ITACOATIARA – Cantores e compositores de várias partes do País tem um destino em comum no feriado da Pátria: Itacoatiara. Distante 267 quilômetros de Manaus, o município banhado pelo rio Amazonas, promove há 27 anos, o Festival da Canção, evento que atrai cerca de 200 mil visitantes por edição.
A cidade, repleta de história, sempre tem algo a contar, na fala mansa dos moradores, habituados com a vida pacata do interior.
A terceira cidade mais populosa do Estado tem quase 90 mil habitantes, entre eles, pessoas como o seu Sebastião Marinho, de 88 anos. Na orla da cidade, Sebastião estaciona o carrinho onde armazena as garrafinhas de abacatada, que vende aos clientes. “Sou eu mesmo que faço depois que minha esposa morreu. Resolvi fazer isso para não ficar sozinho em casa”, disse.

Seu Sebtasião Marinho/ Foto: Hêmilly Lira
Sebastião Marinho é itacoatiarense de coração. Diz que escolheu a cidade para morar há 25 anos. “Foi aqui que eu e minha esposa vivemos e é aqui que eu vou ficar até quando Deus quiser”, enfatizou, andando em compasso de quem já viveu muito.
No local onde seu Sebastião vende sua abacatada, foi encontrada a pedra pintada. O objeto arqueológico deu origem ao nome da cidade. O termo em tupi-guaraní – i’tá kwati’ara – foi traduzido para a grafia portuguesa – Itacoatiara. De acordo com o historiador Francisco Gomes da Silva, a pedra, bem como outras encontradas na orla da cidade, é um artefato com inscrições rupestres e representações de figuras antropomorfas gravadas no período pré-histórico. É atribuída aos índios de língua Aruak.De acordo com escritos históricos, Padre Antonio Vieira criou a Missão dos Aroak na calha do Rio Madeira. Os índios Muras não deixavam a missão progredir. Com isso, o local foi mudando até chegar ao sítio Itacoatiara, situada na margem esquerda do Rio Amazonas, depois elevado a categoria de Vila, quando recebeu o nome de Serpa.

Foto: Hêmilly Lira
Serpa foi duramente atingida pela Revolução dos Cabanos. Finalmente, em 25 de abril de 1874 foi elevada à categoria de cidade, quando recebeu o nome indígena de “Itacoatiara”.
Quem passeia pela frente da cidade, consegue ver construções antigas e prédios históricos que lembram a batalha naval de 1932. O fato histórico é destaque nos 137 anos de Itacoatiara. A batalha foi travada entre navios constitucionalistas de São Paulo e rebeldes contra o governo de Presidente Vargas. Os rebeldes conseguiram tomar Parintins, mas Itacoatiara foi salva pelos navios Ingá e Baependi.

Foto: Hêmilly Lira
Cada casa, prédio, praça e igreja de Itacoatiara têm uma história para contar. A cidade tem um imporantes acervo arquitetônico, mas muitas construções, já deteriorados pelo tempo, precisam ser restauradas. Um exemplo é o Centro Cultural Velha Serpa. Segundo o morador Bruno Braga, o local onde está estabelecido o espaço era o antigo abatedouro de bois da região. Com seus 8.910 quilômetros quadrados, Ita como é conhecida pelos habitantes, abriga o quinto maior rebanho bovino do Amazonas.

Centro Cultural Velha Serpa
Outro local interessante que merece uma visita na cidade é a praça que recebeu o “selo verde” por não ter nada artificial. Os bancos da praça são feitos de madeira, produto que, por sinal, rege a economia da cidade. A principal atividade econômica provém de indústrias madeireiras que responde pelo maior índice de geração de empregos e renda para a população.

Na economia itacoatiarense, o enorme porto graneleiro chama atenção. A terra do Fecani conta com um porto que exporta a soja produzida no cerrado mato-grossense. O produto chega até a cidade por meio de hidrovia.
A religiosidade completa e rege a história da cidade. No aspecto religioso é notória a tradição do povo itacoatiarense de festejar santos. A festa da padroeira N. Sra. do Rosário atrai grande número de devotos, assim como a festa do Divino do Santo Antonio.

Igreja Matriz de Itacoatiara
Com uma população acolhedora, Itacoatiara parece abraçar o visitante com sua simplicidade em ruas com canteiros floridos. Deve ser por isso, que seu Sebastião Marinho senta todos os dias no seu banquinho em frente a orla da cidade para apreciar a gostosura de viver em Itacoatiara, contemplando os barcos que vem e vão, no imenso rio Amazonas.
Nas primeiras ruas de Belém, construções portuguesas dos séculos 17 e 18, mostram estilos arquitetônicos como o neoclássico do italiano Antonio Landi.
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Que lindo. A reportagem nos faz viajar por Itacoatiara, realmente um cantinho maravilhoso no coracao do Amazonas. Pena que o poder público náo invista na cidade que vive envolvida em escandalos políticos com o respaldo do governo estadual corrupto de Manaus, que sempre se beneficia das falcatruas do interior. Mas cadë justica que nada faz?