MANAUS - A ideia da construção da Carta da Amazônia, com propostas direcionadas à Amazônia, na Rio+20, foi proposta pelo governador do Amazonas, Omar Aziz. O documento tem o objetivo de unificar e aproximar as agendas dos nove estados da Amazônia Brasileira, orientadas para o desenvolvimento sustentável e leva em consideração as realidades e desafios comuns. Para falar sobre isso, Omaz Aziz conceceu ao Jornal do Commércio a seguinte entrevista:
Jornal do Comércio: Na Carta da Amazônia, qual a proposta mais significativa para que o Amazonas seja um referencial na Rio+20?
Omar Aziz: Nós fizemos uma carta. Até agora a importância do documento é que discute a nossa região. Nós esperamos que essa carta seja levada em consideração. A participação dos governadores está muito restrita, ficamos mais como ouvintes e só podemos dar opinião esporadicamente. Não há nada que possamos decidir, complicado.
Jornal do Comércio: Existe algum tema que possa dar mais visibilidade ao Amazônia?
Omaz Aziz: A visibilidade para a Amazônia é dada praticamente sempre quando alguma coisa ocorre de errado. Visibilidade maior que o Amazonas poderia ter tido com mais de 380 mil pessoas debaixo de água e não foi dada a visibilidade. A visibilidade negativa, essa, sempre é dada.
Jornal do Amazonas: E sobre a sustentabilidade na Floresta Amazônica?
Omar Aziz: Nós temos cumprido nosso papel. 98% de nossa floresta continua preservada e o que a gente pede é mais atenção às pessoas que vivem aqui. Fala-se muito em preservação, mas quando se fala em sustentabilidade é preciso aliar as tecnologias novas, a investimento em infraestrutura para que possamos dar mais qualidade de vida às pessoas. E isso ninguém quer debater. Discute-se sempre a mesma tese: preservar e preservar. Mas quando entramos no detalhe das pessoas, ai é complicado.
Jornal do Comércio: Com o aumento populacional do Amazonas, qual o caminho para o crescimento sustentável?
Omar Aziz: Temos no Amazonas uma população com mais de 3 milhões e meio de habitantes que precisam se alimentar, precisam de recursos. Ninguém quer ficar milionário lá no interior, eles querem ter assistência médica. Quando você vai debater profundamente pontos que nos afligem, podemos ver a falta de profissionais da saúde que não temos no Brasil e não podemos trazer de fora. Isso ninguém quer discutir.
Jornal do Comércio: Qual a expectativa de resultado polÃtico para essa edição de Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável?
Omar Aziz: A Conferência é muito mais uma discussão entre lÃderes mundiais. Sem a presença do presidente Obama e da Chanceler alemã Angela Merkel fica complicado. Isso aconteceu em Kopenhagen quando todos nós esperávamos que lá fosse discutido sobre o crédito de carbono, coisa que nós estamos discutindo há muitos anos. Infelizmente não avançamos nisso também.
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