O que é possível um show de rock nos ensinar sobre a Copa do Mundo da FIFA de 2014? Além de ter sido realizado em um estádio de futebol, o show da turnê 360º da banda irlandesa U2 no Brasil traz outras semelhanças com o evento da paixão nacional, entre elas a potencialidade de atrair públicos de todas as regiões do país e o despreparo logístico que carrega consigo indireta e intrinsecamente.
Em três dias de show, 270 mil pessoas, aproximadamente, lotaram as arquibancadas e o campo do estádio do Morumbi, em São Paulo, neste mês de abril, para ver Bono e seus amigos transformarem todas as outras bandas em meros coadjuvantes, com seu espetáculo concebido em outro planeta. Entre 40 e 50 mil são esperadas em cada partida de futebol da Copa do Mundo.
Se para um show de rock, a maior cidade brasileira não tem estrutura viária para atender à demanda de veículos, nem transporte público capaz de satisfazer às necessidades de deslocamento dos fãs, o que pensar das demais cidades “sedes” da Copa?
Vale ressaltar que, de longe, esta não é uma questão a ser resolvida apenas no campo da tecnologia. São Paulo tem diversas linhas de metrô, trens e ônibus que, bem concatenados, suprem o direito de ir e vir do cidadão. Contudo, esta mesma estrutura já está cansada, beirando a insuficiência, quando relacionada com o tamanho da população daquela cidade.
Ir de carro a um show de rock no Morumbi, sabendo que a volta para casa será lenta e congestionada, é uma decisão pessoal. E como todas as questões comportamentais e culturais, a mudança de conduta não se conquista ou se refaz em poucos anos.
Toda a tecnologia imposta ao público em duas horas de rock contrastou com o aperto em busca da porta de saída, que estampava o letreiro “Emergência”, inútil se este fosse o caso.
No show do U2, ninguém se machucou. Nem público, nem atração. O mesmo feito, definitivamente, não se pode esperar das partidas de futebol da Copa de 2014, uma vez que o próprio jogo traz em si o espírito de rivalidade entre nações, embora a ideia oposta (de união e amizade) seja mais vendida. As polícias estão preparadas para lidar com isso?
O sucesso de uma competição tão famosa e tão apreciada não depende apenas do aparato técnico e logístico aos quais os Governos envolvidos estão comprometidos, mas igualmente de toda a disciplina de um povo. Em menos de 4 anos, parece improvável educar-nos, os anfitriões, para que sejam dados exemplos de cidadania, respeito, solidariedade e competência, não só em dias de jogos, mas a partir deles, pelo menos.
Meu amigo, vai cantar, pq vc não entende nada de Copa do Mundo. Meu amigo, a Copa não é jogo de Vasco e Flamengo no maracanã não. Em jogos de Copa do Mundo o clima é outro e os torcedores vão com outro espírito aos estádios. E assim como no África, os brasileiros darão uma lição de cidadania. Faz o seguinte: fica em casa na época dos jogos, ou então, vai aprender como é uma Copa.
Adorei seu texto. Fiquei com vontade ler mais. Parece que você tem muito mais a dizer sobre isso. Fico mesmo imaginando como faremos uma copa por aqui... No show do Air Supply, que nem deveria ter tanta movimentação assim, o trânsito ali pro Studio 5 parou 2h antes do evento... Nos grande eventos daqui, Boi, Carnaboi, essas coisas também sempre para... Imagina uma copa, com a população da cidade acrescida dos turistas... Sei não. Suas ponderações são excelentes. Vamos torcer para a gente conseguir dar um show. Senão como o do U2, de outro planeta, pelo menos organizado e tranquilo.
Você tem razao. Mas eu confio que os brasileiros vao dar um show e vao organizar a melhor copa de todos os tempos. Nao acredito que o governo federal nenhum estado fazer feio e vai ajudar a todos, afinal é o nome do País todo e nao apenas de um estado que está em jogo.
Concordo com você Cláudia, acredito que há muitos problemas, mas creio que durante o "espetáculo" o povo brasileiro vai dar um show de civilidade.