MANAUS – A Ponte Rio Negro foi inaugurada no dia 24 de outubro do ano passado, comemorando o aniversário da capital amazonense. Nove meses depois, uma parte importante da obra – o sistema de proteção de seus pilares – ainda nĂŁo foi inaugurada. Inicialmente prevista para fevereiro, essa etapa chegou a ser adiada para abril e, atĂ© o fim do primeiro semestre, as defensas ainda nĂŁo haviam sido entregues. O novo prazo Ă© o fim deste mĂŞs, conforme a Secretaria da RegiĂŁo Metropolitana de Manaus (SRMM).
De acordo com o titular da SRMM, René Levy, as 12 balsas necessárias para a proteção, dez já foram colocadas. Com isso, o prazo para a conclusão da instalação de todas as defensas é o final de julho. Ainda assim, o trabalho não termina até o dia 31.
“Logo após a montagem, serão feitos ajustes e verificações nos equipamentos, para fins de aprovação em consonância com a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC). Este procedimento é necessário para a devida liberação de funcionamento efetivo das defensas”, afirmou Levy.
Sobre o atraso e os adiamentos na instalação do sistema de proteção, o secretário apontou dois problemas, um de ordem natural – as fortes chuvas ocorridas no perĂodo de cheia do rio Negro – e as interferĂŞncias logĂsticas, com a importação dos equipamentos da China e da Espanha.
ConstruĂdos no exterior, as amarras, elos e guinchos vieram de barco para o Amazonas. As chapas metálicas e o sistema hidráulico utilizados na montagem vieram da Espanha, mas todas as estruturas das defensas foram construĂdas pelo Estaleiro Erin. As correntes de grande porte utilizadas nas amarras das poitas (âncoras) vieram da China.
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Segundo o diretor do estaleiro, Carlos CustĂłdio, o peso dos materiais impossibilitou o transporte por via aĂ©rea. “Há cabos especĂficos que nĂŁo sĂŁo construĂdos no Brasil. AlĂ©m disso, sĂŁo precisos tamanhos diferentes para os canais principais e os secundários”, explicou.
O processo de instalação das balsas de proteção dos pilares (defensas) envolve o trabalho de mergulhadores para a fixação das peças, que pesam mais de 100 toneladas. Em cada defensa, sĂŁo afixadas seis poitas. No perĂodo da cheia do rio Negro, esse trabalho ficou paralisado devido Ă s grandes profundidades, que impossibilitaram a atividade dos mergulhadores com a segurança necessária.
Importância das defensas
As defensas sĂŁo estruturas criadas com a finalidade de proteger os pilares da ponte em situações de colisĂŁo. Para evitar possĂveis impactos com embarcações, as estruturas se ajustarĂŁo de acordo com o nĂvel do rio Negro. A parte inferior já foi instalada. Atualmente, os operários constrĂłem a parte mais visĂvel do monumento.
Orçada originalmente em R$ 89 milhões, a construção das defesas recebeu um aditivo de supressão. A medida levou à redução do valor para R$ 64 milhões, uma economia de 25%. “Normalmente, há aditivo para aumentar o valor, o que não ocorreu neste caso”, desatcou Levy.
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Conforme o secretário, as defensas têm capacidade para suportar choques de embarcações de até 20 mil toneladas. Os canais principais e secundários terão dois sentidos de navegação, para embarcações que sobem e descem o rio.
A construção do sistema de proteção envolve várias fases: jateamento, processamento (corte do aço), pré-montagem, pós-montagem, montagem, soldagem, acabamento, instalação dos equipamentos, pintura, lançamento e apoitamento (ancoragem). Nestes processos trabalham cerca de 350 pessoas.
Com a instalação das defensas, o projeto de construção da Ponte estará finalizado. O sistema de proteção dos pilares começou a ser construĂdo em agosto de 2011.
Usuários do serviço chegam a perder 23% do dia em viagens; custo médio da passagem é de R$ 388,73.
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