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21 de junho de 2012 - atualizado as 15:39
Música
Amazonas

Chico Buarque atravessa gerações e encanta amazonenses

Hêmilly Lira - jornalismo@portalamazonia.com
Show de Chico Buarque no Canecão em 1987, fotografado por Ricardo Oliveira.

Show de Chico Buarque no Canecão em 1987, fotografado por Ricardo Oliveira.

MANAUS – Tímido e de sorriso leve, adjetivos modestos para um gigante talento da Música Popular Brasileira. Falamos de Chico Buarque de Holanda, cantor, compositor e escritor que completou 68 anos nesta semana.  A obra de Buarque encanta pessoas do País inteiro, e em Manaus, alguns fãs conversaram com o portalamazonia.com sobre admiração pelo “compositor do século” .

Francisco Buarque de Hollanda participou ativamente da luta contra a ditadura no Brasil. Ao longo de sua carreira, até agora, já lançou 53 discos, escreveu peças como Ópera do Malandro e Calabar, além de obras infantis, como Chapeuzinho Amarelo e Saltimbancos.

Em 1976, a mãe do fotógrafo amazonense, Ricardo Oliveira, o levou para assistir Os Saltimbancos, no Rio de Janeiro. “Esse foi meu primeiro contato com as obras dele. Um tempo depois estudando algumas músicas descobri que a peça foi escrita pelo Chico”, contou Ricardo.

O fotógrafo, desde então, passou a acompanhar a carreira do compositor’. “Fui morar no Rio em 1973 e assisti a diversos shows do Chico. Em 1975, curti na primeira fila uma apresentação histórica dele com Maria Betânia no Canecão”, disse orgulhoso o fã amazonense.

Além de colecionar todos os álbuns e LPs do Chico Buarque desde 1966, Ricardo tem artigos raros como a capa censurada do disco do compositor na época da ditadura. Outra raridade é o primeiro Song Book do cantor. Lançado em 1966, o livro feito pela livraria Francisco Alves, é todo manuscrito por Chico junto com cifras de músicas do cantor. “Guardo até mesmo todos os canhotos d shows que asssiti dele”, disso, aos risos, o fotógrafo.

Musicalidade

Ricardo Oliveira é fotógrafo, mas também brinca de música. De forma modesta, o profissional afirma que a linha melódica produzida por Chico é um dos itens que chama a atenção. Para o fã, outro destaque do trabalho de Chico é a ‘revolução’ musical que ele protagonizou. “Revolução musical porque ele adicionou às músicas outros estilos como o chorinho, a valsa e até mesmo o samba”, explicou Oliveira.

Essa diversidade musical está impressa no disco ‘ Meus caros amigos’, que trouxe ao cenário musical brasileiro um novo olhar para o chorinho. “As músicas que mais mexem comigo são as maravilhas compostas por ele no início da carreira aos 23 anos, como ‘Quem te viu, quem te vê’,  ‘Vitrine’ e ‘Beatriz’, feita em homenagem à esposa”, disse emocionado o fã amazonense.

Capa dos Manuscritos de Chico Buarque de Hollanda. Foto: Ricardo Oliveira

Capa dos Manuscritos de Chico Buarque de Hollanda. Foto: Ricardo Oliveira

O legado de Chico Buarque, assim como no Brasil e até fora do País, por aqui, no Amazonas, se depender de Ricardo Oliveira será propagado. “Dá para contar a história do Brasil só com as músicas dele. É essa estética musical de bom gosto que minha mãe me passou e que quero passar para meu filho”, finalizou o fotógrafo.

Grandes nomes da música amazonense concordam com a opinião de Ricardo.  Nícolas Júnior, por exemplo, conta que começou na música tardiamente, mas, bem antes disso já curtia Chico Buarque de Hollanda. “Identifico-me muito com o lado crítico dele. Claro que o Chico fala do universo feminino como ninguém, mas o que me encanta é a sutileza e maestria com que ele faz críticas sociais”, afirmou o cantor e compositor conhecido pela regionalidade tradicional.

Já na vivência musical, Nícolas conta que no repertório de barzinho é inevitável e imprescindível tocar Chico Buarque. “Entre as músicas que mais gosto de tocar estão: ‘Atrás da Porta’ e ‘Vitrine’”, completou o músico.

Cileno Conceição é um ícone do Reggae amazonense. Por ser conhecido pelo reggae, não significa que ele não tenha contato com as obras de Chico Buarque de Hollanda. “Sempre toquei MPB, além do reggae, mas tocar Chico não era hábito meu. Apenas o admirava e ensaiava algumas músicas dele. Não achava que minha voz caía bem com suas canções”, revelou o artista.

Em dueto, a convite da cantora Amanda Aparício, Cileno interpretou pela primeira vez as canções de Chico: João e Maria e Bye Bye Brasil. Amanda é uma jovem promessa do cenário musical amazonense. Recentemente, ela fez um tributo a Chico Buarque, e o repetiu no Largo de São Sebastião. Desta vez, com auxílio luxuoso de diversos nomes da música popular amazonense.

Chico Buarque de Hollanda. Foto: Alexandre Durão/G1

Chico Buarque de Hollanda. Foto: Alexandre Durão/G1

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