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31/08/2012 às 19:46 Hêmilly Lira - jornalismo@portalamazonia.com

Descubra a Gaby Amarantos mãe, rainha do tecnobrega e da Amazônia

Em entrevista descontraída ao Portal Amazônia, Gabriela Amaral dos Santos fala sobre carreira regional, cultura amazônica e planos para o futuro

Gaby. Amarantos. Foto: Divulgação/ Facebook da cantora

Gaby. Amarantos. Foto: Divulgação/ Facebook da cantora

MANAUS – Ela não veste 38 e tem um look bem diferente. Gaby Amarantos é paraense e canta tecnobrega para o País inteiro. A artista aporta em Manaus para o show Forró das Estrelas do Studio 5, no próximo dia 4 de setembro. Em entrevista ao portalamazonia.com, ela falou sobre carreira, reconhecimento nacional e planos para o futuro.

Qual é o sentimento de saber que, hoje, você é referência nacional da música paraense, ao lado de outros grandes nomes?

Sinto-me muito feliz. São muitos anos trabalhando por isso. Consegui fazer com que as pessoas entendessem essa sonoridade não só paraense, mas também amazônica. Em eventos internacionais, as pessoas não veem o som da Gaby Amarantos apenas como a cultura do Pará e sim da Amazônia como um todo. Os olhos do mundo saltam para a nossa região, e fico feliz que a minha música também tenha estimulado isso.

Você cantava samba antes. Como se deu essa transição para outros ritmos típicos do Pará?

Na verdade, não parei de cantar samba. Só agreguei esses estilos mais latinos, como a cúmbia, a salsa e o próprio brega. A partir daí, nós adotamos o tecnobrega, que é uma música contagiante que faz todo mundo dançar e com ele fui reconhecida no País.

Porque cantar tecnobrega? Como você o define?

O tecnobrega é a música eletrônica mesclada à típica sonoridade paraense e brasileira. O ritmo nasceu na periferia paraense e como eu vim de lá, adotei como carro-chefe do meu trabalho. Na verdade, esse ritmo é uma modernização dessa música que a gente chama de brega e que faz sucesso desde a Jovem Guarda. Nessa nova cena musical, nós agregamos novos elementos. O tecnobrega é a autêntica música da periferia brasileira, diferente do funk que tem raízes norte-americanas.

Você ainda se considera a Beyoncé do Pará? Ou essa fase já passou?

Nunca me considerei. É um apelido carinhoso. Eu sou Gaby Amarantos e as pessoas já me conhecem pelo meu nome.

Cantar a cultura paraense é algo concreto em sua carreira. Daqui pra frente, você pretende traçar outros perfis musicais?

Com certeza. Já estamos pensando no segundo disco com nossa identidade e que seja mais abrangente. Vamos aproveitar ainda mais os ritmos da periferia brasileira. Passei muito tempo cantando samba e MPB e sempre me propus a fazer um pouco de tudo. Também queremos mostrar esse meu outro lado. As sonoridades paraenses são minha marca, mas pretendo me renovar sempre e fazer as minhas leituras da música brasileira. A gente tem muita coisa pra mostrar ainda.

Você canta composições de grandes artistas paraenses. O que isso significa pra você?  É o Norte conquistando seu tão almejado espaço no País?

A gente vive um momento muito especial na música brasileira e isso cria um movimento. Parece que o Norte não existia. A nossa existência era totalmente ignorada. A banda Calypso, por exemplo, expressou isso muito bem com o verso “… isso e muito mais você só vai encontrar no Pará”. Eu percebo que as pessoas começam a voltar os olhares não só para a Gaby Amarantos, mas também para a diversidade cultural amazônica. Nossas artes plásticas, nossa culinária. As pessoas acabam se interessando por toda a região. E isso é muito legal. Fico feliz por fazer parte disso. Até mesmo os artistas estão nos reconhecendo muito mais.

Como você explica o ‘boom’ de Gaby Amarantos?

No Pará, estourei com o público povão. Porém, comecei a chamar atenção da galera mais underground. Virei Cult e vieram os convites para participar de festivais, com esse perfil de público formado por jornalistas, intelectuais e formadores de opinião. Isso é muito bom porque atrai mais a atenção da mídia. No cenário nacional, esse processo de reconhecimento foi inverso. Veio do underground e foi pro povão. Começamos a participar de eventos segmentados e agora que a gente consegue chegar no povão. Fico impressionada com o público que curte o meu trabalho: é uma mistura de todos os gêneros e idades. Eu sempre digo: “gente olhem pra isso vocês conseguem perceber esse movimento?”

Quais os próximos passos até o fim do ano?

A gente grava um DVD e um viodeclipe em dezembro. Ainda não escolhemos em qual capital brasileira será gravado o DVD. Também não definimos a música para o videoclipe. Estamos trabalhando bastante o disco “Treme”, que está participando de várias premiações como o VMB e o Prêmio Contigo.

Há diferença entre Gaby Amarantos e Gabriela Amaral dos Santos?

Elas se confundem. Elas se encontram em alguns momentos e em outros elas se separam. É um processo contínuo. A Gaby Amarantos prevalece quando quer estar no palco, nas capas de revistas e sempre divulgando o trabalho musical da Amazônia. A Gabriela Amaral é mãe, reservada, e precisa de momentos de anonimato. Todo mundo acha que eu sou uma drag queen montada 24h por dia! Mas não é sempre assim. Existe diferença.

Aqui você também tem fãs. Qual o recado que você manda para eles?

Acho que Manaus tem uma cultura incrível, culinária e música, principalmente. É tudo maravilhoso. Dizem que existe uma rivalidade entre paraenses e amazonenses, mas essa rivalidade não chegou até mim e se chegar, “quero acabar com essa frescura” (risos). Somos todos amazônicos e temos que nos unir para que cada vez mais sejamos respeitados no País. Eu adoro a música daí. Fico muito feliz com o carinho das pessoas que recebem a gente no aeroporto, interagem pelas redes sociais. É muito bom receber esse carinho.

Sobre o show em Manaus, o que podemos esperar?

O show mudou bastante. Está maior, mais estruturado e a banda ganhou  novos membros. O show está mais performático. Sobre o repertório, a gente pretende trabalhar as músicas do disco. Estamos planejando outras surpresas para Manaus.

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