MANAUS –O bairro de Puraquequara, na zona Leste de Manaus, com pouco mais de 100 anos, surgiu na primeira década do século XX, fundado por 23 famílias ribeirinhas que se instalaram às margens do rio Amazonas.
Inicialmente as principais atividades dos moradores eram a pesca, o corte de madeira e agricultura de subsistência. Atualmente o turismo representa um fator de crescimento local, embora ainda sejam acentuadas a ausência de poder público e infraestrutura.
A primeira vila da comunidade do puraquequara formou-se às margens do rio. Em busca de sobrevivência, após o declínio da Época Áurea da Borracha, por volta de 1918, vãrias famílias de ribeirinhos instalaram-se no local, em áreas alagadas, dando origem a uma comunidade flutuante.
Atualmente, as belezas naturais do lago de Puraquequara atraem turistas e pescadores amadores para a região. Por sua localização, em uma região de lago e floresta, a comunidade recebe turistas e moradores de outros bairros de Manaus aos finais de semana. Os principais pontos turísticos do local são o Lago de Puraquequara, o Remanso do Boto, a Cachoeira Grande, o Parque Zoobotânico, Área de Preservação Ambiental Privada, além de um hotel da selva.
No Remanso do Boto, famílias inteiras aproveitam o balneário para o lazer. O técnico em eletrônica Anunes Ribeiro Serrão sempre procura o Puraquequara para pescar. “Sempre que podemos, eu e meus amigos vimos aqui para relaxar, aos fins de semana. É calmo pela manhã e mais agitado na parte da noite”, avaliou. O ‘pescador de fim de semana’ contou já ter pego tucunaré, matrinxã, sardinha e até piranha.
A flora e a fauna são uma atração a parte. O Puraquequaral tem grande diversidade em árvores como, sumaumeira, tucumãzeiros e castanheiras. Na época da cheia do rio Amazonas, as águas cobrem o lago e a comunidade recebe cerca de cinco mil visitantes por semana.
Infraestrutura precária
Embora rico em belezas naturais, a ausência de infraestrutura é uma reclamação recorrente dos moradores do Puraquequara. Ruas sem asfaltamento, sinalização deficientes, falta de calçadas e ruas sem urbanização estao entre as queixas. “A conta de energia chega todo mês, mas não temos como resolver outras questões ou reivindicar por melhorias, pois esta via não existe no mapa.”, afirmou a moradora Maiara Freitas.
Educação
Outra questão preocupante é a educação. Segundo o líder comunitário Wagner Sampaio, o bairro tem apenas três instituições de ensino. A Escola Estadual Irmã Gabrielle, antes com educação integral, teve aulas reduzidas. Por falta de salas de informática e de piscina, entre outros, conta atualmente apenas com turnos matutino e vespertino. É a única escola com Ensino Médio. Quem trabalha durante o dia, não conta com escola à noite no bairro.
As escolas municipais Américo Gosztonyi (localizada na área rural do bairro do Puraquequara, na comunidade do Giró) e a São Sebastião atendem apenas Ensino Fundamental. Instituições profissionalizantes não existem na comunidade.
Saúde
A reclamação também é geral quando o assunto é saúde. A moradora Ione Amazonas contou que existe duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) no Puraquequara, mas somente uma está em funcionamento. “Somos cerca de sete mil pessoas e temos apenas 16 atendimentos por dia. Quando alguém passa mal, é preciso correr ao pronto-socorro mais próximo, que é o SPA da Colônia Antônio Aleixo”, disse Ione.
De acordo com os moradores, o atendimento na UBS é dividido por categorias. A segunda-feira é dedicada às grávidas; a terça-feira para quem reside na área do Lago do Puraquequara; a quinta é para os hipertensos. Já às sextas-feiras, a ‘casinha’ não funciona.
Saiba mais:
O Puraquequara é um dos bairros que formam a zona leste de Manaus e está localizado a cerca de 35 quilômetros em linha reta do centro de Manaus. Tem sua extensão geográfica, precisamente na feira do produtor agrícola, estendendo-se até a comunidade Bom Sucesso no Tabocal a cerca de três horas de barco do porto principal. O Puraquequara é formado por 23 comunidades.
A Vila do Puraquequara, primeiro nome dado ao bairro, não possui documentos oficiais de sua fundação. A história existente foi colhida por meio de depoimentos de antigos moradores. O nome do bairro vem de um peixe denominado poraquê, também conhecido como enguia de água doce. Além da pesca da subsistência, a principal atividade econômica do Puraquequara foi, durante muito tempo, a produção de farinha de mandioca e do carvão. De acordo com a obra “História dos Bairros- Puraquequara”, de Valnice Lopes de Almeida, a comunidade do Puraquequara surgiu na primeira década do século XX, com a chegada dos primeiros moradores provenientes de diversas áreas do Amazonas e até de outros estados, inclusive das calhas dos rios Madeira, Juruá e Purus. O leito do rio Amazonas passou a ser moradia dos habitantes do Puraquequara durante as cinco décadas seguintes.
As primeiras famílias que chegaram ao local foram Abel, Barroso, Matos, Paz, Sampaio, Encarnação, Chaves, Cordeiro e Brito. Em 1953, com a enchente, várias casas foram arrastadas e a pequena vila quase destruída pela força da correnteza.
Os moradores passaram a morar defininitamente em terra firme, por ocasião da enchente de 1973, quando uma criança morreu afogada no rio.
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