MANAUS – Mais que uma justa homenagem, uma forma de agradecimento a quatro grandes escritores amazonenses que deixaram um legado imensurável para a história do Amazonas. Álvaro Botelho Maia (1893 – 1969), Arthur Cézar Reis (1906 – 1993), Paulo Jacob (1921 – 2004) e Aníbal Beça (1946 – 2009) serão os homenageados póstumos da primeira edição da Bienal do Livro Amazonas. A Feira começa nesta sexta-feira (27) no Studio 5.
A homenagem acontece no espaço do “Tacaca Literário”, onde serão realizados debates em clima descontraído, entre autor e leitor em conversas sobre livros, estilos e ideias. Neste local, a homenagem vai ser composta por fotografias dos quatro autores. Já no “Livro Encenado”, atores de renome nacional vão estar caracterizados fazendo a leitura das obras: “Suíte para os habitantes da noite” de Aníbal Beça e “Gente dos Seringais” de Álvaro Maia.
Os homenageados foram escolhidos pelo Secretário de Cultura, Robério Braga, em virtude da contribuição literária deixada por cada um. “Foi delicado escolher quatro autores dentre tantos que o Amazonas se orgulha de possuir. Definimos estes nomes, primeiro por serem de tempos diferentes e segundo por estilos diferentes. Álvaro Maia foi poeta, Arthur Reis historiador, Paulo Jacob era romancista e Aníbal Beça foi teatrólogo, compositor e poeta”, explicou.
A Bienal do Livro Amazonas é um dos 46 projetos incluídos no Programa “Mania de Ler”, de incentivo à leitura e ao livro, promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura. “No Estado muito já é feito no campo da música, teatro, dança, cinema, circo. O ‘Mania de Ler” surgiu da vontade pessoal do Governador Omar Aziz de realizar um grande programa voltado ao incentivo à leitura e ao livro, com o objetivo de valorizar, estimular e difundir a produção literária amazonense e incentivar o hábito da leitura entre toda a população”, frisou o secretário.
Os homenageados
Álvaro Botelho Maia (1893 – 1969) foi jornalista, poeta (era conhecido como o príncipe dos poetas amazonenses), escritor, advogado, professor, senador e governador do Amazonas. Publicou vários livros: “Cabelos Negros”, “Na Vanguarda da Retarguarda”, “Gente dos Seringais”, “Buzina dos Paranás”, “Nas Barras do Pretório”, “Beiradão”, “Banco de Canoa”, “Defumadores e Porongas”, “Tenda de Emaús”. Escreveu poesias, crônicas, ensaios, teses, discursos e conferencias.
Arthur César Ferreira Reis (1906 – 1993) foi um político e historiador brasileiro. Autor de diversas obras. Em 1931, publicou o antológico livro “História do Amazonas” e desde então nunca mais parou de publicar livros sobre a história local. Escreveu mais de 30 livros, entre eles “Manaus e outras Vilas”, “A Conquista Espiritual da Amazônia”, “Estadistas Portugueses na Amazônia” e “O Índio da Amazônia”.
Paulo Jacob (1921 – 2004) foi um dos maiores romantistas da Amazônia. Escreveu vários romances, entre os quais: “Chuva branca” um dos seus mais belos livros, “Vila rica das queimadas”, “O coração da mata, dos rios, dos igarapés e dos igapós morrendo”, “Chãos de Maíconã”, “Muralha Verde”, “Andirá”, “Estirão de Mundo”, “A noite cobria o rio caminhando” e “O gaiola tirante rumo do rio da borracha”.
Anibal Beça (1946 – 2009) foi poeta, tradutor, compositor, teatrólogo e jornalista. Trabalhou como repórter, redator e editor, em todos os jornais de Manaus. Foi diretor de produção da TV Cultura do Amazonas, Conselheiro de Cultura, consultor da Secretaria de Cultura do Amazonas. Vice-presidente da UBE-AM União Brasileira de Escritores, presidente da ONG “Gens da Selva”, onde exercia o cargo de vice-presidente, bem como de presidente do Sindicato de Escritores do Estado do Amazonas e presidente do Conselho Municipal de Cultura e era membro da Academia Amazonense de Letras.
Em 1994 recebeu o Prêmio Nacional Nestlé, em sua sexta versão, com o livro “Suíte para os Habitantes da Noite”. Escreveu ainda: “Filhos da Várzea”, “Banda da Asa”, Águas de Manaus”, “Folhas da Selva”, entre outros.
Realizado no sábado, pela Secretaria de Estado de Educação, o evento integra s ações do Pacto pela Educação do Pará.
Ao todo, 400 músicos compõem o item número 3 do bumbá azul e branco. Próxima edição da festa será em Manacapuru.