BOA VISTA – Roraima é um dos estados brasileiros com maior população de índios. Dados do Conselho Indígena do Estado apontam quase 54 mil indígenas distribuídos entre os povos Macuxi, Wapichana, Ingaricó, Yanomami, Waimiri-Atroari, Wai-Wai, Taurepang, Patamona, Yekuana e Sapará.
Apesar do grande número de indígenas em Roraima, a Casa de Apoio a Saúde do Índio (Casai) informou que há apenas cinco intérpretes no Distrito Especial de Saúde Indígena Yanomami da língua nativa nos setores públicos de saúde do Estado.
A falta de comunicação dificulta o atendimento das etnias nestes locais. Na última segunda-feira (06), de acordo com a denúncia do Jornal Folha de Boa Vista, pacientes indígenas Yanomami passaram horas de espera no Centro de Refência da Mulher. Outro caso seria sobre uma indígena que não realizou o procedimento completo durante consulta, pois não havia intérprete para explicar a importância do procedimento.
Segundo a diretora da unidade de saúde onde o problema ocorreu, Hérica Soares, as indígenas chegaram antes do horário agendado para o atendimento médico. “A Casai encaminhou as pacientes, ao meio dia, para a unidade de saúde, sendo que a consulta estava marcada para às 16h”, disse a diretora.
De acorco com Hérica, a unidade de saúde não possui intérprete para auxiliar as pacientes indígenas, mas utiliza o apoio do Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Nazaré. Porém, a diretora informou que nem sempre é possível realizar todos os exames necessários. “Além do intérprete para informar a importância de certas consultas, falta um acompanhante em que os indígenas sintam confiança e possam ficar a vontade nas consultas ginecológicas”, destacou.
Conforme a coordenadora da Casai, Rosiane Azevedo, há equipes de saúde em todas as comunidades indígenas. Quando detectado algum caso especial, as pacientes são encaminhadas para a Casa de Apoio, que atualmente recebe 300 pacientes por mês.
De acordo com Rosiane, em casos mais graves ou de atendimento especializado, os pacientes são encaminhados às unidades públicas de saúde, como o Hospital Coronel Mota, Hospital da Criança Santo Antônio, Hospital Geral e Maternidade.
Segundo Rosiane, quando não há tratamento em Roraima, os pacientes são encaminhados para o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) em outros estados brasileiros.
“Todas estas unidades de saúde possuem uma coordenação indígena com um intérprete para auxiliar os pacientes, porém existe uma grande quantidade de dialetos e não existe funcionário suficiente para ajudá-los. Só da etnia Yanomami, existem quatro dialetos. Estamos no processo de contratação de mais intérpretes para a área de saúde”, afirmou Rosiane.
De acordo com o João Batista Catalano, coordenador substituto da frente de proteção indígena Yanomami, a Fundação Nacional do Índio (Funai), em parceria com a Associação Hutukara Yanomami e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) possui projeto para capacitação de intérpretes na língua indígena Yanomami, para suprir a carência em Roraima. “Da etnia Yanomami são contabilizados quase 20 mil indígenas. A língua Yanomami possui quatro dialetos e não pertence a nenhum tronco linguístico da América da Sul”, explicou o coordenador, sobre um dos motivos da falta de intérprete desta língua na região.
Saúde Indígena
Segundo a lei do Sistema Único de Saúde (SUS), existe um Subsistema de Atenção à Saúde Indígena coordenado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), criada em 2010.
Dentro desta secretaria, há os Distritos Sanitários Especiais (DSEI’s), responsáveis pela atenção primária e encaminhamento para alta e média complexidade.
Em Roraima, há o DSEI- Leste à frente das etnias Wai-Wai, Taurepang, Patamona, Ingaricó e Macuxi. O DSEI Leste de Roraima localiza-se na região Leste e Norte de Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana.
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