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22 de fevereiro de 2012 - atualizado as 02:10
Variedades
Amazonas

Carnaval de rua reúne multidão em Óbidos durante dois meses

Carnapauxis em öbidos é uma das festas de carnaval de rua mais populares do Brasil

Isaac Júnior
carnaval em obidos no Para -Foto Isaac Junior

carnaval em obidos no Para -Foto Isaac Junior

OBIDOS, PARÁ –  Um contador que é a cara do sambista Dudu Nobre, bonecos de  aproximadamente cinco metros de altura e uma multidão apaixonada pelo município, cuja folia já virou “febre” nesta época do ano. Estes são alguns dos ingredientes que temperam personagens que, embalados pelo “Mascarado Fobó”, fazem do Carnapauxis, uma das festas de carnaval de rua mais populares do Brasil.

O evento já vem se desenrolando há dois meses, no município de Óbidos (localizado na região oeste do Pará), mas começou oficialmente na última quinta-feira (16) e tem seu ápice nesta terça gorda de carnaval com o “Bloco das Virgens”, uma versão paraense do “Bloco das Piranhas”, de Manaus.

Uma multidão estimada em 15 mil pessoas por dia, de acordo com a Polícia Militar do Pará, tem percorrido as ruas da cidade, animada por trios elétricos e banhada por água de cheiro e pó de maizena. O destino é o Fobódromo, por onde já passaram blocos tradicionais como Xupa Osso, Serra da Escama, Umarizal (mirim) e Unidos do Morro. Este último reúne a maior concentração de mascarados fobó (folião vestido com um macacão colorido, máscara e capacete) e se apresentou nesta segunda-feira (20).

Apesar das cinzas, o tempero vai rolar solto também na Quarta-feira de Cinzas com o “Bloco do Alho”, que surgiu a partir da iniciativa de um grupo de pessoas que trabalhava durante o período momesco e não tinha a mesma oportunidade de brincar na festa.

Carnaval na cidade de Obidos no Oeste paraense -Foto: Isaac Junior

Carnaval na cidade de Obidos no Oeste paraense -Foto: Isaac Junior

 

Localizado à margem esquerda do rio Amazonas, (a 1.100 quilômetros de Belém por via fluvial), o município de Óbidos foi criado em 1755 e tem aproximadamente 60 mil habitantes, de acordo com o último Censo.

Exposição


Simultaneamente à folia, o visitante tem a oportunidade de conhecer a história do Carnapauxis, por meio de uma  exposição que faz uma viagem às origens dos sete blocos oficiais.  Organizada pela própria prefeitura de Óbidos, a exposição funciona de segunda a sexta-feira, na Casa de Cultura, com estandes, adereços, galeria de fotos e todo o histórico da festa.

Personagens anônimos

Para aproximadamente 400 pessoas, o clima do carnaval obidense começou em pleno rio Amazonas, no sábado (18). O último barco que saiu de Manaus para Óbidos teve um motivo extra para comemorar.  Além de completar dois anos de atividade, brindou os passageiros com muita marchinha durante toda a viagem, orquestrada pelo músico Rock dos Teclados, que é ex-integrante da banda paraense Simons e hoje toca pelos rios da Amazônia acompanhado do filho Ericson.

Em meio à alegria, uma figura no mínimo inusitada chamou a atenção de todos. Era o sósia do cantor e compositor Dudu Nobre.  No início, o contador amazonense Marco Antônio Santos, 42, ficou encabulado com os elogios, mas depois entrou no clima da festa. “Quando estou de óculos, a turma diz que me pareço com o Dudu, mas sem os óculos me comparam ao Romário”, disse ele. “A diferença está só no salário”, brincou ele, ao lado do proprietário da embarcação, Júnior Paiva, 42.

Economia no bolso 

Para ano que vem, a ideia é inovar. Segundo Júnior, quem for para Óbidos em 2013 para brincar o Carnapauxis poderá comprar passagens com o cartão de crédito, um projeto que, segundo ele, é inovador no ramo. Enquanto a alegria se estendia e o local da festa se aproximava, o gráfico Nildo Rocha, 41, aproveitava para vender portas-cerveja. Há seis anos, ele faz esse tipo de trabalho, com fotos personalizadas  sobre a história de Óbidos e, obviamente, do Carnapauxis. “Eu gosto de fazer o material e também é uma desculpa para não perder o carnaval todos os anos”, justificou. Cada produto é vendido a 2 Reais.

carnaval de rua em Obidos foto Isaac Junior

carnaval de rua em Obidos foto Isaac Junior

Figuras tradicionais    

O aposentado Almerindo Valente, o Bilu, 70, é daqueles que já brincavam o carnaval antes mesmo da criação do Carnapauxis, no fim da década de 90. Ele foi um dos homenageados pelo bloco Águia Negra, no último sábado, em reconhecimento aos serviços prestados à cultura obidense como artista plástico.

Ao lado de outras figuras, como o senhor Nonato Soares, conhecido como “Canela de Vidro” e que se vestia de morcego até o ano passado, ‘sêo’ Bilu vê mudanças significativas na estrutura da festa, em relação ao passado, mas com a ressalva de que, segundo ele, a participação popular era bem mais espontânea. “A gente se reunia e saía pelas ruas sem precisar de maisena, apenas do banho de cheiro”, observou.

Segurança      
 

Para o engenheiro de software amazonense Fábio Souza, 31, que já viajou por vários países e conhece diversas culturas, o Carnapauxis movimenta bastante a cidade de Óbidos e um  dos pontos positivos da festa é a segurança. “É um ambiente familiar, que reúne desde crianças de colo a pessoas idosas. Eu observei que é uma brincadeira tranquila”, disse.

Melhorias  
 

A tradição e o aumento cada vez mais intenso do número de visitantes mostram outra realidade no carnaval em Óbidos. Muitos moradores e visitantes reconhecem que a cidade ainda não evoluiu o quanto deveria e, com o passar dos anos, já se ressente de uma maior profissionalização para atender a demanda, não somente na época do carnaval, mas  também durante a festa da padroeira do município, Santa Ana, cujos festejos ocorrem no mês de julho.

De acordo com a professora de Geografia Ruth Oliveira, 39, uma rede hoteleira e melhorias na estrutura de locais como o balneário Curuçambá, são necessárias para melhorias no atendimento aos visitantes, que chegam de municípios vizinhos como Oriximiná, Juruti e Santarém, e de outros estados e até países para conhecer a cultura obidense. “O nosso balneário é encantador em relação à beleza natural, porém precisa ampliar e ganhar melhorias dos serviços de restaurante e estacionamento”, avaliou.

Frequentador assíduo do Curussambá, o comerciante Vander Lúcio dos Santos, 42, o Louro, concorda com a geógrafa e vai mais além, quando o assunto é infraestrutura “A estrada que dá acesso ao banho está em péssimas condições e já deveria ter sido asfaltada. Do jeito que está, o risco de acontecer acidentes é grande”, disse ele, preocupado com a situação.

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