MANAUS – Filas quilométricas já destacavam a alegria dos foliões que não arredaram o pé antes de entrar no Centro de Convenções – Sambódromo, em Manaus. Segundo o major do Batalhão da Polícia Militar, Hermes Macêdo, pelo menos 100 mil pessoas passaram pelo local na noite deste sábado (18) e domingo (19). A festa faz parte da programação do “Carnaval – Alegria… Alegria…”, promovido pelo Governo do Amazonas.
A atual campeã do carnaval, Reino Unido da Liberdade foi a sexta escola a desfilar, mas desde o início da noite a comerciante Célia dos Santos e muitas outras pessoas do Bairro da Liberdade já ocupavam a arquibancada na organização do material produzido especialmente para a torcida da verde e branca. “Viemos aqui pra levantar essa galera e sair daqui como a favorita da noite. Vamos dar o máximo de nós para fazer dessa escola bi-campeã do carnaval esse ano”, afirmou Santos.
E pra quem pensa que Carnaval é coisa de brasileiro, o Sambódromo também teve gringo caindo no samba. A holandesa Hilde Stroot, 40, estava no sambódromo com o marido e os dois filhos e ficou encantada com a beleza do espetáculo. “Meu marido veio a trabalho para Manaus há um mês. É uma oportunidade muito importante pra mim essa de poder mostrar outras culturas para meus filhos. Essa é uma festa popular incrível e estou maravilhada de estar aqui. Só é uma pena que não poderemos ficar até mais tarde por causa das crianças que ainda são pequenas”, disse Stroot.
Confira as imagens do desfile das Escolas de Samba
Atraso
Os desfiles estavam previstas para iniciar às 18h40, com o Grêmio Recreativo Escola de Samba Dragões do Império, porém um atraso de aproximadamente uma hora deixou os foliões ansiosos. A Dragões do Império, que participava do grupo pela primeira vez, é do bairro São Jorge, zona Oeste, e segundo o vice-presidente da Escola, Luty, a dificuldade de acesso ao Sambódromo causou atraso de itens importantes da escola, como o primeiro casal de mestre-sala e porta bandeira e brincantes da ala das baianas.
O presidente da Associação do Grupo Especial das Escolas de Samba de Manaus (Ageesma), Elimar Cunha, chegou a anunciar que a escola seria retirada da concentração para não prejudicar o atraso de outras agremiações. “A Mocidade do Coroado deverá entrar na hora marcada para que esse atraso não prejudique nem uma outra escola, principalmente a Balaku Blaku, que será a última a passar pela avenida. Por mim essa escola está desclassificada, porque isso aqui não é brincadeira. Se quiser desfilar, desfila depois de todas as outras”, afirmou Cunha.

Alegoria da escola e reunião para informar punição da Dragões do Império - Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Mesmo com 50 minutos de atraso, a Dragões do Império entrou na avenida e realizou todo o desfile dentro do tempo máximo estipulado pela coordenação do carnaval. A escola apresentou a história do circo, com destaque ao internacional Cirque Du Soleil. Com mais de dois mil brincantes, a escola veio dividida em vinte e duas alas e quatro alegorias.
Detalhes
Enquanto o desfile rolava na avenida, em alguns barracões, os artistas finalizavam os últimos detalhes para as apresentações. Segundo o artista plástico da Vitória Régia, Rivaldo Monteiro, as alegorias só estão prontas quando estão na avenida. “Os últimos retoques só são feitos na concentração”, comentou.
Apesar da dificuldade encontrada no repasse de recursos do Governo, todas as agremiações do Grupo Especial apresentaram seu espetáculo. Com os últimos recursos financeiros liberados na última hora, carnavalescos, diretoria e as comunidades buscaram materiais alternativos para construir o espetáculo. Segundo o carnavalesco da Mocidade Independente de Aparecida, Saulo Borges, pelo menos 20% das estratégias planejadas tiveram de ser modificadas por conta do atraso no repasse das verbas destinadas às escolas.
“Todas as agremiações tiveram dificuldade de colocar em prática o que planejaram e com a Aparecida não foi diferente. Mesmo assim o público pôde presenciar um trabalho bonito, com muitos detalhes, carros alegóricos com uma linguagem diferenciada. Foi um trabalho de três meses com aproximadamente 40 pessoas trabalhando no galpão. Esse ano tivemos uma ajuda considerável dos artistas de Parintins que mesmo com seus salários atrasados, não pararam nenhum dia. Algumas coisas tivemos que reciclar do carnaval passado, principalmente as estruturas de ferro. Resumindo, conseguimos driblar as dificuldades e fazer um carnaval diferente”, ressaltou o carnavalesco.
Segundo o relações públicas do Grêmio Recreativo Escola de Samba Sem Compromisso, Erivaldo Apolônio, conhecido no meio como Dicó, o amor ao Carnaval e a seriedade levou integrantes da diretoria da escola a vender seus bens particulares como carros e casas, para poder levar com dignidade a agremiação para a avenida. “Além dos eventos que realizamos e a ajuda da comunidade, muitos acabaram vendendo bem abaixo do preço de mercado seus bens para gerar dinheiro para a escola”, comentou.
A Aparecida levou para a avenida a profecia maia e os boatos sobre o fim do mundo. Além disso, a Escola abordou temas como a preservação, não somente da floresta amazônica, mas de todo planeta. Já a Escola de Samba Sem Compromisso, do bairro Vila da Prata, contou a história dos árabes na Amazônia. O desfile contou com aproximadamente três mil brincantes divididos em 22 alas.
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