisada.

O número de 2012 alerta para um possível crescimento de ameaças de bombas. Enquanto os três casos reais de ameaça de explosão foram registrados apenas entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano, o Grupamento contabilizou seis ocorrências efetivas durante todo o ano de 2011.

Ação

Para rastrear explosivos, os agentes amazonenses contam com um equipamento de raio-x adquirido pelo Grupamento há mais de dois anos, segundo Honor. A divisão espera receber um detector de vapor explosivo, porém sem previsão de chegada.

Os agentes antibomba trabalham com dois tipos de manejo de explosivos: a destruição e a neutralização. A primeira medida consiste na explosão do artefato por meio de uma carga explosiva conectada à peça encontrada. Para amenizar os efeitos, esta ação é realizada em uma área aberta, com uma peça isoladora. Em casos em que não há áreas abertas, é aplicada a neutralização, em que uma carga explosiva é conectada a um volume de água para criar impacto sobre o objeto suspeito, que resulta na desativação do artefato.

Para realizar o desmonte de um artefato, os policiais passam por treinamentos especializados. A princípio, há uma espécie de estágio para os PMs que mostram interesse no Grupamento Anti-Bomba. Os oficiais passam por aulas práticas em diversas áreas de especialização – como noções de terrorismo, explosivos (conceito, tipo, classificação) e procedimentos em ações de ocorrência de ameaça de bomba – em aulas de período integral por duas semanas.

Para a Copa do Mundo de 2014, o esquema de segurança de Manaus conta com uma unidade robô antibomba. O equipamento é acionado por controle remoto e utilizados para remoção e desarticulação de bombas. Um tiro com canhão de água é usado para desarticular a bomba e separar carga principal, fonte de energia e detonador do artefato.

Investigação

Após a ação de destruição ou neutralização, os casos são investigados pela Polícia Civil. De acordo com o Major Honor, os destroços dos artefatos são encaminhados aos agentes para apuração da origem do explosivo.

Ao portalamazonia.com, a Polícia Civil explicou que a primeira etapa da investigação é realizada pela unidade mais próxima ao local da ocorrência. Após a identificação dos autores dos crimes, quando indiciados, o caso segue para avaliação da Justiça. Após concluir o inquérito, os culpados podem responder por porte ilegal e uso restrito de explosivos.

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