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22/06/2012 às 13:49 Eliena Monteiro - jornalismo@portalamazonia.com

Parintins: ilha do folclore no Amazonas

Conhecida como Ilha Tupinabarana, a cidade de Parintins, no Amazonas, apresenta a riqueza dos festivais amazônicos

Orla de Parintins. Foto: Diego Oliveira/ Portal Amazônia

Orla de Parintins. Foto: Diego Oliveira/ Portal Amazônia

PARINTINS –O município de Parintins, no Amazonas, é uma grata surpresa para os turistas que querem conhecer a cultura rica dos festivais da floresta amazônica. Situada a 369 quilômetros de Manaus, a cidade, chamada de ‘Ilha Tupinambarana’, respira cultura e exporta talentos de diversas vertentes da arte.

A terra tupinambarana é palco para uma das maiores manifestações folclóricas do País: o duelo entre Boi Garantido – representado pelas cores vemelho e branco – e o Boi Caprichoso de cores azul e branco. O Festival Folclórico de Parintins acontece há 47 anos e apresenta durante três noites a cultura indígena fundida ao modernismo da civilização.

Rituais,  lendas, danças e  comidas tradicionais do povo que vive no entorno da Ilha são os principais temas mostrados pelos agremiações folclóricas, na Arena do Bumbódromo. A paixão pelos bumbás está em todas as partes da cidade. Residências, telefones públicos e até agências bancárias se vestem das cores azul e vermelho.

Festival de Parintins. Foto: Chico Batata/ Agecom

Festival de Parintins. Foto: Chico Batata/ Agecom

Um pouco de história

No fim do século XIX, nordestinos vieram para a Amazônia em busca das riquezas geradas pela extração da borracha. Os imigrantes trouxeram uma das tradições culturais mais fortes do Nordeste: o bumba-meu-boi. Em Parintins, a festividade encontrou outro boi, genuinamente amazônico, e se transformou no boi-bumbá de Parintins.

Até a década de 60, os bois se apresentavam nas casas e nos quintais de Parintins. Às vezes se encontravam nas ruas e o confronto, até violento, era inevitável. A brincadeira foi organizada, cresceu, evoluiu e transformou-se em espetáculo.

Apresentação do Boi Caprichoso. Foto: Chico Batata/ Agecom

Apresentação do Boi Caprichoso. Foto: Chico Batata/ Agecom

Festival Folclórico de Parintins

O Festival Folclórico de Parintins é uma festa a céu aberto, onde o Boi Garantido e o Boi Caprichoso competem. A toadas – enredos da competição – marcam a disputa. Antes do confronto, os brincantes dos dois bois ensaiam nos currais, que são os locais de ensaio e confecção das alegorias.

A competição entre os bois acontece no “Bumbódromo”. A arena tem capacidade para até 35 mil pessoas. Chamado de Centro Cultural Amazonino Mendes, o local é aberto à visitação o ano inteiro.

A Festa do Boi acontece anualmente, sempre no último fim de semana do mês de junho.

Festival de Parintins. Apresentação do Boi Garantido: Foto: Chico Batata/ Agecom

Festival de Parintins. Apresentação do Boi Garantido: Foto: Chico Batata/ Agecom

A Festa em Manaus

Todos os anos, antes do Festival, os bois Garantido e Caprichoso realizam festas em Manaus para angariar fundos para a Festa. Apesar da ajuda do Governo do Amazonas e do patrocínio de importantes empresas nacionais e multinacionais, os bois realizam no sambódromo de Manaus, em sábados intercalados, apresentações de dança e música. Nesses dias os brincantes aprendem as letras do festival e ensaiam as coreografias com os bailarinos de cada agremiação.

Em Manaus, as toadas de Parintins são tão populares, que duas vezes por ano, são realizadas festas tendo as toadas como ritmo. Uma delas é o Carnaboi, realizado nos dois últimos dias de Carnaval. Outra festa é o Boi Manaus, realizada nos dias em que se comemora o aniversário de Manaus, 24 de outubro. São três dias de festa no sambódromo de Manaus com a participação de mais de 300 mil pessoas.

Boi Manaus. Foto: Arquivo/ Portal Amazônia

Boi Manaus. Foto: Arquivo/ Portal Amazônia

Cultura cabocla

Em Parintins, o cotidiano amazônico está imortalizado em obras de artistas regionais. Quadros, miniaturas de barcos, acessórios femininos e indígenas, entre outros objetos, retratam a cultura cabocla com fidelidade. Nada escapa aos olhares dos pintores. Em cores, eles representam as cenas amazônicas, como a sensualidade da índia ou as atividades pesqueiras do ribeirinho às margens dos rios.

Passeio de triciclo

A Ilha Tupinabarana dispõe de triciclos para o visitante que deseja conhecer a cidade com calma. Os veículos possuem cobertura para proteger do sol e assento com espaço para três pessoas. O passeio de triciclo custa, em média, R$ 10 por pessoa.

Passeio de triciclo custa, em média, R$ 10 em Parintins. Foto: Eliena Monteiro

Passeio de triciclo custa, em média, R$ 10 em Parintins. Foto: Eliena Monteiro

Parada para o café

No Mercado Municipal de Parintins, o café regional é garantido e caprichado. Os destaques são para a tapioquinha e para o “x caboquinho” (pão recheado com tucumã e queijo qualho). Com menos de R$ 10, é possível se satisfazer com o café da manhã.

Tapioquinha com queijo, uma iguaria do café da manhã em Parintins. Foto: Eliena Monteiro/ Portal Amazônia

Tapioquinha com queijo, uma iguaria do café da manhã em Parintins. Foto: Eliena Monteiro/ Portal Amazônia

Atrações turísticas

Passeio pela Orla do rio Amazonas – o calçadão do porto possui bares e restaurantes com delícias regionais, como o peixe.

Currais dos bois – visita aos “currais” dos bois Garantido e Caprichoso, locais onde ocorrem os ensaios e se criam as fantasias e alegorias.

Boi Garantido – Endereço: Rua Gomes de Castro, 685. Horário de Funcionamento: Terças e Quintas, a partir das 19h. Sábado, às 22h. Domingo, às 17h e às 20h. Segundas e Quartas a partir das 19h. Entrada franca.

Boi Caprichoso – Endereço: Rodovia Odovaldo Novo, km 1, s/n – Baixa do São José. Horário de Funcionamento: Terças, Quintas, Sextas e Domingos, a partir das 20h; Sábados, a partir das 21h. Entrada gratuita, exceto festas nos dias que antecedem o Festival.

Serra da Valéria – com vista panorâmica da região e sítio arqueológico, a Serra da Valéria situa-se a 15 quilômetros de barco de Parintins, no Rio Amazonas.

*Colaboraram: Gláucia Chair e Hemilly Lira

Palafitas do Lago, vista paradisíaca em Parintins. Foto: cedido por Pablo Nogueira

Palafitas do Lago, vista paradisíaca em Parintins. Foto: cedido por Pablo Nogueira

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