MANAUS – Por que as crônicas seduzem cada vez mais leitores? Para responder essa pergunta, Rogério Pereira, curador do projeto Tacacá Literário, da 1ª Bienal do Livro Amazonas, convidou os cronistas Affonso Romano de Sant’Anna e Arlindo Porto, intermediados pelo jornalista Gustav Cervinka para debater sobre o assunto.
Numa conversa informal e bem humorada entre os “cronistas da era medieval”, como os próprios se apresentavam, as principais particularidades do gênero foram discutidas.
Arlindo Porto defende a ideia de que as crônicas possuem uma linguagem mais próxima das pessoas. Têm seus pensamentos facilitados aos leitores. Para Porto, as crônicas não tem a pretensão de enrolar com palavras muito complicadas. A crônica busca oferecer ao leitor, um pensamento. Daí a grande aceitação das crônicas pelos veículos de comunicação.
Affonso comentou que começou a escrever aos 16 anos e que seu primeiro texto literário foi uma crônica, baseada em cima da frase de um personagem de Sheakspeare, que ao ser questionado sobre as horas, sempre dizia que ‘são horas de ser honesto’. “Foi baseado nesta frase que escrevi minha primeira crônica”, destacou.
Affonso ressalta que o cronista pode ser o sujeito dentro da história. Segundo o cronista, o leitor de crônicas não quer detalhes técnicos e científicos sobre determinado assunto. “Ele quer um olhar subjetivo de tal fato que está sendo abordado”, disse.
“Nesta manhã de março, o telefone ainda não tocou, e eu ainda não sei da morte de meu amigo”
Affonso Romano de Sant’Anna
O trecho acima retrata um fato ocorrido com o próprio autor no dia em que foi escrito. Affonso retratou o que tinha vivido minutos antes de receber uma ligação para ser informado da morte de Hélio Peregrino.
Coisa de brasileiro?
Affonso pensava que a crônica fosse uma linguagem literária muito brasileira. “Não é. E eu já estava desconfiando disso”, disse ironicamente o escritor. “No Brasil, essa linguagem ficou muito evidente na década de 30, e foi no Brasil que a crônica criou consistência. Mas, não se trata de uma prática só nossa”, afirmou.
Arlindo Porto destacou o Jornal do Commércio como um dos principais veículos de comunicação para a disseminação das crônicas no estado do Amazonas. “Sempre consegui disseminar meus pensamentos e opiniões através de textos engraçados e divertidos que publicava e que despertava o interesse nos leitores”, concluiu.
A Artrupe já prepara mais produções para esse ano. Entre elas, o videoclipe de uma banda de indie-rock de Manaus.
A peça, que ainda será apresentada outras duas vezes, é dividida em três atos, no total de cinco horas de duração.