MANAUS - Nesta época do ano, o volume de chuva aumenta a probabilidade de acidentes com animais peçonhentos. Pessoas que moram nas proximidades de matas e rios devem ter atenção redobrada. Dados parciais da Fundação de Medicina Tropical (FMT) mostram aumento de 25% no número de vítimas atendidos pela instituição, no ano passado. Até novembro de 2011, a Fundação realizou o tratamento de 144 pessoas, contra 107 atendidas no mesmo período de 2010
De acordo com o especialista em infectologia, Antônio Magela, o perigo aumenta entre os meses de novembro e junho, quando cresce o período de chuvas. “Normalmente as vítimas tem entre 15 e 49 anos e cerca de 80% são homens. As medidas usadas para evitar esses acidentes é que as pessoas não andem desprotegidas em lugares com entulhos ou mata fechada”, explicou. Ele pede para que as pessoas não façam nada com o lugar afetado. “Não tente sugar o veneno, nem dê nada para a pessoa tomar, não tente estancar o ferimento. Apenas leve a pessoa ao hospital mais próximo”, completou.
Além da rapidez no atendimento, outra medida importante é tentar identificar o bicho que ocasionou o ferimento. “Conhecendo o animal, podemos administrar no paciente um soro específico para neutralizar aquele tipo de veneno. Se for possível capturar o animal, é importante trazê-lo em um recipiente para mostrá-lo ao profissional na hora do atendimento”, frisou Magela.
O remédio para a picada desses animais é sempre o próprio veneno, por isso a fundação possui um centro de gerenciamento de animais peçonhentos. No prédio, são pesquisadas espécies raras de aranhas, cobras e escorpiões.
Entre as raridades do centro está a Surucucu, considerada a maior serpente peçonhenta das Américas. “Esse banco de veneno é utilizado em pesquisa. Muitos médicos e doutores conseguiram achar um tipo de veneno para cada animal peçonhento, mas o trabalho é árduo”, comentou a gerente do centro de animais peçonhentos, Maria das Dores.
Os acidentes com bichos peçonhentos são mais comuns em áreas de floresta, como na zona rural de Manaus, de onde é oriunda grande parte dos pacientes atendidos na FMT. Também acontecem com maior frequência em regiões desmatadas, como é o caso das invasões. “Estes locais são quase sempre próximos de áreas habitadas”, disse. Nos primeiros dias do ano, duas vítimas de acidentes com animais peçonhentos já foram atendidos na FMT.
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