BELÉM - Começam nesta terça-feira (10) as obras de restauração do Teatro Experimental Waldermar Henrique, no centro de Belém. O espaço, que passou ano passado por uma reforma no forro de madeira, será totalmente recuperado até o fim do ano. O trabalho inclui obras nas estruturas de sustentação, restauro do forro e instalação do sistema de ar-condicionado. Pelo menos R$ 4 milhões são investidos pelo Governo do Estado na reforma do Waldermar Henrique, bem como na recuperação do Teatro Margarida Schivasappa e do Cine-teatro Líbero Luxardo, ambos no Centur.
O músico e diretor do Waldemar Henrique, Salomão Habib, diz que o teatro passou por poucas reformas como a que será realizada agora. A última, segundo Habib, ocorreu em 2006. Desde então, o teatro não teria recebido nenhuma manutenção. “Será um trabalho minucioso de restauro, principalmente do forro, que ano passado quase vem abaixo, se não fosse a reforma que realizamos. Mas uma obra como esta, de restauro, ocorreu pouca vezes. A última foi em 2006 e desde então não teve manutenção”, afirma.
O projeto de reforma do Waldemar Henrique foi desenvolvido pela Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), em parceria com técnicos e diretores da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (FCTN). Além da modernização das estruturas, será realizada a descupinização de efeito prolongado, que permitirá a conservação dos espaços e materiais da casa de espetáculo. De acordo com Salomão, não só os elementos de madeira serão restaurados, mas a fachada do prédio será revitalizada, bem como os espaços de ensaios e camarins dos artistas.
Os recursos de R$ 4 milhões garantem ainda a manutenção e a renovação do material de cenotecnia, o que inclui maquinário cênico, como polias, cordas, estrutura para caixas de som, cortinas, tapetes, mesa de iluminação e refletores. No caso específico do Teatro Waldemar Henrique, a reforma deverá instalar uma porta acústica.
Artistas aguardam ansiosos pela reforma
Fundado em 1918, no início do século XX, o Teatro Experimental Waldemar Henrique só passou a ter esta finalidade no final da década de 1980, quando os artistas reivindicaram um local onde pudessem elaborar espetáculos e desenvolver novos conceitos cênicos. “O Waldemar Henrique é um dos pouquíssimos teatros experimentais do Brasil. Aqui os artistas têm a possibilidade de criar vários conceitos cênicos. O palco desmontável, os elementos do teatro, como a escada, e a estrutura de som e luz permitem que o artista saia do tradicional e elabore projetos de experimentação profissional. O que é muito diferente de um teatro com palco italiano (tradicional)”, explica Habib.
Como músico, Salomão Habib diz que a expectativa para a reforma do teatro é muito grande. “A gente sabe de todos os trâmites que o projeto de restauro do Waldemar Henrique passou até o início desta obra. É um prédio tombado pelo município, pelo Estado e é considerado patrimônio histórico nacional. É preciso haver manutenção e muito cuidado com tudo o que representa cada elemento deste teatro”.
Para o ator Adriano Furtado, que faz parte do grupo Palhaços Trovadores há 8 anos, o Teatro Experimental Waldemar Henrique é um local de formação. “Nada mais é do que um berço para todos nós, artistas. Este espaço foi responsável pela formação de grandes atores e artistas do nosso Estado e continuará sendo graças a esta restauração”, diz Adriano, que desde o início de sua profissão como ator participou de espetáculos naquele espaço.
“O Waldemar Henrique tem uma importância histórica, pois foi construído desde o início do século passado, e uma importância artística, na formação dos atores. É o nosso espaço de experimentação, que sempre esteve disponível para quem está começando nas artes e precisa se sentir valorizado, com oportunidades. Espero com ansiedade essa reforma, pois queremos o teatro de volta para o nosso cotidiano, e para o cotidiano do público paraense”.
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