MANAUS – O amor é o sentimento mais falado, cantado e poetizado no mundo inteiro e neste ano estará também nos versos, músicas e alegorias do Festival de Ciranda de Manacapuru. Para cantar e dançar no Parque do Ingá, a Ciranda Guerreiros Mura apresentará o tema ‘Através de histórias, lendas e mitos, a Guerreiros Mura celebra o amor’.
Fundada em 1993, a Guerreiros Mura é a caçula do Festival de Cirandas, embora seja a detentora do maior número de títulos. Com as cores da bandeira do Amazonas, azul, vermelho e branco, a ciranda vai contar durante sua apresentaçã, algumas lendas amazônicas que também se inspiraram no amor.
“Nós vamos falar do amor incondicional como a lenda do Apuí sobre dois jovens índios que morrem abraçados na beira do rio fulminados por um raio. Outro destaque será o amor de Deus pela humanidade’, disse o cantador de cirandada, Gamaniel Pinheiros
Entre as lendas que serão encenadas pela ‘Guerreiros Mura’ estão: Uirapuru, Vitória Régia e Boto, personagenss peculiares da fauna e flora amazônica. Como índios, transformados após encantamento, e o motivo em comum é o ‘amor’.

Segundo a lenda, o boto vira homem em noites de lua cheia para encantar uma moça elevar sua amada para o fundo do rio. Foto: Divulgação
As lendas também abrirão espaço na apresentação da Guerreiros Mura para os histórias épicas como o amor de Orfeu por Euridice. “O amor de Orfeu era muito forte, e em busca de Eurídice, ele foi até o mundo dos mortos. Com sua música e sua poesia ele conseguiu passar por todas as provas até convencer o deus Hades de que poderia levar sua amada para fora de lá”, contou Gamaniel. O cantador de cirandada ainda acrescenta que a morte de Orfeu no espetáculo da ciranda, é o mistério que a ‘Guerreiros Mura’ deixará no ar.
O cordão de entrada composto por cerca de 60 pares de cirandeiros entrará no Parque do Ingá representado a lenda das Icamiabas. “Esse é outro tipo de amor que a gente vai mostrar em nosso espetáculo, o amor de procriação, que as índias utilizavam para manter seu poder de soberania. Elas só precisavam dos homens para uma noite de amor”, afirmou o Pinheiros.
O enredo sobre o amor da Guerreiros Mura será distribuído entre brincantes em quatro a cinco alegorias , sempre narrado por personagens tradicionais, como ‘Seu Manelinho’, ‘Seu Honorato’ e claro, ‘O Cupido’, personagem épico da Roma antiga, que suscita o amor entre os seres humanos.
A Artrupe já prepara mais produções para esse ano. Entre elas, o videoclipe de uma banda de indie-rock de Manaus.
A peça, que ainda será apresentada outras duas vezes, é dividida em três atos, no total de cinco horas de duração.