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27/02/2013 às 16:14 Juçara Menezes - jornalismo@portalamazonia.com

Amazonas ganhará centro de formação superior para professores indígenas

O “minicampus” será no campo experimental da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), na Estrada Manaus-Caracaraí.

Indígenas terão formação em Licenciatura Plena. Foto: Fabio Pozzebom/Abr

Indígenas terão formação em Licenciatura Plena. Foto: Fabio Pozzebom/ABr

MANAUS – Os alunos do curso de Licenciatura Específica de Formação de Professores Indígenas ganharão, no final de março, um Centro de Formação. O “minicampus” será no campo experimental da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), localizado no quilômetro 32 da Estrada Manaus-Caracaraí. O local contará com alojamentos, salas de aula, auditórios e cozinha para os 180 alunos das etnias Saterê-Mawé, Munduruku e Mura.

Obra custou aproximadamente R$ 1,3 milhão, recurso advindo do Ministério da Educação (MEC), e ficou pronto em 18 meses, segundo a coordenadora das turmas Saterê-Mawés e Munduruku de formação de professores indígenas (Prolind), Valéria Weigel. O centro reúne alojamentos (com dormitórios, cozinha e banheiros), quatro salas de aula, auditório e laboratório, além das salas de coordenação,  secretaria e diretoria. O minicampus concentrará as atividades acadêmicas também da terceira turma, composta pelos índios Mura.

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Os alunos serão formados professores de licenciatura plena. Como os cursos serão em módulos, os indígenas começarão do mesmo ponto. A partir do segundo ano, há a opção para Humanas e Letras (que também inclui Linguísitca, Sociologia, História e Geografia); para as Ciências Exatas e Matemática e ainda uma terceira grande área, a de Ciências Biológicas.

A professora enfatiza que, no último ano, a turma inicial volta a se reunir. “A  finalidade é discutir as ideias e experiências, e a partir daí, a operacionalizá-las entre as diferentes áreas do conhecimento”, explicou a coordenadora.

O curso é resultado da demanda dos próprios indígenas. A Ufam formou, em 2010, a turma de Ciências Naturais. A necessidade maior é nos ensinos Fundamental e Médio.

A Licenciatura tem duração de cinco anos e objetiva formar, em nível superior, professores indígenas em uma perspectiva intercultural e interdisciplinar. Atualmente o curso conta com uma turma que atende alunos do povo Mura (do município de Autazes) e outra com os alunos do povo Mundurukú (tanto do Amazonas quanto do Pará).

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Dificuldades

Valéria Weigel considerou a inauguração do Centro como uma vitória importante na educação como um todo. Quem concorda com a professora é o antropólogo Ademir Ramos. O coordenador do Núcleo de Cultura Política da Ufam (NCPAM), relembra que uma das dificuldades para o término da graduação é financeira. “Nem sempre os indígenas têm como se manter em Manaus, especialmente no quesito moradia. Com o  Centro, uma das problemáticas é eliminada”,  salientou.

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