MANAUS – A integração entre corpo, teatro, dança e música é o vértice do trabalho desses atores. A Cia. Cacos de Teatro mostrou aos norte-americanos o projeto “Em Companhia de Um Só”. Com o primeiro passo dado e cinco anos de carreira, eles arrumam as malas para ultrapassar os limites geográficos brasileiros até a América Latina.
Taciano Soares, Ana Paula Costa, Francis Madson, Carol Santa Ana, Dyego Monnzaho. Todos são do Norte e Nordeste do País, e predominantemente amazonenses. “Éramos três atores que queríamos fazer arte, a arte do teatro. O nome Cacos de Teatro significa pedaços, fragmentados, partículas e células de um grupo cujo único propósito é fazer a arte da humanidade”, explicou o ator/diretor Dyego Monnzaho.
A barra que liga as palavras “ator/diretor” tem um propósito dentro da Cia. Trata-se da integração que acontece entre eles. “Queremos nos contaminar com a produção artística de cada integrante do grupo”, disse a atriz Ana Paula Costa.
“O que era um núcleo, acabou virando a Cia. A primeira montagem foi ‘O Marinheiro’ de Fernando Pessoa. É a única obra dramatizada dele”, completou Dyego Monnzaho. Depois desse espetáculo, a ‘Cacos’ não parou mais, até chegar ao projeto “Em Companhia de Um Só”.
Composto por cinco monólogos, o projeto foi premiado pela Funart. Dyego conta que o projeto espelha os argumentos cênicos de que cada ator queria tratar. “Buscamos estudar o fenômeno do espetáculo solo como manifestação de uma teatralidade contemporânea. Fomos dividindo funções entre direção e performance”, frisou.
Exemplo disso é o espetáculo “Trans”, pensado e produzido pela atriz Ana Paula Costa. As técnicas de teatro físico são utilizadas em 90% dos espetáculos produzidos pela Cia Cacos de Teatro. E foram essas técnicas que transitam nas artes da dança, música, e usam mais o corpo para falar, que impactaram os atores da Universidade Naugatuck Valley Community Colege, em Nova York.
“Eu tenho um amigo que morava aqui e foi estudar em Nova York. Lá, ele começou a trabalhar no grupo de teatro da Universidade, chamado Stage Sociaty”, explicou Ana Paula. A atriz contou ao portalamazonia.com que o musical é a vertente mais trabalhada no grupo, muito em função da Broadway. No final do ano passado, a atriz amazonense disse que a Cia norte-americana iniciou um projeto de intercâmbio e foi aí, que a Cacos de Teatro foi chamada.
O solo ‘Trans’, então, viajou de Manaus para os EUA. O arumento cênico apresentado por Ana Paula Costa era sobre o ‘padrão corporal’ cultuado pela sociedade contemporânea. Sobre o espetáculo, Ana Paula Costa, afirmou que não queria dizer nada. “Queria expor o que as pessoas fazem para atingir o padrão de estética atual e deixar espaço para a interpretação pessoal de cada telespectador”.
A atriz também ministrou uma oficina explicando o processo e os desdobramentos das técnicas teatrais usadas pela ‘Cacos’. “Transitamos por muita coisa. Usamos uma linguagem da performance do teatro físico (usa o corpo para se expressar) que tem influências do teatro oriental”, esclareceu Ana. A atriz descreve a viagem como uma grande troca de experiências. “Super bacana. Todos participaram, e gostaram principalmente dos aquecimentos que preparam o corpo para os trabalhos cênicos. Isso, os atores da companhia americana ainda não haviam tido contato com essa linguagem”.
A viagem rendeu frutos. Os integrantes da Cia. Cacos de Teatro afirmam que em breve voltarão à cidade de Nova York para levar todos os solos do projeto “Em Companhia de Um Só”. São eles: ‘Diário de Um Louco’, ‘Mãe – In Loco’, ‘Romeu/Jukeboxx’e ‘Off Inferno ou Lave os Céus para Que Eu Morra’.
Da Amazônia para os Estados Unidos, eles já foram. Agora o projeto é comemorar os cinco anos de carreira, com uma turnê por cinco estados brasileiros e cinco países da América Latina, que ainda serão definidos. Na agenda da Cia amazonense ainda tem apresentação no mês de março, no Espaço Mosaico, em Brasília.
Sinopses
Romeu Jukebox com Dyego Monnzaho – Livre inspiração na obra de Willian Shakespeare “Romeu e Julieta”). Sobre Mim: Tenho um metro e setenta e sete centímetros, cabelos negros, olhos castanhos escuros. Meu peso varia entre 68 e 70 quilos. Gosto de comer. Durmo muito. Tenho muitos amigos. Gosto das pessoas e tenho medo da morte. SOBRE O AMOR: Vírus? Estado emocional? Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou a uma coisa? Ou o objeto do amor? Sobre Romeu…
Mãe – in loco (Livre inspiração da obra de Bertolt Brecht “Mãe coragem e seus filhos”). Mãe – é uma palavra carregada de exímio sentindo. O lugar de Mãe – In Loco é inóspito, desregrado e cruel.
Trans – solo em performance, com Ana Paula Costa. Do latim trans, elemento de formação de palavras que exprime a ideia de além de, para além de, em troca de, através e para trás.
Em um mundo de aparências, o que existe por trás do que se vê? Além do seu reflexo? O que se dá em troca do corpo perfeito, da beleza ideal? Um percurso que transforma, deforma, transgride, agride, confunde-se e se perde.
Diário de um Louco, com Taciano Soares - A discussão humana tem repercutido de maneira esquizofrênica. O que nos determina reais numa sociedade caótica? Qual o limite da sanidade? Talvez a evasão desses universos esteja pautada na própria inversão do sentido de ser real.
[OFF]Inferno ou Lave os céus para que eu morra, com Francis Madson. O corpo – performance – evidencia nove sensações, distribuí energias e quedas. O corpo-morto quebrado perpassa por nove círculos e comungam uma relação de conjunto com humanidades. A culpa, o caos, a intervenção, a mídia, a performance, as trevas e a solidão são conjuntos participativos dessa grande caixa de pandora. O encontros dos elos são ocasionados pela sucessão de imagens do corpo em queda, em sobressalto, na sua humanidade mais frágil, ou seja, nos acréscimos da morte. [OFF] INFERNO ou Lave os Céus para que eu morra é um convite ao pós.
09 círculos. 09 caixas. Um corpo. Sensações. Imagens. Quedas. OFF. Pecados. Contrapassos. Experimento. Processo. Culpa. Caos. Intervenção. Mídia. Performance. Trevas. Solidão. Fracasso.Inferno. Interno.
A exibição das obras de arte acontece nesta sexta feira (18), para o público infantil do Parque Cidade da Criança, em Manaus.
Mais de 15 obras entre pinturas e instalações estarão expostas até o dia 31. A exposição estará aberta para visitações a partir das 18h nesta quarta-feira.
A intenção é introduzir estudantes e professores no conhecimento dos processos envolvidos na produção de filmes de curta-metragem
Registros fotográficos, telas e peças da cultura indígena fazem parte da mostra.