MANAUS – A capital amazonense tem mais de 2,5 mil vagas de emprego ainda não preenchidas. Os postos de trabalho à espera de contratação estão espalhados em diversos setores da economia, especialmente nas áreas da construção civil, de hotelaria e da indústria. A maior parte dessas oportunidades estão no Sistema Nacional de Emprego (Sine) Amazonas, que aponta a falta de qualificação como o maior entrave à empregabilidade do trabalhador.
De janeiro a maio deste ano, cerca de 10 mil pessoas procuraram por emprego no Sine Amazonas. Dessas, apenas 1,8 mil foram admitidas. Um número pequeno, considerado que no período estiveram abertas 4 mil oportunidades de emprego. A explicação, de acordo com o secretário-executivo do órgão, Paulo Júnior, está baseado numa série de fatores, que inclui o nível de escolaridade.
“As empresas, em todo o Amazonas, não estão contratando e sim demitindo. Além disso, falta mão de obra qualificada. A ausência de um certificado – ou comprovação de experiência em determinado serviço – é o maior empecilho para empregar profissionais”, assinalou Paulo Júnior.
A construção civil está contratando profissionais, mas ainda existe demanda por parte das companhias. A expectativa para melhorar a empregabilidade neste setor está nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e a necessidade de terminá-las até o prazo antes do evento.
Elas são mais interessadas
Os dados do Sine Manaus apontam para outra demanda. Os trabalhadores buscam vagas especialmente para o Polo Industrial de Manaus (PIM). Auxiliar de linha de produção é o segmento de maior procura, além de operador de caldeira e, no caso da construção civil, de manutenção elétrica, hidráulica e de mecânica.
“Os homens estão em maior número quanto à procura e as empresas estão pedindo mais mão de obra masculina. Mas as mulheres são muito mais interessadas e não medem esforços para encontrar um emprego”, assinalou Miriana Kelly Ferreira da Silva, que realiza a intermediação de mão de obra no Sine da capital.
De janeiro até junho, o órgão municipal cadastrou 120 ações: cada uma abre outras vagas. O resultado, de janeiro a junho, é a criação de 6.706. Devido à falta de qualificação dos trabalhadores manauaras, apenas 476 pessoas foram alocadas no mercado.
Apagão de mão de obra
A falta de pessoal qualificado ainda é uma das principais queixas do empresariado do PIM, a começar pelo técnico, engenharia e tecnologia da informação. As deficiências na educação básica e no ensino médio foram apontadas pelos empresários como o principal problema para a qualificação da mão de obra local. Na avaliação de dirigentes do setor fabril, a alternativa é investir maciçamente em educação.
De acordo com o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, alguns empresários têm denominado de “apagão de mão de obra” as dificuldades encontradas para preencher alguns cargos. Polos tradicionais como o eletroeletrônico, duas rodas e plástico ainda padecem da falta de pessoal qualificado, principalmente para cargos que requeiram conhecimento técnico.
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Educação
Especialistas garantem: a educação pesa no bolso do amazonense. A maior parte da população economicamente ativa do Estado (56,87%) chegou apenas até o nível fundamental. O percentual é próximo a outro dado. Sobre o rendimento mensal dos trabalhadores amazonenses, a maioria (444.398 pessoas) recebe até um salário mínimo (33,58%). O nível de educação está diretamente relacionado ao rendimento do trabalhador.
As informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também trazem outra questão relacionada. Entre os acima de 10 anos, 53,46% foram considerados sem instrução e com fundamental incompleto, somando 1.463.290 pessoas. É o chamado ciclo vicioso, como explica o sociólogo e crítico político, Carlos Santiago: determinadas pessoas têm o salário baixo, logo terão uma educação mínima. Como resultado disso, viverão em uma moradia precária, os filhos não terão saúde e haverá a dificuldade de mantê-los na escola.
“Acontece o mesmo no movimento inverso. Quando se tem um melhor nível de escolaridade, o salário é maior, a casa é melhor, pode-se cuidar da saúde e da alimentação tendo, assim, como manter as crianças na escola por mais tempo. Sendo assim, a boa escolaridade dessa nova geração garante a essa família mais chances econômicas”, explicou o sociólogo.
Nesta segunda encerra o prazo para placas com finais de 46 a 66.
Região tem 11 mil quilômetros de fronteiras. Operação custa R$ 14 milhões e envolve 20 agências, como Polícia Federal.