
Foto: Mário Vilela/Funai
MANAUS – O município de São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Amazonas, completa no último sábado, 3 de setembro, 120 anos de emancipação. Considerada a mais indígena do País, a cidade mantém os costumes e as tradições de 23 etnias que habitam a fronteira do Amazonas, com a Colômbia e a Venezuela.
Para comemorar a data especial do município, a prefeitura programou um café regional,feira de artesanato e atividades esportivas. Ao longo do dia haverá apresentações de danças e rituais indígenas. Para finalizar o dia de festa, apresentação de bandas locais.
O município
Em meio à urbanização, o município de São Gabriel da Cachoeira, com cerca de 19 mil habitantes, destaca-se por preservar a cultura indígena. A maioria dos habitantes, descendentes de indígenas, pertencem a atnias de tribos como dessana, ianomâmi e tukano .Num rápido passeio pelas ruas da cidade, pode-se observar tradições preservadas em hábitos, línguas e alimentação. Para se ter uma ideia da importância da cultura indígena no local, basta dizer que o próprio prefeito Pedro Garcia, pertence a uma tribo da região.
Características tradicionais misturam-se à modernidade. As escolas mesclam o ensino tradicional com idiomas e culturas oriundas dos primeiros povos indígenas da Amazônia. Em todas as partes, é possível observar o conflito entre o moderno e o antigo.
Nem mesmo quanto à saúde, os moradores de São Gabriel da Cachoeira abandonam tradições passadas há gerações. Até hoje, os enfermos procuram pajés e curandeiros, especialistas nos rituais mais antigos da Amazônia. A decisão de procurar um hospital, muitas vezes, é tomada apenas após passar por todas as tentativas de encontrar a cura na tradição.
A beleza exuberante encontra-se em toda parte neste município. Entre serras, desce o rio Negro, que passa pela frente da cidade, mostrando uma espécie de corredeira entre as pedras.
Foto: Mário Vilela/Funai
Além da cultura, o município apresenta alguns dos mais belos cenários amazônicos. O monumento natural “A Bela Adormecida” encanta os visitantes. Segundo a lenda dessana, um índio ofereceu suas duas filhas em casamento à entidade Basebó. O ser sagrado caiu nas graças de uma das moças e, em homenagem a ela, criou as formas rochosas que lembram a silhueta feminina.
E para quem gosta de lendas, a cidade é um celeiro delas. Povoada por mitos, os habitantes contam “histõrias” sobre a origem do município e encantos amazônicos. Não é difícil ouvir experiências com os seres fantásticos da floresta, como “Curupira”, “Cobra Grande” ou outros mitos regionais.
A cultura indígena reflete ainda nas atividades econômicas dos moradores.A agropecuária de subsistência é, até hoje, a maneira escolhida para sustentar as famílias do município. Entre os produtos cultivados na cidade, destacam-se as produções de mandioca, abacaxi, abacate e banana.
Nas primeiras ruas de Belém, construções portuguesas dos séculos 17 e 18, mostram estilos arquitetônicos como o neoclássico do italiano Antonio Landi.
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