
As fraudes podem diminuir a vida útil de um transformador de 30 a cinco anos. Foto: Divulgação/Governo RN
MANAUS – A assistente social Glória Carvalho, de 48 anos, divide uma casa de dois quartos, um banheiro, uma sala e uma cozinha com a filha de 24 anos. O consumo de energia elétrica mensal da pequena família, que chega a R$ 80, subitamente subiu para R$ 150 no mês passado. Após entrar em contato com a concessionária de energia de Manaus, Amazonas Energia, ela teve a fatura reduzida para R$ 53 por estar entre as vítimas da fraude na rede elétrica, mais conhecida como “gato”.
“Não há outra explicação para esse aumento. Não é justo o fraudador passar o dia com ar-condicionado ligado e eu ser responsável pelo pagamento do consumo ilegal”, avaliou. Só em Manaus, a concessionária estimou que cerca de R$ 40 milhões sejam desviados por mês por meio dos chamados “gatos”. Segundo a empresa, o valor de energia elétrica furtada corresponde a 221,6 milhões kWh (quilowatts por hora) mensais. A carga, caso não fosse desviada, seria suficiente para abastecer mais de um milhão de residências com consumo médio mensal de 200 kWh.
As fraudes são possíveis a partir da conexão de fios clandestinos a uma rede elétrica privada. Desta forma, o fraudador pode utilizar a rede para beneficiar sua residência ou negócio, com o desvio. De acordo com o engenheiro elétrico Raimundo Gomes, a fiação utilizada causa danos a toda população. Para exemplificar os “gatos”, o especialista utilizou um sistema energético de três fases, no qual apenas uma delas estaria em pleno exercício. Esta, segundo o profissional, é a mais visada pelos fraudadores. “Os responsáveis pelos gatos procuram sempre a fiação em melhor estado. Depois de um tempo, a fase escolhida é defasada, prejudica as outras duas e danifica todo o sistema, o que resulta nas quedas de energia”, contou.
As quedas de energia são, na maioria dos casos, resultado da queima de transformadores. De acordo com levantamento realizado por Gomes, cerca de 1,2 mil equipamentos do tipo são queimados por ano na cidade. “Os gatos são responsáveis pela redução da vida útil de um transformador a apenas cinco anos. Em funcionamento normal, ele poderia atingir até 30 anos. Quando um equipamento queima, todas as empresas e residências alimentadas por ele têm a energia elétrica cortada”, comentou ele.
Os “gatos” influenciam nas faturas até daqueles que não são vítimas diretas das fraudes. “Quem realiza estes gatos recebe um prejuízo indireto para ele e direto para o restante da sociedade”, pontuou Gomes. De acordo com o assistente da Diretoria Comercial da Amazonas Energia, Geraldo Pereira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisa anualmente os dados relacionados aos desvios de energia. “Os valores perdidos influenciam na alteração da tarifa de energia, o que atinge todas as redes elétricas”, contou.
Monitoramento digital
Para solucionar problemas semelhantes ao de Glória, projetos como o do engenheiro Gomes vêem um futuro mais simples. O estudo intitulado “Sistema Eletrônico de Gerenciamento de Cargas da Rede Secundária de Distribuição”, desenvolvido na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), propõe um controle digitalizado do que ele chama de “carga desequilibrada”. “Se um transformador entrega um valor de 10kW, o mesmo valor deve ser encontrado nas extremidades do sistema elétrico. Quando isso não ocorre, percebemos a perda de carga, que pode ser resultado de desvio”, explicou.
De acordo com o especialista, o exemplo apontado seria analisado pelo projeto proposto. Caso houvesse uma alta variação no consumo de energia, o sistema alertaria a central, controlada pela concessionária, para um possível caso de fraude. Além do alarme, o sistema daria o posicionamento geográfico para que uma equipe da empresa de energia fosse ao local comprovar a suspeita. Gomes finalizou o protótipo funcional em março de 2010.
O especialista informou ter planos para implantar o sistema digitalizado em Manaus juntamente à Amazonas Energia, mas que não há previsão para a parceria ser fechada. Até lá, ele contou ao portalamazonia.com que deve testar a técnica de forma similar no município de Parintins. “Lá, vamos implantar um sistema parecido com equipamentos já utilizados no comércio”, afirmou. A máquina a ser utilizada no município tem a mesma proposta, mas não é totalmente digital. “Nosso sistema permitirá a integração digital das informações de consumo, perda e desvio”, concluiu.
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Espero que este projeto seja bem sucessido pois estou vivendo uma situação semelhante. Nos ultimos três meses meu o consumo energetico de 160 passou para 525, 280 e assim por diante, não entendo se é gato de vizinhos ou da própria manaus energia que alega estar sem leitor, contabilizar a conta por média e nunca admitir furtar o consumidor. Sugiro que esse projeto fosse adotado de formar particular a Manaus enregia para que sejam comprovados as imprudências feitas por tal empresa.