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11 de julho de 2012 - atualizado as 16:18

Quando os homens se tornaram médicos

Flávio Lauria

Mudo de assunto semanal, se não posso mais mudar de lugar. Tenho alguns amigos médicos, dentre eles, destaco Geraldo Catunda, Paulo Montenegro, Carla Venturin, Maria Aparecida (Bibica), e minha cunhada Terezinha (Tété). O médico tem em suas mãos o dom mais precioso de todos: a própria vida. Tenta conquistá-la com todas as suas forças, no combate muitas das vezes desigual de vencer a morte. As armas de que dispõe são falíveis e a vitória nem sempre é conquistada. Quando presta serviço às instituições públicas, sua atividade é mais desgastante, tendo em vista as precárias condições estruturais e aos baixos salários que lhe são oferecidos em se comparando com outras profissões de menos responsabilidade e que requerem uma carga bem mais reduzida de preparo em termos de tempo e estudo.

O médico tem ainda um complicador: trabalha com o imponderável: o ser humano. Há bilhões de criaturas pensantes e cada uma delas guarda sua individualidade, reagindo diferentemente aos estímulos e agressões. Ele passa anos fazendo tudo certinho, salvando vidas, minorando sofrimentos – ninguém nota, ninguém vê. Elogios só de raro e nem os busca. Quando por acaso ocorre o imprevisto, o mundo desaba-lhe às costas.

Uma avalanche de críticas e condenações. Os advogados de porta de hospital, bocas às escâncaras, qual chacais esfomeados, aguardam o momento do bote. Processos. Descrédito. Mas, longe de mim denegrir outros profissionais que também carregam suas pesadas cruzes nesse cruel mundo competitivo de configuração capitalista.

Passemos às amenidades. Conta-se que quando Deus liberou o conhecimento para que os homens se tornassem médicos, assumiu uma atitude elitista ao exigir que o saber ficasse restrito a um pequeno e selecionado grupo onde todos se julgavam onipotentes. Aconteceu, que havia neste restrito grupo alguém que traísse as determinações divinas.

Deus, zangado com o comportamento traiçoeiro, decidiu estabelecer regras punitivas que deveriam ser seguidas: 1º) não terás vida pessoal, familiar ou sentimental, 2º) não verás teu filho crescer, 3º) não terás feriado, fim de semana ou qualquer outro tipo de folga, 4º) se fores privilegiado, terás gastrite, se fores como os demais, terás úlcera, 5º) a pressa será teu único amigo e como penitência tuas refeições serão fugacíssimas, nas mesas dos hospitais ou self-services da vizinhança, 6º) teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se não ficares de todo careca, 7º) colocarão em dúvida tua sanidade mental antes que completes 6 anos de formado, 8º) a máquina de café será tua companheira inseparável e a cafeína perderá seu efeito, 9º) o trabalho será teu assunto preferido ou talvez o único 10º) dormir será considerado período de folga, logo, não dormirás, 11º) se por ventura adormeceres, será de olhos abertos e terás pesadelos com teus pacientes, 12º) exibirás olheiras como troféu de guerra, 13º) e, o que é pior: inexplicavelmente gostarás de tudo isso.

 

Sobre o autor
Flávio Lauria
Professor Universitário com Pós Graduação em Administração Pública e Mestrado em Administração Geral.Consultor de Empresas formado pela UNICAMP/SP;Ocupou vários cargos em empresas Públicas e Privadas dentre eles:Gerente de Recursos Humanos da Tubozin da Amazônia S/A;Diretor Administrativo Financeiro do IEBEM;Subsecretário e Secretário Municipal de Administração;Mais de 850 artigos escritos, versando sobre temas como Educação, Política, Atualidades.É membro da Academia Amazonense de Escritores. Escreve ás quintas-feiras no jornal Em Tempo, no blog do Carlos Branco e no Portal Amazônia.
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