“Para compreender os pais, é preciso ter filhos.” (Sofocleto)
O presente artigo não pretende ser melodramático ou piegas, mas tentar retratar á maneira do articulista, parte daquilo que é ser pai, aproveitando que domingo é o Dia dos Pais. Algumas reflexões sobre esse mister de provedor, protetor e amigo, encerra o que tentei e tento ser. Sou pai quatro vezes, porque tenho dois filhos e dois netos.
Contrapondo ao artigo que fiz, há alguns meses, sob o título Ser Avô, ser pai não é só ser bonzinho, é saber impor limites, diferente do avô, onde esses limites começam a desabar, pois a vida nos dá netos para compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice.
Ser pai não é só dar o DNA ao filho, é participar com ele os momentos bons e difíceis da vida. Pai não deve tiranizar, mas também não pode agir com tibieza, privando ás vezes o filho de um apoio indispensável.
Ser pai, vulnerável e acessível, é ter coragem suficiente para perguntar aos seus filhos para aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão. Ser pai é admitir que um sim, pode custar mais em esforço que um não.
É não silenciar ou ficar acanhado, em dizer ao seu filho ou filha que aquele novo amigo não é uma boa companhia, ter a coragem de ordenar a fazê-lo devolver ou pagar (da mesada), as balas que tiraram do supermercado, mercadinho ou jornaleiro, mandá-los arrumar a bagunça com que deixaram o próprio quarto, fazer com que assumam a responsabilidade das suas ações, impondo penalidades, mesmo quando essas penalidades forem duras e seu coração sangrar, ter a suficiente coragem de dizer-lhe não, sabendo que naquele momento pode ser odiado como pai, obrigá-los a comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas e não essas gororobas de lanchonete, ensinar que lugar de comer é a mesa de jantar e não assistindo televisão, não ter receio de ser considerado um chato insistindo em saber onde estavam, ensinar para que digam a verdade, apenas a verdade, que aguardem pelos dezoito anos para chegar um pouco mais tarde em casa. Mas forte e significativo que palavras de estímulo, apoio e carinho, é dar o exemplo de vida e retidão de caráter.
Ser pai é doação, é mostrar o que é dignidade
E quando um dia seus netos crescidos perguntarem aos seus filhos, se vocês foram tão chatos como os pais deles, que seus filhos e filhas possam responder: Sim, nossos pais eram uns chatos. Graças às chatices deles nenhuma pessoa da nossa família esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem nunca fomos presos por nenhum crime. Nós somos os filhos e vocês são os netos daqueles chatos adoráveis, que sabiamente nos deixaram cometer pequenos erros para aprendermos. Feliz Dia dos Pais.