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01/05/2013 às 14:03 Evaldo Ferreira - Jornal do Commercio

Mania de colecionador: DJ inaugura antiquário em Manaus

Recém-inaugurado, o "Refúgio, Antiquário & Presentes" reúne peças como discos de vinil, vitrolas e até um um farol de bonde.

o “Refúgio” guarda algumas preciosidades, dentre elas, coleção de rádios, televisores, vinis, telefones e personagens de história em quadrinhos. Foto: Walter Mendes/Jornal do Commercio

o “Refúgio” guarda algumas preciosidades, dentre elas, coleção de rádios, televisores, vinis, telefones e personagens de história em quadrinhos. Foto: Walter Mendes/Jornal do Commercio

MANAUS - Há cerca de dez anos, o DJ Nilson Barbosa começou a colecionar objetos, principalmente os antigos e as miniaturas de super-heróis. Há pouco mais de um mês, ele observou que havia chegado a hora de dar um jeito na situação. A solução encontrada era de abrir uma loja, mais especificamente um antiquário. “O colecionador precisa ter muito cuidado para não se transformar num acumulador. Então, resolvi abrir o “Refúgio, Antiquário & Presentes”, onde vendo o excesso e só fico somente com o que realmente me interessa como colecionador”, ensinou.

Nilson tomou como exemplo o primeiro e único antiquário de Manaus, o “Império das Antiguidades”, do qual é amigo dos donos, e inaugurou o “Refúgio” com cara de “gente grande”, apesar do espaço ainda pequeno, na Praça 14 de Janeiro. É difícil encontrar uma pessoa que, rapidamente não volte ao passado quando vê ou pega um objeto antigo, ou ache graça ao comparar como esses objetos eram e como ficaram com a evolução das inovações. Um exemplo clássico do novo que não agradou foi o CD. Não são poucos os amantes da boa música que preferem os discos de vinil (mesmo com os chiados).

A indústria fonográfica também não fica atrás nessa preferência. Os discos de vinil, em quase um século de fabricação, nunca foram pirateados. Se os aparelhos que tocam vinil voltassem a ser fabricados, certamente voltariam a fazer sucesso.

No “Refúgio” essa volta ao passado é inevitável, mas há opções mais ‘modernas’ também. “Tenho muitos jogos (games) da década de 1980. Foi nesse período que os games se tornaram portáteis e ‘todo mundo’ passou a ter um em casa. Então começaram a surgir os primeiros jogos, que hoje
são motivos de graça. Mas eu prefiro jogar estes”, disse. E lá você encontra o clássico dos clássicos, um Atari, lançado em 1983 no Brasil, pela Gradiente, reinando absoluto por quase dez anos.

Lixo que pode valer muito

Porém, quem quiser voltar há 50, 100 anos, o “Refúgio” guarda algumas preciosidades dignas de um antiquário. “O objeto mais antigo que eu tenho é um farol de bonde. Pelas minhas pesquisas na internet, descobri que deve ter pelo menos 100 anos e um dia fez parte de algum dos bondes que circularam por Manaus. Estava na casa de um amigo português, esquecido num canto. Comprei, restaurei e hoje está exposto na loja”, relata o colecionador.A coleção de rádios também é fascinante. “São todos valvulados”, explicou. Esse tipo de rádio existiu entre 1930 e 1960, aproximadamente, e demorava vários minutos, até que as válvulas esquentassem, para poder ‘falar’.

Outros objetos expostos são candieiros, muito utilizados em Manaus até o final da década de 1960, quando a energia elétrica na cidade era escassa, bem como os ferros de passar (pesadíssimos) esquentados à base de carvão, colocado em seu interior. Também era peça bastante comum nos lares manauaras. E as televisões P&B, as primeiras a surgirem em Manaus no início da década de 1970, com botões que faziam ‘tec-tec-tec’ para mudar de canal? Já os aparelhos de telefone são da década de 1930 até 1980.

Os mais antigos eram privilégio dos ‘endinheirados’ da cidade. “Eu garimpo essas peças, muitas eu compro, outras eu ganho e até no lixo encontro verdadeiras preciosidades  Como diz o ditado: o lixo de uns pode ser o tesouro de outros. Muitas pessoas jogam fora objetosvelhos que têm em casa e nem imaginam que eles podem valer um bom dinheiro”, alertou.

Hoje, um dos maiores e mais vistosos objetos do “Refúgio” é uma cadeira de barbeiros Ferrante, fábrica paulista existente há mais de 80 anos. A cadeira, com certeza, é bem antiga. “Minha mais nova aquisição é uma vitrola (aparelho pioneiro para tocar discos de vinil no final do século 19), mas amanhã, não sei qual raridade estará exposta na minha loja”, riu.

Refúgio Antiquário & Presentes
Onde? Avenida Duque de Caxias, 2186 (próximo ao 1º DP)
Informações: (92) 9302-1251

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