Portal Amazônia » Cultura » Matéria

arte

11/09/2012 às 16:23 Hêmilly Lira - jornalismo@portalamazonia.com

Longa “Rogar” será filmado no Amazonas em 2013

Além do sertão cearense, o longa também será filmado em Manaus e em cidades do interior do Amazonas, como Cacau Pirêra, Iranduba e Parintins, e ainda na região do arquipélago de Anavilhanas.

Bola do filme "Rogar". Foto: Divulgação

Bola do filme “Rogar”. Foto: Divulgação

MANAUS – Uma família, uma bola, a seca e a simplicidade. Essas são palavras-chave do filme “Rogar”, de Hidário Matos. O longa-metragem será filmado no Amazonas em 2013. A viagem da bola pelo Nordeste até chegar ao Norte do País é pano de fundo para o êxodo de uma família que foge da seca feroz do sertão.

A pesquisa e o desenvolvimento do roteiro de ‘Rogar’ começou em 2011. A pré-produção e preparação se estenderão até julho do próximo ano. “Iniciaremos as filmagens em agosto e finalizaremos em setembro de 2013. O lançamento está previsto para seu maio de 2014”, explicou o diretor Hidário Matos.

De produção brasileira, ‘Rogar’ será rodado em digital de última geração. Além do sertão cearense, o longa também será filmado em Manaus e em cidades do interior do Amazonas, como Cacau Pirêra, Iranduba e Parintins, e ainda na região do arquipélago de Anavilhanas.

Segundo o diretor, a história fala não do futebol oficial, mas do futebol popular, das várzeas, dos campinhos, do futebol de rua, dos terreiros e de todos os lugares onde uma bola qualquer que seja, reúna pessoas diferentes. “Vamos contar parte da história do Brasil que pouco foi contada. Em primeiro plano, estão o futebol e a fé. Muitos cineastas preferem esquecer a fé, a religiosidade quando estão falando sobre futebol, mas, para nós, eles sempre estão muito próximos. Estes dois vetores sociais que sempre unem e separam as pessoas”, enfatizou o diretor.

Arquipélago de Anavilhanas, o segundo maior fluvial do mundo. Foto: Ribamar Caboclo

Arquipélago de Anavilhanas, o segundo maior fluvial do mundo. Foto: Ribamar Caboclo

Investimento no setor

Uma das intenções do projeto do “Rogar” é abraçar profissionais das regiões, e ainda se transformar em ferramenta de formação e inclusão social por onde o filme passar. “Consideramos que a história do filme fala desta oportunidade e que esta é uma responsabilidade de toda a nossa nação brasileira”, disparou o Hidário Matos.

O diretor cita o exemplo do longa “A Selva”, filmado no Amazonas. Durante a produção, a pedido do governo local, um grupo de jovens moradores de rua foi convidado para aprender e trabalhar nos cenários de Manaus. A população ribeirinha moradora da região onde se construiu a cidade cenográfica da Vila Paraíso, também foi contratada e treinada. “Nossa missão neste cinema geográfico no Brasil não é somente produzir um filme para ser assistido nas TVs e Cinemas, mas também deixar um rastro investigativo e formador nas comunidades por onde passa”, revelou Matos.

Visita do diretor ao município de Cacau Pirêra no Amazonas. Foto: Divulgação

Visita do diretor ao município de Cacau Pirêra no Amazonas. Foto: Divulgação

A equipe do filme também desenvolverá atividades paralelas de formação e capacitação no período da pré-produção e das filmagens. Visitas aos sets, com foco em estudantes de terceiro ano, membros de ONGs e afins estão na programação. As atividades têm o objetivo de desenvolver o senso crítico do saber/fazer cinema e promover o estímulo à profissionalização do setor.

‘Rogar’ é uma produção da Mungango Produções e leva a assinatura de Hidário Matos na direção e produção executiva, e ainda de Sergio Silveira, no roteiro e direção de arte. Além disso, o filme também ganhou a parceria da Secretaria de Cultura do Amazonas e da Amazonas Film Comission.

Sinopse do filme

Uma velha bola de futebol atravessa gerações de uma família do sertão seco de Quixadá, acompanhando seu êxodo para os grandes rios do Amazonas. Durante 130 anos, ela testemunhou assombrações, profecias messiânicas, penitencias e milagres.

Esta bola frequentou apenas os campinhos de várzeas, açudes secos, areias de rios, quintais, aldeias, palafitas, ruas, cemitérios, rios, viajando por estas imensas e contrastantes regiões do Brasil.

Antenorzinho, um menino frágil, que não nasceu para vingar, aprendeu a jogar futebol com a velha bola, trapaceando no seu campinho cheio de maracutaias.  Ele desprezou o amor da morte em forma de menina e, por isso, foi amaldiçoado, perdendo tudo o que ganhava, se tornando, por fim, um velho alcoólatra e solitário.

Arte: Divulgação

Arte: Divulgação

Assim, o menino, após alcançar seu júbilo, já adulto, consentido pelo destino, perde as razões de sua felicidade: seu talento para o futebol após a morte do pai Chico, profeta da chuva; sua capacidade de amar após a morte de sua esposa, uma bela Cunhãporanga, no parto de seu filho.

Aos 60 anos de idade, desempregado, distanciado de seu filho, refugiado no álcool, perambulando pelas ruas, tem uma nova e ultima oportunidade em sua vida.

Seu filho Fábio passa a ser o novo guardião da bola. Junto com Marta, ex-prostituta, atual mulher de Antenor e Garrincha, o cachorrinho da família, vão em busca do velho desaparecido.

Este cenário em Quixadá (Ceará) servirá para compor uma das últimas cenas do filme. Foto: Divulgação

Este cenário em Quixadá (Ceará) servirá para compor uma das últimas cenas do filme. Foto: Divulgação

Após um sonho, Fábio vaga pela casa e encontra o santuário de memórias de seu pai, escondido há anos num velho fusca, revelando seu passado de grande jogador de futebol e a identidade de sua verdadeira mãe.

Esta descoberta recupera as relações fraturadas entre os personagens e lhes dão um novo rumo, em busca da felicidade.

Por desventura da vida, o velho é preso, e é justamente quando reencontra velhos amigos do campinho de Quixadá. Revive seu heroísmo em uma partida de futebol na cadeia e morre glorificado nos braços dos amigos.

O novo guardião chuta a bola e ela sobrevoa toda a Amazônia retornando ao sertão de Quixadá, caindo aos pés de uma criancinha, que começa uma nova partida de futebol.

Equipe do filme

Roteiro:Sérgio Silveira, Lays Antunes e Hidário Matos

Direção Hidário Matos

Direção de Fotografia: Antônio Luiz Mendes

Direção de Arte: Sérgio Silveira

Som direto: Danilo Carvalho

Maquiagem: Amaro Bezerra

Contraregra: Sérgio Chaves

Maquinária/Elétrica: Júnior Sideaux

Preparador de Elenco: Sergio Uchoa

Trilha Sonora: Pedro Fonseca

Edição/Montagem: Rui Ferreira

Finalização: Tibet Filmes

COMENTÁRIOS