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26/01/2012 às 16:02 Wallace Abreu – portalamazonia@redeamazonica.com.br

Mortes em acidentes de barco em aumento no Amazonas

As principais causas dos incidentes ainda são a imperícia ou imprudência de tripulantes e passageiros.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

 MANAUS - O principal meio de transporte e ligação entre os municípios do interior do Amazonas são os barcos. O grande fluxo de embarcações nos rios amazônicos e a falta de atenção e prevenção de tripulantes e passageiros acabam por gerar acidentes, em alguns casos com vítimas fatais.

Em 2011, a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental registrou 94 ocorrências envolvendo embarcações. Em comparação ao ano anterior, houve uma diminuição de aproximadamente 23% no número de acidentes. Em 2010, foram registrados 108 casos.

Apesar da queda, os números não são positivos quanto às vítimas fatais, que no último ano chegou a 25 mortos. Em 2011, houve um pequeno crescimento de 4%, se comparado ao número de mortos em acidentes de barcos no ano de 2010, quando a Capitania registrou 24 mortes.

“A maior parte dos acidentes é causada por imperícia ou imprudência, onde os tripulantes e passageiros não estão usando coletes salva vidas ou não há disponibilidade dos mesmos na embarcação”, ressaltou o tenente Júlio Leite. Para cada ocorrência, o órgão instaura um Inquérito Administrativo sobre Fatos e Acidentes da Navegação (IAFN) para apurar as responsabilidades pelo ocorrido. Este Inquérito tem o prazo inicial de 90 dias para ser concluído, mas pode ser prorrogado por mais 12 meses.

Inspeção

De acordo com o tenente Júlio Leite, periodicamente as embarcações são inspecionadas quanto à documentação, habilitação dos tripulantes e ao material de segurança obrigatório. “Todo tripulante de embarcação deve ser habilitado pela Capitania e portar a Carteira de Inscrição e Registro (CIR), além de estar de acordo com o Cartão de Tripulação de Segurança (CTS)”, destacou.

Nos barcos, é verificado se elas possuem os itens obrigatórios como aparelhos de comunicação (rádio, luzes de navegação), navegação (ecobatímetro, radar) e equipamentos de segurança (bóias e coletes salva-vidas). Quanto à documentação, exceto as embarcações da Marinha do Brasil, todas devem ser inscritas na Capitania, portar o Título de Inscrição da Embarcação (TIE) ou a Provisão de Registro da Propriedade Marítima (PRPM), o Certificado de Segurança de Navegação (CSN) ou o respectivo Termo de Responsabilidade, além de outros documentos como o CTS e o Seguro Obrigatório contra Danos causados por Embarcações e sua carga (DPEM).

Retrospectiva

Foto: Layanna Franco

Em setembro de 2011, um barco que transportava 20 profissionais de saúde virou na Ilha de Tumbira, comunidade localizada à margem direita do Rio Negro. A embarcação tombou em decorrência a um forte temporal na área.  A estudante de psicologia, Dafne Braga, voluntária do projeto de saúde de assistência a ribeirinhos, morreu no acidente. Estavam a bordo do barco “Luzeiro Amazônia III”, médicos, enfermeiros, psicólogos,dentistas e estudantes realizavam uma ação social na região,  próxima ao Arquipélago das Anavilhanas.

Outro sinistro, ocorrido em 2011, atingiu uma embarcação no porto do São Raimundo, na zona Oeste de Manaus, em 11 de julho. O acidente teria começado após o superaquecimento de um cabo de solda. Ninguém ficou ferido. O barco estava em construção e não contava com nenhum equipamento contra incêndio. As embarcações atracadas próximas ao local do acidente foram removidas e cederam extintores para controlar as chamas. O fogo foi controlado pela própria tripulação, antes mesmo da chegada do Corpo de Bombeiros.

O mais recente caso de acidente envolvendo embarcações foi no último dia 05 de janeiro, quando três embarcações pegaram fogo próximo à Feira da Panair,  zona Sul de Manaus, sem causas conhecidas. Os barcos de pesca estavam ancorados no momento do início do sinistro. Apesar de ter se espalhado rapidamente de um barco a outro, o fogo foi controlado e não deixou feridos.

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