MANAUS – Já diziam popularmente no Amazonas “quem come o nosso jaraqui, não quer mais sair daqui”. Porém, o peixe característico e preferido pelos manauaras vem perdendo espaço para outra espécie da nossa região: o tambaqui.
Dados de um estudo realizado pelo pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Luís Antônio Inoue, apontam que o total produzido no estado não atende à demanda pela espécie, estimada em 14 mil toneladas por ano.
O Brasil produz anualmente 45 mil toneladas do peixe, sendo 20 mil toneladas produzidas nos estados da região Norte do País. Só o estado do Amazonas produz 10 mil toneladas de tambaqui por ano.
Para atender ao mercado consumidor amazonense, estados vizinhos como Rondônia e Roraima vendem para Manaus a produção excedente.
Pesca extrativista e produção em cativeiro
Segundo o pesquisador, somente a pesca extrativista do tambaqui não é suficiente para atender ao mercado nacional. O Brasil produz por ano, por meio da prática extrativista, apenas 4 mil toneladas, o que não atende nem a demanda da capital amazonense.
No Amazonas, o principal polo de produção de tambaqui em cativeiro está localizado nos municípios de Rio Preto da Eva, Iranduba e Manacapuru.
“Antes o consumidor buscava nas feiras apenas espécies acima de cinco quilos e que fossem oriundos da pesca extrativista. Tambaquis menores, chamados de ‘roelos’ eram pouco valorizados. Hoje já são aceitos no mercado indivíduos de até dois quilos e as novas técnicas de criação de tambaquis em cativeiros já não apresentam diferenças no sabor da carne do peixe, que era então, o principal problema apresentado pelos consumidores”, destacou Inoue.
Sistema de reprodução
O estudo aponta que as técnicas de reprodução de tambaquis em cativeiro são recentes. Um indivíduo desta espécie atinge a maturidade sexual entre os três e quatro anos, dependendo das condições de estocagem e alimentação.
A técnica utilizada para a reprodução de tambaquis é a hipofisação. Injeções de extrato de hipófise (uma glândula do peixe doador) são aplicadas nos indivíduos reprodutores para induzir a maturação final e liberação dos óvulos e sêmen para fecundação artificial a seco, feita em laboratório.

O peixe ainda é comercializado geralmente de modo fresco, conservado em gelo. Foto: Acervo pesquisador
Mercado
De acordo com o pesquisador as condições de consumo crescente são positivas para investimento da criação da espécie em cativeiro. Inoue destaca que atualmente grande parte dos tambaquis comercializados em Manaus são vendidos de forma fresca,conservado no gelo. O mercado já oferece tecnlogia de alimentos favorável ao desenvolvimento de outros produtos a base de tambaqui, como empanados, linguiças e fishburger.
“Atualmente o único estado que trabalha com o desenvolvimento de produtos a base de tambaqui é o Mato Grosso. Manaus possui reais condições de se tornar a maior produtora de produtos a base desta espécie e oferecer produtos diferenciados como cortes especiais do lombo, filé, costelas, além de outros produtos”, destacou o pesquisador.
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Sobre o pesquisador
Luís Antonio Inoue é graduado em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (1994), mestre em Aquicultura pela Universidade Federal de Santa Catarina (1998) e doutor em Genética e Evolução pela Universidade Federal de São Carlos (2005).
Atualmente é Pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental. Faz parte do corpo de docentes permanentes do Programa de Pós-graduação em Ciências Pesqueiras Tropicais da Universidade Federal do Amazonas. Tem experiência na área de piscicultura, com ênfase em manejo de peixes vivos.
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Nível do rio atinge 29,03 metros. Defesa Civil da capital amazonense constrói pontes para minimizar danos a moradores de áreas de risco.
Dentre os problemas listados em relatório de inspeção estão a existência de rachaduras em todos os sentidos da pista de pouso e decolagem.